Publicada em 06/01/2026 às 15h48
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou, nesta terça-feira (6), que acolheu "com satisfação" a nomeação de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela e que os venezuelanos devem determinar seu próprio destino sem interferência externa.
China vê 'bullying', e Rússia fala em 'hipocrisia e cinismo' dos EUA em reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre ataque na Venezuela
Em comunicado oficial divulgado à imprensa, o governo russo afirmou que a posse de Delcy ajuda a garantir a paz e a estabilidade diante de "ameaças neocoloniais flagrantes e agressão armada estrangeira".
"Insistimos firmemente que a Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer interferência externa destrutiva. Saudamos os esforços empreendidos pelas autoridades oficiais deste país para proteger a soberania do Estado e os interesses nacionais. Reafirmamos a inabalável solidariedade da Rússia com o povo e o governo venezuelanos", diz o texto.
O documento ainda afirma que Moscou continuará a fornecer o "apoio necessário" ao país, reforçando as declarações anteriores de apoio à Venezuela e a Nicolás Maduro.
Um dia antes, nesta segunda-feira (5), a Rússia condenou o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura de Maduro no final de semana, em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.
O embaixador da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, pediu novamente a libertação imediata de Maduro e acusou os EUA de serem "hipócritas e cínicos", e que a Casa Branca nem escondeu o teor de sua "operação criminosa para tomar os recursos energéticos". Disse também que a ONU não pode aceitar a postura do governo norte-americano.
A China também criticou o ataque dos EUA durante a sessão do Conselho de Segurança. O representante chinês, Fu Cong, afirmou que o país está "profundamente chocado e condena fortemente o bullying" do governo norte-americano.
Cong afirmou que "nenhum país tem poder para atuar como polícia ou tribunal internacional". O embaixador chinês na ONU também acusou os EUA de desconsiderarem as "graves consequências" para a comunidade internacional com o ataque e colocar a paz internacional e da América Latina em perigo.
Já a Venezuela pediu que o Conselho de Segurança da ONU garanta que o governo Trump não se apodere de seus recursos naturais.
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, afirmou que o ataque dos EUA "manda a mensagem que seguir a lei é opcional" e pediu ao Conselho de Segurança da ONU a adoção das seguintes medidas:
exigir que os EUA respeitem os direitos de Maduro e Cilia e que os libertem imediatamente;
condene de forma inequívoca o uso da força contra a Venezuela;
reafirme o princípio de não aquisição de território ou recursos naturais;
adote esforços para desescalada e proteção da população civil e da retomada da ordem.
Os EUA se defenderam das críticas ao chamar Maduro de "fugitivo da Justiça" e falar em "operação para o cumprimento da lei".
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, defendeu o ataque que capturou Maduro e chamou a ação de "operação para o cumprimento da lei". Ele também chamou o presidente venezuelano de "um fugitivo da Justiça norte-americana e diretamente responsável pelas mortes de milhares de norte-americanos".
"Maduro não só era um narcotraficante, ele era um presidente ilegítimo e não era um líder de Estado. Por anos, eles manipularam o sistema eleitoral para se manter no poder", afirmou Waltz.
A reunião foi solicitada pela Colômbia após os Estados Unidos atacarem, na madrugada do sábado (3), diversos pontos de Caracas e capturarem Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Ambos participaram de audiência no tribunal de Nova York nesta segunda-feira e declararam ser inocentes.



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