Publicada em 22/01/2026 às 15h16
Presidente russo indicou aceite de convite dos EUA para integrar o 'Conselho da Paz', mas condicionou dinheiro a ativos russos congelados por todo o mundo por conta da guerra da Ucrânia. Comunidade internacional teme que conselho enfraqueça papel da ONU.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (22) que dará US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bi) para o "Conselho de Paz", do presidente dos EUA, Donald Trump. A contribuição seria com ativos russos congelados por conta da guerra na Ucrânia, segundo o Kremlin.
"A Rússia está pronta para mandar US$ 1 bilhão para ajudar o povo palestino no âmbito do 'Conselho de Paz'", afirmou Putin. A quantia foi solicitada por Trump para qualquer país que queira uma cadeira vitalícia no novo conselho, que foi criado oficialmente nesta quinta em cerimônia no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça (leia mais abaixo). Putin não estava presente.
Segundo Putin, a ideia de mandar dinheiro de ativos russos congelados nos Estados Unidos para o conselho já havia sido discutida anteriormente com o governo Trump. O presidente russo disse que discutirá o assunto ainda nesta quinta com Steve Witkoff, o enviado especial de Trump para a guerra da Ucrânia, durante encontro em Moscou nas próximas horas.
“Ainda não está claro como [a contribuição] será formalizada do ponto de vista legal; tudo isso precisa ser discutido. (...) Isso exige um desbloqueio [de ativos], o que, naturalmente, exigirá determinadas ações por parte dos Estados Unidos”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em coletiva de imprensa.
'Todos os países querem fazer parte do Conselho da Paz', diz Trump
A Rússia teve seus ativos monetários em bancos ao redor do mundo congelados após invadir a Ucrânia em fevereiro de 2022, ato que deu início à guerra entre os dois países. Uma boa parte desses ativos está na Europa, e outra nos EUA. O governo russo afirma que o congelamento de seus ativos é ilegal e foi motivo de uma escalada de tensões com a União Europeia no final de 2025, quando o bloco tentava os tomar para financiar a ajuda à Ucrânia.
Trump indicou nesta quinta-feira que um acordo para finalizar a guerra da Ucrânia pode estar próximo —porém ele já disse isso em vão no passado. "Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve, vocês sabem de qual eu estou falando. Aquela que eu achei que seria fácil de resolver, mas acabou se provando ser a mais difícil", disse o presidente norte-americano em referência ao conflito europeu.
Trump vai se encontrar com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Davos nesta quinta-feira e disse acreditar que haverá "grande progresso". Witkoff, que também tratará do fim do conflito no encontro com Putin, afirmou em Davos que "falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia", porém sem dar mais detalhes.



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