Publicada em 17/01/2026 às 08h10
Até recentemente, e com certeza persistindo em comunidades mais distantes dos centros urbanos, costumes praticamente ancestrais de nossos caboclos continuavam sendo considerados, apear de todas as modernidades, e da falta de incentivo para perdurarem.
Aprendi desde cedo que personagens como “matinta pirera”, “rasga mortalha”, “yara”, “boto”, “mula sem cabeça que bota fogo pela venta” e demais, existem, quem “reza” e realmente cura – sou um exemplo, e tenho dois outros exemplos disso dentro de casa, minha esposa e uma neta.
Tive dois tios, “tio” Zito e “tia Santa”, ambos nascidos e criados em Itacoatiara (AM), ele trabalhando como embarcadiço em navios de seu pai, era um bom contador dessas histórias repetindo outras que lhes tinham sido passadas pelos mais velhos.
“Tio” Zito falava sempre de um personagem muito citado, mas, como tantos outros, ele nunca o vira, mas dele soubera de quem, também, nunca o veria, apesar de terem certeza de que existiam, um bicho que tem a boca no estômago, o monstruoso mapinguari.
Nesse contexto de personagens amazônicos não pode ser deixado de lado outro mais importante, o caboclo, cuja cultura também é alimentada pelos exemplos da própria natureza: a enchente.
Há alguns anos eu conversava com dois engenheiros ambientais e ambos estavam sem entender o comportamento de um fêmea de jacaré que fizera seu ninho em determinado local e depois transferira os ovos para local mais em cima.
Os dois, sem qualquer experiência amazônica, não encontravam explicação, nem eu, mas saí dali em busca de um amigo que nasceu e se criou na beira do Madeira e ele desvendou o mistério: a mãe jacaré sentiu que a enchente ultrapassaria o seu ninho.
Bom, a enchente foi aquela inundação de 2014, para muitos a maior de todos os tempos no Madeira.



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