Publicada em 14/01/2026 às 10h18
Porto Velho (RO) – Alvo de uma enxurrada de críticas desde o início da cobrança de pedágio na BR-364, a concessionária Nova 364 decidiu reagir. Em texto encaminhado à imprensa local, a empresa tenta justificar a tarifa – apontada em comparativos como uma das mais caras do Brasil, na média por 100 quilômetros – afirmando que o motorista e, principalmente, o transportador já pagam há anos um preço ainda maior: o chamado “custo invisível” da precariedade da rodovia.
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A manifestação ocorre em meio ao desgaste público da concessão, que começou a cobrança antes da realização das grandes obras estruturais prometidas para o trecho entre Porto Velho e Vilhena. A situação gerou forte reação popular, amplificada nas redes sociais, e acendeu uma crise política com pressão e protestos por parte de parlamentares, que cobram explicações sobre o início do pagamento em uma estrada historicamente degradada.
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Em uma tentativa clara de conter a rejeição, a Nova 364 usa números para sustentar a tese de que o pedágio, apesar de caro, seria “menor” do que o prejuízo diário causado pelo pavimento ruim.
O “custo invisível” como argumento para o pedágio
A concessionária baseia sua defesa em dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, divulgada em dezembro do ano passado. Segundo o material repassado pela empresa, Rondônia convive com uma malha viária problemática: 61,8% das rodovias são classificadas como ‘regulares’, enquanto 14,1% aparecem como ‘ruins’ ou ‘péssimas’.
A partir disso, a empresa sustenta que a má qualidade do pavimento eleva o custo operacional do transporte em 38,1%, sete pontos percentuais acima da média nacional (31,2%). Na prática, a concessionária tenta inverter o foco do debate: em vez do pedágio alto, aponta para o impacto econômico do abandono histórico da BR.
“A cobrança de pedágio representa um acréscimo aproximado de 12%”, afirma a Nova 364, ao comparar esse impacto ao percentual do “custo oculto” imposto pela precariedade.
Reação ao clima de revolta
O posicionamento surge na esteira de um ambiente de revolta. Um comparativo que circula nas redes aponta Rondônia no topo do ranking de tarifas médias por 100 km, com cobrança superior a outras concessões do país – argumento que alimenta o slogan repetido por motoristas: “o pedágio mais caro do Brasil”.
Essa percepção popular não veio do nada. O principal ponto de conflito é o cronograma: cobrança começou, mas as grandes obras ainda não.
Ou seja: para a população, o contrato começou “pelo bolso”, e não pelas entregas.
“Já investimos R$ 360 milhões”, diz empresa
No texto, o diretor-presidente da Nova 364, Wagner Martins, tenta rebater o sentimento de que não houve contrapartida. Ele afirma que a concessionária investiu R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias, desde o início da operação em agosto de 2025.
“Já investimos R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias visando eliminar esse custo da ineficiência que hoje corrói a margem do transportador e do setor produtivo”, afirma Martins.
A empresa ainda sustenta que o desperdício com combustível e o desgaste precoce da frota custariam mais do que o impacto do pedágio.
Diesel, prejuízo milionário e narrativa econômica
A concessionária acrescenta números para reforçar seu discurso econômico. Segundo o texto, a frota que circulou em Rondônia em 2025 teria registrado consumo excessivo de 27,1 milhões de litros de diesel, provocando prejuízo estimado em R$ 155,65 milhões aos transportadores.
A Nova 364 afirma que, diferentemente do “custo invisível”, o pedágio se associaria a vantagens concretas – como previsibilidade logística, redução de acidentes e maior segurança.
No fim, o texto da Nova 364 tenta reorganizar a discussão: desloca o foco do “pedágio caro” para o argumento de que a BR-364 já impõe um prejuízo maior, silencioso, por causa do pavimento ruim. A estratégia, porém, esbarra no fator mais sensível desta concessão: a cobrança chegou antes das obras grandes. E, nesse cenário, por mais que os números sejam tecnicamente defensáveis, eles não apagam a percepção que domina o debate em Rondônia — a de que o rondoniense passou a pagar uma tarifa considerada entre as mais altas do país enquanto ainda trafega por uma rodovia que, para muitos, segue longe do padrão prometido.
Comentários
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Daniel 17/01/2026 - 17:46Parabéns ao Confúcio Moura pelo empenho em bater o martelo🔨 no dia do leilão e colocar mais esse custo para os Rondonienses ,Acrianos e Amazonense. A Br continua cheia de buracos sem acostamento e todos pagando Parabéns
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Célio 17/01/2026 - 11:20Bom dia na kinha umilde opinião acho j. Absurdo nois que mora do lado da BR temos que paga para tráfego por menos de cinco km isso e um assalto e não tem nada de investimento asfalto péssimo cheio de buracos
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Victor 16/01/2026 - 23:41A desculpa esfarrapada… Seria real se a BR tivesse sido toda refeita. Agora o usuário tem dois custos: o pedagio e o da estrada em pessima qualidade
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geraldo moreira filho 16/01/2026 - 23:16Claro, os gastos dito. São de equipamentos para pegar nosso dinheiro neste pedágio. Um absurdo. O trecho Pvh a ji Paraná, quase 100,00R$. É cheio de buracos. Espero que diminua este valor. Não temos que pagar pelas obras e encher o bolso de vocês.
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Adalberto 16/01/2026 - 20:21Foi o governo federal que leiloou essa BR, em um estado quase 100% de direita só colocar a cabeça pra funcionar, observarão que isso é mais uma das vinganças do PT.
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Adalberto 16/01/2026 - 20:20Foi o governo federal que leiloou essa BR, em um estado quase 100% de direita só colocar a cabeça pra funcionar, observarão que isso é mais uma das vinganças do PT.
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Fernando Pedroso 16/01/2026 - 13:50Eu discordo totalmente da alegação da empresa , usa dados fictícios para tentar convencer , eu morei em Vilhena e trabalhava em Cacoal por anos, ano passado que me mudei para Cacoal, fui em Vilhena semana passada, e não vi nada de diferente nessa rodovia, e o custo para um veículo de passeio entre Vilhena e Cacoal vai ficar em média 39% mais caro, esses investimentos que a empresa alega ter feito deve ter sido na infraestrutura da própria empresa, como postos de cobrança, áreas de apoio e aquisição de veículos, porque na rodovia mesmo a única coisa que fizeram de diferente do DNIT É desmatar e limpar as margens da rodovia.
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[email protected] 16/01/2026 - 10:40Na minha humilde opinião, pedágio significa que o "Estado" assinou seu próprio atestado de incompetência.
Esse argumento dos dirigentes da Nova 364 não convence. Na verdade eu concordo em pagar 0,29 centavos de real por km rodados, mas não é o que está sendo praticado. Esse debate precisa urgente de ser aprofundado politicamente. -
Robson 16/01/2026 - 10:26Devolva o dinheiro dos caminhoneiro s que estao sendo cobrados com os eixos levantados
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Lubina 16/01/2026 - 00:10Essa justificativa está igual placebo, é tipo cala a boca e agradece que está recebendo algo que não tem melhora
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Leonel 14/01/2026 - 18:46Eu estou satisfeito e vou pagar tranquilo, pois pagando o pedagio caro assim eu ajudarei e darei minha contribuição significativa a quem admiro (e idolatro), "meus amigos" milionário das queridas empresas que ganharam as concessões! Tô junto para enriquecer mais esses queridos empresários inteligentes! 😂🙏
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[email protected] 14/01/2026 - 17:36Infelizmente Rondônia Acre Amazonas e Roraima, está sendo muito prejudica,por causa desse preço alto,os impostos são caros e agora,este pedágio mais caro ainda,a população está cansada de trabalhar só pra pagar conta,me sinto muito triste com tudo isso, esses Políticos não pensa na população



Atos absurdo e covardes que nossos representantes, fazem com a população, isso deveria dar causa cassação de mandato , pois cadê o princípio do servidor do povo zelar e cuidar dos bens públicos.