Publicada em 20/01/2026 às 09h33
Porto Velho (RO) - O podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, recebeu o coronel Régis Wellington Braguin Silvério, conhecido como Coronel Braguin, em uma entrevista marcada por temas que, segundo o próprio convidado, dominaram os bastidores e a exposição pública nas semanas anteriores à sua exoneração do comando-geral da Polícia Militar de Rondônia (PM/RO). O programa foi apresentado como a primeira conversa pública de Braguin após deixar a função, no governo do governador Coronel Marcos Rocha, do União Brasil, em meio a especulações sobre uma possível entrada do ex-comandante no cenário eleitoral de 2026.
Na abertura, Robson Oliveira contextualizou o momento dizendo que, após o ano novo, Braguin passou a ser citado como “um dos prováveis pré-candidatos a governador” e que o desligamento do comando alimentou ainda mais a leitura de que ele poderia “se perfilar” entre os nomes em discussão para a disputa. Provocado sobre se a saída do cargo significaria um caminho natural para uma candidatura, o coronel respondeu em tom pessoal, dizendo que a ideia de entrar na política não partiu de um movimento planejado por ele, mas de um acúmulo de convites e abordagens que teriam crescido com a visibilidade do comando.
“Eu penso, porque a minha vida tem sido servir. Eu encerrei um ciclo como comandante-geral e eu sinto sempre inspiração para continuar servindo. Eu tenho no meu coração que existem grandes propósitos pela frente, e é essa certeza que me faz olhar para o que vem adiante com motivação. Ainda há muito a se fazer para servir à sociedade e eu estou pronto, estou preparado e motivado para isso”, afirmou.
Questionado se estaria à disposição para disputar o governo, ele não cravou uma decisão, mas indicou que o assunto está em avaliação. “Eu estou à disposição, sim, eu estou avaliando. Eu recebi convites, como foi com o Novo, e isso tem sido uma corrente natural. Não é algo forçoso, não é iniciado por mim, não é disparado por mim; é um reflexo do que a gente tem passado por todo o Estado. A gente visita o Estado todo, as pessoas vêm falar com a gente, e muitas delas, tomando a iniciativa, falam: ‘entra’. Então a gente avalia com naturalidade. Eu sou um homem político também, e isso aparece agora nessa conversa”, disse.
A entrevista então migrou para a área que projetou o convidado: a segurança pública. Robson Oliveira trouxe à conversa operações de impacto e episódios associados ao enfrentamento de facções, citando a percepção da população, especialmente na capital, sobre a atuação do crime organizado. Perguntou se Braguin se sentia realizado e se, na visão dele, a população estaria segura. O ex-comandante respondeu dizendo que encerrou o ciclo satisfeito com a contribuição e sustentando que houve avanço, mas que ainda existiria espaço para ampliar resultados.
“Em primeiro lugar, eu estou feliz por toda a contribuição que eu fiz na Polícia Militar como comandante-geral. Eu vejo que a segurança avançou, mas ela ainda pode avançar muito mais. Eu consigo identificar uma performance em evolução na segurança pública, desde que se faça os posicionamentos certos, as decisões certas e, principalmente, que se dê continuidade àquilo que está dando certo”, afirmou.
Ao apresentar o que considerou a principal marca de sua gestão, Braguin buscou explicar o que chamou de “performance no uso da força”, expressão que foi questionada pelo apresentador. Ele disse que a diferença estaria em executar na prática aquilo que muita gente defende no discurso, sempre dentro da legalidade e com planejamento tático.
“A performance do uso da força, Robson, é uma das coisas que muita gente fala que tem que existir: ‘tem que ser forte’, ‘tem que ter tolerância zero’. Mas muita gente não sabe como fazer. Eu mostrei como fazer. E como é que a gente faz? É saber aplicar o uso da força dentro da lei. É você respaldar a tropa, direcionando taticamente, colhendo informações de qualidade, tomando a decisão adequada e posicionando a tropa para ter pronta resposta e repressão tática. Todo mundo fala que sabe, mas fazer é outra história. E os nossos números mostram que a gente soube fazer”, declarou.
Braguin disse que prefere se comparar à trajetória histórica da segurança pública em Rondônia, e não a outras polícias do país. Afirmou que, na cronologia estadual, a PM teria atingido índices de produtividade sem precedentes e relacionou essa produtividade a queda em crimes patrimoniais, com uma comparação direta com 2016. “Eu me comparo à linha cronológica da segurança pública do Estado de Rondônia. A Polícia Militar nunca foi tão produtiva como agora, no momento que a gente entregou em 2025: produtividade, apreensões, número de abordagens e, como consequência, o menor número de roubos, a maior baixa incidência criminal de roubos e furtos da última década. Esse é o resultado que nós entregamos. Hoje nós estamos quatro vezes menor do que 2016, que foi o pior período da última década. A gente sabe que vinha caindo, mas teve um declive mais acentuado quando nós assumimos o comando”, afirmou.
Mesmo defendendo resultados, ele apontou problemas que, segundo ele, precisariam ser atacados com prioridade, principalmente a comunicação de presos e o impacto disso nas ruas. “A gente ainda precisa expandir o controle sobre presídios, deixar o preso de fato sem comunicação, porque a comunicação reflete nas ruas. Então a gente tem uma incidência de homicídios que, embora contida e em queda, ainda não está satisfatória; ela ainda não está acentuada como pode estar. Existe um cenário favorável para avançar”, afirmou, antes de citar a intensificação de operações e a combinação entre inteligência e policiamento ostensivo como caminho para “saturar” áreas e reduzir crimes violentos.
O tema prisional foi aprofundado por Robson Oliveira com uma pergunta direta: qual seria a dificuldade prática de impedir a entrada de celulares em unidades prisionais. Braguin reconheceu limites por não comandar a Polícia Penal, mas insistiu que a integração entre inteligência do sistema penal e segurança pública precisaria ser ampliada e, ao falar do papel da PM nessa arquitetura, defendeu que a corporação seria um motor operacional para que integração e inteligência funcionem.
“Eu não tenho os dados da Polícia Penal porque não é da minha pasta. Mas o que a gente entende é que resultado positivo em segurança pública é um conjunto de fatores. As forças de segurança melhoraram muito no período que a gente assumiu o comando exatamente porque a gente proporcionou base de integração. Eu gosto de dizer: se tem um órgão capaz de mostrar integração, é a Polícia Militar. Não é dos outros para com a PM; é da PM para com os outros. Nós integramos os poderes, nós integramos as inteligências, nós somos matéria-prima operacional para que a inteligência funcione. E se o comando não estiver disposto a investir nisso, a integração não acontece no Estado. Agora, eu entendo que o passo daqui pra frente é a Polícia Penal se integrar mais, porque aí você tem mais informação de qualidade, antecipa cenário e combate com mais contundência. Isso depende de vontade das pessoas que estão nesses setores também se aliarem nessa ideia”, afirmou.
Em outro momento, Robson Oliveira trouxe uma crítica recorrente: desvio de função de policiais em cargos comissionados, fora da atividade-fim. Braguin respondeu dizendo haver duas dimensões a serem consideradas, uma ligada ao preparo do policial para gestão e liderança e outra ligada à proteção institucional, que, segundo ele, ganha peso num ambiente político em que autoridades demandam segurança para exercer suas funções. Ainda assim, defendeu equilíbrio para não comprometer a ponta do sistema, que é o atendimento ao cidadão.
“Tem duas visões. A primeira é que tem bastante porque o policial militar tem preparo de gestão e de liderança, e muitas vezes ele preenche funções no governo e nos poderes exatamente porque existe esse preparo profissional. A segunda é a proteção institucional. O policial militar é sempre o agente mais pronto tecnicamente para iniciar a proteção institucional. E o ambiente político que o Estado vive entende a necessidade de ter militares nessas cedências. Só que também tem a importância de manter a atividade-fim. O objetivo é ter uma liderança que equilibre esses pontos, porque promotor, juiz, parlamentar precisa ter proteção resguardada para exercer autonomia. Mas o gestor público tem que equilibrar o quanto cede e, ao mesmo tempo, trazer novas entradas de efetivo para equilibrar a ponta da PM, que é o atendimento estadual”, disse.
Nesse trecho, Braguin também falou sobre efetivo e afirmou que a corporação sofre com defasagem. Citou “uma década sem concurso” e trouxe números ao debate: segundo ele, a estrutura prevê mais de 8 mil homens, enquanto o efetivo estaria em torno de 4.700. Ele disse que a decisão do governo teria sido priorizar melhorias internas e promoções, antes de ampliar contratações.
“Nós temos uma necessidade de aprimoramento de 40% da necessidade efetiva, porque nós precisamos, já são uma década sem concurso, então isso acende o alerta. A estrutura prevê mais de 8 mil homens, e nós não temos isso hoje; nós estamos em 4.700. Há necessidade, sim. Mas a decisão do governo foi: com os recursos disponíveis, vamos investir no fluxo de carreira, no aprimoramento de quem está dentro, e logo em seguida, quando tiver recursos, fazer concurso. Se o governador não conseguir concluir esse projeto nesse momento do mandato, provavelmente o próximo governador vai ter que fazer”, afirmou.
A parte mais tensa da entrevista ocorreu quando Robson Oliveira entrou diretamente na exoneração, citando pressão política e confrontos com deputados estaduais, além de pedidos públicos pela saída do comandante. Braguin atribuiu a decisão final ao governador Marcos Rocha, disse que recebeu a exoneração com tranquilidade e fez questão de registrar gratidão ao chefe do Executivo, associando a própria projeção ao fato de ter sido alçado ao cargo.
“O governador decidiu pela exoneração, mas eu olho isso com tranquilidade. Eu sou muito grato ao governador do Estado, sou grato pela oportunidade, porque se o nosso nome hoje tem destaque, até mesmo para ser cogitado na política, foi porque ele oportunizou eu ser comandante-geral. Ele realizou o meu sonho de carreira, eu falei isso pra ele pessoalmente. Eu sempre sonhei, quando ingressei como oficial, ser comandante-geral. Eu sabia que um dia chegaria, porque foi um sonho que Deus colocou no meu coração. No governo do coronel Marcos Rocha, foi a oportunidade que ele me deu. Eu sou muito grato”, afirmou.
No entanto, ao falar do ambiente político das semanas anteriores, Braguin relatou uma sequência de episódios que, segundo ele, teria catalisado o desgaste e alimentado pedidos por sua cabeça. Disse que, após convite para discutir candidatura ao governo, houve uma audiência pública originalmente destinada a tratar de um projeto de lei, mas que o encontro teria sido transformado em espaço de ataques ao comando.
“O que nós entendemos é o seguinte: eu vou colocar fatos e nós vamos por redução. Um partido me convidou para se lançar ao governo, um partido novo, e nós gostamos dessa ideia. Consequentemente, nesse período, nós tivemos uma audiência pública para tratar de um projeto de lei e, na verdade, a audiência foi um carrossel de ataques ao comando. Desvirtuaram a discussão. Houve acusações contra a pessoa do comando. A partir dali, especulações de parte de deputados e outras autoridades. Depois disso, uma última sessão da Assembleia onde deputados se manifestaram pela exoneração com base em deduções que não foram nem checadas e nem foi dado à própria defesa e ao contraditório. Esse foi o contexto dos últimos 30 dias”, relatou.
Foi nesse cenário que Robson Oliveira colocou no ar uma das acusações que circularam em meio às especulações: a insinuação de que Braguin teria agredido uma mulher e estaria enquadrado na Lei Maria da Penha. O entrevistado respondeu dizendo que aquela era a primeira vez que falava longamente sobre isso e afirmou que se tratava de uma ocorrência antiga, sem prova de agressão, que teria sido arquivada. Em seguida, ele questionou como o registro teria sido acessado e divulgado.
“Robson, você é a primeira pessoa que me dá essa oportunidade. Eu fui acusado de espancador de mulher lá naquela audiência. Eu tenho três filhos, estou noivo, tenho mais uma enteada. Houve uma ocorrência feita 12 anos atrás, e ela foi arquivada porque não teve agressão. Depois dessa ocorrência, eu ainda continuei no relacionamento, tivemos mais dois filhos, foi um relacionamento de nove anos. Já faz cinco anos que não estou mais. Essa pessoa seguiu a vida dela, está com novo casamento, temos um bom relacionamento: eu, ela, os filhos, o esposo dela, a minha noiva. Todo mundo seguiu a vida. Foi uma ocorrência tratada sem nenhuma prova de agressão. Nunca houve agressão. Foi arquivado. Nem gerou processo. Não tem nada jurídico, apenas a ocorrência. O que é mais grave hoje é desenterrar uma ocorrência que estava arquivada em ambiente restrito e trazer isso a público. Mais grave é como isso foi conseguido. Eu tenho três filhos, minhas intimidades expostas desnecessariamente. Eu vejo isso como demonstração de perseguição política para tentar atingir a reputação da gente com algo que eu nunca cometi”, afirmou.
No mesmo bloco, ele disse que a questão estaria sendo tratada na Justiça e que já acionou advogada. Também buscou reforçar sua atuação institucional contra violência doméstica, dizendo que duplicou o programa Maria da Penha em fiscalização e visitas às vítimas durante o comando, e afirmou ter “repulsa” ao ato.
A entrevista avançou para outra narrativa que ganhou repercussão pública: a abordagem na Lei Seca. Robson Oliveira citou a informação divulgada na imprensa e perguntou se seria verdade. Braguin confirmou que passou por uma blitz uma semana após a audiência, disse que recusou o teste do bafômetro, afirmou que não havia sintomas de embriaguez e declarou que recebeu multa e foi liberado.
“Eu passei por uma Lei Seca uma semana depois da audiência. Eu já passei várias vezes por blitz, hora com carro particular, hora com viatura. As pessoas me reconhecem e muitas vezes liberam. Dessa vez pediram para eu fazer o teste, e eu quis entender até onde isso iria, então eu falei: não, eu não vou fazer. Eu quero deixar bem claro: tem três linhas. Você faz o teste; você pode recusar; e, na recusa, o agente analisa se há sintomas de embriaguez. Não tinha. Então faz a multa. Eu saí com a multa, recusei, saí com a multa e fui embora”, relatou.
Ele insistiu que o ponto central, para ele, não seria apenas a multa, mas a forma como o documento teria circulado. “O que a gente tem depois disso é mais uma demonstração de perseguição política. Como é que esse auto de infração está circulando, sendo difundido em vários sites, se é de acesso restrito? Nós temos duas coisas: uma ocorrência antiga, que estava arquivada, sem nada jurídico, e agora esse auto de infração. Eu vejo claramente um movimento de vontade política quebrando sistemas de acesso restrito. Quem é o agente que deu essa nota de infração para ser difundida? Isso é grave. Vale tudo para atacar uma reputação? Então a gente tem que olhar o que é mais grave”, disse, emendando uma série de perguntas sobre quem consultou sistemas e divulgou registros.
No mesmo trecho, Braguin falou sobre segurança pessoal e justificou a necessidade de variar veículos, dizendo que seria alvo de facções por ter enfrentado crime organizado e que não possui escolta integral. Ele mencionou relatórios de inteligência e afirmou que vídeos seus teriam circulado em grupos ligados ao Comando Vermelho, com ameaças. Também explicou o uso de veículo “cautelado”, que descreveu como apreendido do tráfico, dizendo que a finalidade seria manter a disponibilidade permanente do comandante-geral e reduzir risco de monitoramento.
“Por eu ter sido o comandante que enfrentou cara a cara o Comando Vermelho, o PCC, e as facções, eu tenho que tomar medidas para minimizar tentativa de ataques. Em relatórios de inteligência, consta que o comandante-geral é alvo das facções. Inclusive os meus vídeos estão circulando em WhatsApp do Comando Vermelho do Rio de Janeiro pedindo na minha cabeça. Esse é o preço por eu dar frente a frente com criminoso. Eu não tenho escolta de 24 horas. Eu preciso mitigar: eu procuro usar veículos variados. Eu tinha dois veículos oficiais e solicitei um cautelado. Para quê? Para ter disponibilidade 24 horas. Final de semana do comandante não é descanso: pode ser governador ligando, deputado ligando, policial ligando, serviço ligando, policial baleado, acidente. Eu pego o veículo e vou. Eu revelei isso agora, e o próximo comandante vai ter que mudar a estratégia, porque eu tive que explicar a finalidade. E esse veículo cautelado é um veículo apreendido pelo tráfico. O tráfico perdeu, e a gente usa para atender a disponibilidade do comando”, afirmou.
O apresentador reconheceu que, na visão dele, a discussão sobre o carro cautelado não seria o ponto mais relevante, mas voltou a questionar a recusa ao bafômetro, por envolver simbolismo público do cargo. Braguin reiterou que não havia bebido, que aceitou a multa e que interpretou a abordagem como diferente das anteriores.
“Eu sou coronel, sou conhecido, mas eu estou sujeito às leis como qualquer cidadão brasileiro. Eu recusei, não provou embriaguez, não teve sintoma, tomei a multa, e eu paguei esse preço. Se eu estivesse embriagado, por que eu não fui preso? Por que eu não fui conduzido? Não teve termo, não teve porque eu não estava. Mas eu já sabia que ali era uma questão política, e a confirmação está aí: o auto de infração espalhado para todo lado”, disse.
Ainda no bloco mais político, Robson Oliveira mencionou que, em campanha, esses temas voltariam com força e que parte do papel do jornalista é perguntar. Braguin respondeu reforçando a versão de que não existiria crime, nem na ocorrência antiga nem na blitz, e inseriu a exoneração no mesmo contexto de ataques. “Um crime de violência doméstica que não existiu, foi arquivado porque não teve agressão. Uma condução que só gerou uma multa porque eu me posicionei como qualquer cidadão. Não tem uso indevido, não tem embriaguez, não tem crime, não tem nada nesses fatos. E depois disso, a parte da má política pedindo exoneração. A exoneração veio. E o que nós temos agora? O crime comemorando a minha exoneração e os maus políticos satisfeitos”, afirmou.
No terço final do programa, a entrevista retomou a especulação partidária. Braguin disse que, além do Novo, existiriam conversas com outras legendas em caráter informal e relatou que o Novo teria buscado uma “terceira via”, menos baseada em “politicagem” e mais centrada em “resultado”, apontando que o partido teria identificado cansaço do eleitorado com políticos tradicionais.
“O Novo veio e falou: ‘Nós queremos uma terceira via, menos politicagem e mais resultado’. Disseram que os valores estavam parecidos, que eu tenho resultados entregues, que vou direto ao ponto. Foi colocado como um perfil que eles querem para o governo. Eles disseram que fazem investimento pesado para deputado federal, mas entenderam que em Rondônia existe espaço para a majoritária com um nome diferente, alguém que a população veja como fora desses blocos tradicionais. Eu olhei com carinho e falei: vamos amadurecer essa ideia”, relatou.
Robson Oliveira então conduziu o entrevistado a temas de gestão além da segurança pública, especialmente saúde. Braguin disse que o Estado enfrenta problemas crônicos e defendeu que a solução passaria por diagnóstico técnico e por articulação entre instituições. Ele também sugeriu uma relação direta entre políticas de trânsito e redução de custos hospitalares com traumas.
“A saúde do Estado tem vários cenários crônicos: a diminuição de filas, as mais diversas patologias, e a necessidade de pronto-resposta. Eu tenho facilidade de gestão nesse perfil de pronto-resposta: identificar cenário, sentar com técnicos, fazer a primeira medida. Isso vai além de mutirão e terceirização; é resolver gargalos. E tem um ponto que eu deixo claro: saúde em Rondônia se resolve em sintonia com todos os poderes. O governador toma decisão, passa por fiscalização do Tribunal de Contas, precisa do aporte da Assembleia, e tem anuência do Ministério Público e do Judiciário, porque há muita judicialização. Não adianta governador bater no peito e dizer que resolve sozinho. Ele tem que envolver Judiciário, MP, Tribunal de Contas e Assembleia, porque muitas vezes uma ação vai ser embargada ou não vai andar sem apoio. Essa articulação precisa ser aperfeiçoada”, afirmou.
Ele acrescentou que, na visão dele, a segurança pública influencia gastos da saúde por meio do trânsito. “Eu acredito que cerca de 30 a 40% dos recursos da saúde são gastos com trauma, e os traumas são, em 90% a 95%, acidentes de trânsito. Então a ação de segurança pode diminuir demanda na saúde. E o envolvimento do Detran com a segurança pública pode ser muito mais potencializado: investimento em prevenção, educação de trânsito, recursos que o Detran pode aplicar prioritariamente na Polícia Militar, Bombeiros, Polícia Civil, para reduzir acidentes”, disse.
Questionado se essa visão estratégica era discutida no governo, Braguin respondeu descrevendo Marcos Rocha como um gestor com perfil administrativo, que concede autonomia aos auxiliares. Disse que poderia ter sentido falta de reuniões estratégicas lideradas diretamente pelo governador, mas afirmou que a autonomia permitiu articulações entre comandos e secretarias para levar decisões ao Executivo.
“O governador tem uma característica administrativa e dá autonomia. Às vezes eu posso ter sentido necessidade de uma reunião estratégica com o governador e todos os secretários, mas, ao mesmo tempo, ele dá autonomia para que os entes se articulem, comandante do bombeiro, comandante-geral, secretarias, e essa dinâmica aconteça para que a decisão chegue a ele e ele dê direção. É uma característica dele. Não estou dizendo que é ruim ou melhor; é diferente. Nós nos adaptamos e aperfeiçoamos a relação interinstitucional”, afirmou.
No encerramento, Robson Oliveira agradeceu e disse que pretende entrevistar todos os nomes que se apresentem como pré-candidatos ao governo até o fim de março, sinalizando um novo convite ao coronel para retornar ao programa com propostas. Braguin agradeceu e concluiu reforçando aspectos pessoais, citando a família e voltando ao mote de serviço, resultados e disposição para novos desafios.
“Agora vocês tiveram a oportunidade de conhecer o Régis Braguin, não o coronel. Aquele homem que sofreu violência doméstica dentro de casa quando era criança, mas viu a mãe ensinando como se deve ser. Eu sou pai de dois meninos, de uma menina, tenho mais uma enteada. Minha filha, com quatro anos, me deu o primeiro buquê de flores. A mulher é algo precioso e sempre foi tratada com delicadeza. Eu saio do comando com sentimento de dever cumprido, com resultados. E a minha caminhada é servir: menos discurso, mais resultado, mais entrega. Eu estou satisfeito, mas com o coração em chama, porque tem muita coisa para ser feita ainda. E se Deus reserva grandes propósitos na nossa vida, eis-me aqui”, finalizou.
10 FRASES DO EX-COMANDANTE-GERAL DA PM/RO NO RESENHA POLÍTICA
01) “Essa audiência pública virou um carrossel de ataques ao comando, com acusações contra a minha pessoa.”
A frase foi dita ao relatar que uma audiência destinada a discutir projeto de lei acabou, segundo ele, sendo usada por parlamentares para atacá-lo pessoalmente e desgastar sua permanência no comando da PM.
02) “Houve deputados pedindo a minha exoneração com base em deduções que não foram checadas e sem me dar direito ao contraditório.”
Declaração feita ao narrar o ambiente político na Assembleia Legislativa que, segundo ele, antecedeu sua saída do cargo.
03) “Eu fui acusado de espancador de mulher por algo que nunca cometi.”
Afirmação direta ao comentar as acusações levantadas publicamente envolvendo suposta violência doméstica.
04) “Essa ocorrência de 12 anos atrás foi arquivada porque não teve agressão, não teve prova e não virou processo.”
Trecho em que o ex-comandante detalha a ocorrência antiga citada contra ele, reforçando que não houve desdobramento judicial.
05) “O mais grave não é a acusação, é como um registro arquivado em ambiente restrito foi desenterrado e jogado ao público.”
Fala usada para questionar o acesso e a divulgação de informações que, segundo ele, deveriam estar protegidas.
06) “Passei pela Lei Seca, recusei o bafômetro, não tinha sintoma de embriaguez, tomei a multa e fui liberado.”
Declaração objetiva sobre o episódio da blitz, confirmando a recusa ao teste e a aplicação da penalidade administrativa.
07) “Se eu estivesse embriagado, eu não teria sido liberado, eu teria sido preso.”
Argumento apresentado para sustentar sua versão de que não dirigia sob efeito de álcool.
08) “Como um auto de infração com acesso restrito aparece espalhado em vários sites?”
Questionamento feito ao sugerir que houve vazamento indevido de informações oficiais.
09) “Eu enfrentei o PCC e o Comando Vermelho de frente, e isso tem preço.”
Frase usada ao explicar por que afirma ser alvo de facções criminosas após o período em que comandou operações de enfrentamento direto ao crime organizado.
10) “Hoje o crime comemora a minha exoneração, e a má política também.”
Declaração mais dura da entrevista, feita ao associar sua saída do comando à satisfação de facções criminosas e de setores políticos que o criticavam.



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