Publicada em 13/01/2026 às 15h34
Os democratas Bill e Hillary Clinton anunciaram nesta terça-feira (13) que se recusam a cumprir a intimação do Congresso dos Estados Unidos para depor no âmbito de uma investigação do caso de Jeffrey Epstein.
Os Clinton foram intimados em agosto pelo Comitê de Supervisão da Câmara, que faz uma investigação independente do caso Epstein, para depor. Eles acusam o comitê, de maioria republicana, de tratamento seletivo com eles por serem rivais políticos do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em uma carta divulgada nas redes sociais nesta terça-feira, os Clinton denunciaram serem perseguidos pelo presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, o deputado republicano James Comer, e que ele estaria buscando a prisão deles por desacato. (Veja a íntegra do pronunciamento no final da matéria)
"Apesar de tudo o que precisa ser feito para ajudar o país, o senhor está prestes a paralisar o Congresso para perseguir um processo raramente utilizado, literalmente projetado para resultar em nossa prisão. Este não é o caminho para tirar os EUA de seus males, e nós nos defenderemos vigorosamente", afirmaram.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Em reação ao pronunciamento dos Clinton, parlamentares do Partido Republicano se preparam para iniciar processos por desacato ao Congresso contra eles. O "desacato ao Congresso" é um mecanismo legal para punir quando alguém se recusa a cumprir uma convocação para depoimento, que pode resultar em multa e condenação de até um ano de prisão.
O caso Epstein é uma crise do 2º mandato do governo Trump, e os Clinton foram convocados para depor em um momento em que os republicanos buscavam alternativas para acalmar as demandas do público norte-americano por informações do bilionário envolvido em um escândalo sexual sem precedentes na história dos EUA.
O ex-presidente Bill Clinton aparece nos arquivos do caso Epstein, assim como Trump, em fotos com garotas. No entanto, não há nada que incrimine o democrata, segundo documentos divulgados pelo governo Trump até o momento. Inclusive, Bill pediu em dezembro que o Departamento de Justiça divulgue todos os arquivos relacionados ao Epstein. Sob pressão, Trump assinou em novembro uma lei para a divulgação de todos os documentos do caso Epstein —no entanto, isso não aconteceu até o momento.
Os Clinton classificam as tentativas do comitê de levá-los para depor como “legalmente inválidas” e disseram que seus advogados entregaram a Comer um documento que argumenta a falta de base legal para a intimação.
Os Clinton também acusam Comer de ter tomado decisões que "impediram avanços na descoberta dos fatos sobre o papel do governo" no caso Epstein.
"As decisões que o senhor tomou e as prioridades que estabeleceu como presidente no que diz respeito à investigação sobre Epstein impediram avanços na descoberta dos fatos sobre o papel do governo (...) e não fez nada, no exercício de sua função de fiscalização, para obrigar o Departamento de Justiça a cumprir a lei e divulgar todos os arquivos sobre Epstein, incluindo qualquer material relacionado a nós, como temos solicitado publicamente", afirmou o casal em pronunciamento.
Em seu pronunciamento, os Clinton afirmaram que o governo Trump tomou "atos sem precedentes, inclusive contra seus próprios cidadãos" no último ano e indicaram que iniciarão uma luta mais ativa contra as práticas do republicano. "Todos os dias vemos o país ao qual dedicamos nossas vidas para melhorar dar passo após passo para trás", afirmaram.



Comentários
Seja o primeiro a comentar!