Publicada em 16/10/2025 às 14h53
A CPI do INSS viveu um dia de articulações políticas nesta quinta-feira (16). Deputados da base do governo conseguiram impedir a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para depor à comissão. Embora seu nome tenha sido mencionado por parlamentares da oposição, ele não é investigado no inquérito sobre supostas fraudes envolvendo o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), onde ocupa o cargo de vice-presidente.
A blindagem a Frei Chico ocorre poucos dias depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter ordenado o bloqueio de aproximadamente R$ 390 milhões em bens e valores do sindicato. A decisão atendeu a pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontaram movimentações financeiras atípicas na entidade.
A medida atinge figuras de peso no Sindnapi, entre elas Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, e o espólio do ex-presidente João Batista Inocentini, o João Feio, falecido em 2023. O ministro também determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do sindicato e de seus dirigentes, abrangendo o período entre 2020 e 2025.
Além de evitar a convocação do irmão do presidente, os governistas conseguiram retirar da pauta requerimentos que pediam a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, atual presidente do PDT.
Com as manobras, a base aliada conseguiu preservar nomes próximos ao governo e retardar o avanço de investigações que poderiam ter efeitos políticos. Já a oposição promete insistir em novas convocações e requerimentos, mantendo o foco sobre as suspeitas que envolvem o Sindnapi e a gestão de recursos da Previdência.



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