Líderes da União Europeia reforçaram nesta sexta-feira o apoio ao presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, durante uma cúpula em Bruxelas marcada por divergências com os Estados Unidos sobre a guerra. O encontro ocorreu após Donald Trump classificar como uma “vergonha” os ataques ucranianos contra refinarias russas.
Ao chegar à reunião, Zelensky pediu ajuda para preparar o país para o inverno e afirmou que Moscou não demonstra disposição para encerrar o conflito. Segundo ele, as necessidades ucranianas vão além da recuperação do fornecimento de energia.
“O pacote de inverno não se resume apenas à energia, mas também à defesa aérea e ao financiamento”, declarou.
A cobrança ocorre em meio a novos bombardeios russos. Ataques com drones mataram três pessoas em Kharkiv, enquanto ofensivas em outras localidades deixaram centenas de milhares de moradores sem eletricidade.
O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, afirmou à Reuters que o bloco europeu provavelmente precisará conceder outro empréstimo para ajudar a Ucrânia a cobrir o déficit orçamentário do próximo ano. Ele defendeu a continuidade da assistência e alertou para as dificuldades dos próximos meses.
“O inverno passado já foi um inferno; este será, mais uma vez, como um inferno”, disse.
A tensão com Washington aumentou depois que Trump anunciou, no fim de semana anterior, que Ucrânia e Rússia haviam concordado em interromper ataques contra instalações energéticas uma da outra. O anúncio surpreendeu Zelensky.
Às vésperas das eleições legislativas norte-americanas de novembro, Trump atribuiu aos ataques ucranianos contra refinarias russas a alta dos preços da energia. Um acordo de diesel firmado entre Estados Unidos e Rússia também provocou insatisfação em Kiev e entre aliados europeus.
Outra preocupação da Ucrânia envolve limitações no Starshield, sistema de satélites da SpaceX utilizado em comunicações militares e operações com drones. Uma fonte do Ministério da Defesa ucraniano afirmou na quinta-feira que os receptores funcionavam apenas em deslocamentos de até 160 km/h, restringindo seu emprego em missões.
Uma autoridade norte-americana negou que Trump tenha determinado uma redução deliberada da capacidade do serviço. O presidente dos Estados Unidos também afirmou nesta semana que o compartilhamento de informações de inteligência com Kiev continuava, em meio a receios sobre a manutenção do apoio militar americano.
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, reconheceu que os europeus ainda não têm uma alternativa capaz de substituir, no curto prazo, a conectividade fornecida pela Starlink à Ucrânia. Governos e empresas do continente trabalham em opções para o longo prazo.
Kallas também informou que o bloco prepara outro pacote de sanções contra a Rússia e busca coordenar as medidas com parceiros internacionais.


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