O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu nesta terça-feira acesso de investigadores internacionais à Faixa de Gaza para ajudar na coleta e preservação de provas sobre possíveis violações do direito internacional e crimes de guerra cometidos durante a ofensiva de Israel no território palestino.
Segundo Türk, restos mortais que aparentam pertencer a famílias inteiras estão sendo retirados de locais destruídos por ataques israelenses.
“Estão sendo exumados, atualmente, em locais devastados pelos ataques israelenses, os restos mortais do que parecem ser famílias inteiras”, afirmou o alto-comissário, em comunicado.
Ele disse que a descoberta de grande quantidade de corpos sob os escombros na cidade de Gaza reacende preocupações sobre possíveis crimes de guerra e outras violações graves.
ONU teme que corpos encontrados sejam apenas parte do total
Türk afirmou temer que os restos mortais recuperados até agora representem apenas uma pequena parcela das vítimas ainda soterradas.
Segundo ele, grande parte de Gaza foi destruída por bombardeios israelenses ou por operações de demolição e remoção de escombros realizadas com máquinas pesadas e explosivos.
O alto-comissário também afirmou que áreas onde as forças israelenses permanecem posicionadas continuam sendo niveladas por tratores, o que, segundo ele, pode comprometer restos mortais e possíveis evidências.
Diante desse cenário, Türk defendeu que investigadores internacionais tenham autorização para entrar em todas as áreas da Faixa de Gaza.
O objetivo, segundo ele, seria preservar evidências de possíveis violações, inclusive nos locais já destruídos, além de permitir a documentação adequada das vítimas.
Mais de 630 corpos foram retirados dos escombros, diz ONU
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou que Israel tem recusado a entrada de equipamentos pesados destinados à remoção de escombros.
De acordo com dados citados pelo órgão, a Defesa Civil palestina recuperou mais de 630 corpos e outros restos humanos dos escombros de edifícios destruídos em diferentes pontos da Faixa de Gaza entre novembro de 2025 e setembro de 2026.
A Defesa Civil palestina estima que mais de 8 mil pessoas dadas como desaparecidas ainda possam estar sob os escombros.
Türk afirmou que é necessário documentar e identificar as vítimas, preservar informações forenses e amostras biológicas, registrar os locais de sepultamento e manter as famílias informadas.
Crianças e mulheres estão entre corpos recuperados
Entre 27 de junho e 27 de agosto, equipes da Defesa Civil palestina retiraram 233 corpos dos escombros de 20 edifícios destruídos, principalmente na cidade de Gaza.
Segundo os dados divulgados, entre as vítimas estavam 74 crianças e 106 mulheres.
Para o alto-comissário da ONU, o direito das famílias vai além da identificação dos mortos e da realização de um enterro digno.
“O direito das famílias a saber o destino dos seus entes queridos não se limita à identificação e a um enterro digno. Elas merecem saber toda a verdade”, afirmou Türk.
O pedido da ONU busca garantir que possíveis evidências sejam preservadas e analisadas de maneira independente, especialmente em áreas onde a destruição de edifícios pode dificultar a identificação de vítimas e a reconstrução das circunstâncias das mortes.


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