PORTO VELHO, RO - Acusações dirigidas a Adaílton Fúria, do PSD, e uma troca de ataques entre Samuel Costa, do PSB, e Expedito Netto, do PT, estiveram entre os principais momentos de confronto do debate do primeiro turno das Eleições 2026 para o Governo de Rondônia promovido pela SIC TV. A emissora, afiliada da RECORD em Rondônia, reuniu nos estúdios em Porto Velho Marcos Rogério, do PL; Fúria; Hildon Chaves, do União Brasil; Expedito; Pedro Abib, do MDB; e Samuel, com mediação do jornalista Cícero Moura.
Fúria enfrentou questionamentos diferentes de dois adversários. Pedro Abib concentrou o confronto no Hospital Municipal de Cacoal e na forma usada para disponibilizar o imóvel. Hildon, por sua vez, levou ao debate um inquérito relacionado a rejeito de asfalto e acusou Fúria de ter colocado o material no sítio do próprio pai. Nos dois casos, o candidato do PSD contestou as versões apresentadas.
O primeiro confronto ocorreu quando Abib dirigiu a pergunta a Fúria. O candidato do MDB contestou a afirmação de que o então prefeito teria construído um hospital em Cacoal. “Na verdade, o que houve foi uma locação por inexigibilidade de licitação”, afirmou. Em seguida, perguntou: “Construiu um Hospital e entregou? Ou alugou Adailton Fúria?”
Fúria respondeu que recebeu um imóvel que anteriormente funcionava como faculdade e o transformou em hospital com participação de presos do regime fechado e servidores da Secretaria de Obras. Também afirmou que inicialmente houve chamamento público e que a contratação acabou convertida em inexigibilidade porque, segundo sua versão, aquele era o único prédio com as características necessárias para receber a unidade hospitalar.
Abib insistiu no ponto e passou a falar de outro empreendimento. Segundo ele, Cacoal possuía um complexo hospitalar no qual haviam sido investidos R$ 19 milhões em recursos federais. O candidato afirmou que o valor corresponderia a cerca de R$ 70 milhões com atualização e juros e acusou a gestão de Fúria de abandonar a estrutura para optar pelo aluguel de um imóvel pertencente a um ex-prefeito.
Nesse momento, Abib afirmou que o aluguel custaria “cerca de 1 milhão de reais” por ano e classificou a decisão como escolha da “velha política”. A declaração foi apresentada como crítica à interrupção de um projeto anterior para adoção de outra solução durante a administração de Fúria.
O candidato do PSD reagiu dizendo que o hospital colocado em funcionamento atendia pacientes e realizava procedimentos. Sobre a outra obra mencionada por Abib, atribuiu sua conclusão ao governo federal. “É o governo federal que tem que terminar aquela obra”, afirmou. Fúria sustentou que não poderia manter pacientes esperando enquanto o empreendimento permanecesse inacabado.
A discussão sobre o valor do aluguel teve uma diferença relevante dentro da própria fala de Abib. Depois de afirmar que a despesa seria de aproximadamente R$ 1 milhão por ano, o candidato disse, pouco depois: “Um milhão por mês de aluguel mata vidas”. As duas referências — uma anual e outra mensal — foram feitas durante o mesmo confronto.
Depois de encerrado o tempo de Abib, Fúria acrescentou que os valores relacionados ao imóvel estavam submetidos à Justiça. “O dinheiro está sendo depositado em juízo”, declarou. Segundo ele, parte dos recursos já havia sido devolvida ao município de Cacoal. O candidato também afirmou que o hospital permanecia atendendo a população.
Fúria voltou a ser confrontado mais adiante, dessa vez por Hildon Chaves. A conversa começou por infraestrutura e pavimentação. Fúria afirmou ter executado 230 ruas e avenidas em Cacoal e destacou obras com drenagem. Hildon, então, mudou o foco: “Há um inquérito sobre rejeito de asfalto. O que o senhor tem a dizer sobre isso?”
Fúria disse que a imputação era equivocada e afirmou que o caso havia sido arquivado pelo Tribunal de Justiça. “Não tenho nada a dizer a isso, porque isso aí foi imputado a mim, uma conduta totalmente errada e foi arquivada pelo Tribunal de Justiça do Estado”, respondeu.
Hildon rebateu dizendo que o inquérito havia sido arquivado e desarquivado três vezes. Fúria reconheceu as sucessivas movimentações mencionadas pelo adversário, mas atribuiu o episódio a denúncias que classificou como caluniosas e políticas em período eleitoral.
A acusação mais direta veio depois. “O senhor colocou esse rejeito lá no sítio do seu pai”, afirmou Hildon. Fúria negou e separou sua responsabilidade da do pai. “Ele é uma pessoa, ele tem um CPF, eu tenho outro. Você tem que trazê-lo aqui e fazer o debate com ele”, disse.
Fúria também afirmou não possuir fatos que desabonassem sua conduta e declarou ter contas aprovadas por cinco anos consecutivos pelo Tribunal de Contas do Estado sem ressalvas. Na sequência, contra-atacou Hildon na área de infraestrutura, acusando a administração do adversário de realizar obras sem drenagem e de deixar distritos sem atenção.
Hildon solicitou posteriormente direito de resposta em relação às falas de Fúria. A organização informou, antes do encerramento do bloco, que o pedido não havia sido aceito.
Outro confronto elevou ainda mais o nível das acusações pessoais. Samuel Costa e Expedito Netto começaram discutindo corrupção. Samuel questionou Expedito sobre um inquérito que, segundo ele, teria envolvido peculato e fatos ocorridos durante o período em que o candidato do PT era deputado federal. Expedito respondeu que a acusação era falsa e afirmou que o caso havia sido arquivado.
A discussão mudou de direção quando Samuel afirmou não haver contra ele inquérito, processo ou condenação. Expedito respondeu dizendo que o adversário estaria respondendo a uma denúncia de abuso sexual envolvendo uma candidata do próprio partido. O petista também mencionou uma denúncia policial que, segundo sua fala, envolveria uma mãe e uma filha.
Expedito relacionou o assunto à violência contra mulheres e, durante a escalada verbal, chamou Samuel de “estuprador” e “abusador”. As expressões foram empregadas pelo candidato como acusações durante o confronto, e não apresentadas no debate como conclusões judiciais.
Samuel respondeu inicialmente com referências a integrantes do PT e depois partiu para uma acusação de natureza diferente contra Expedito. “Tira uma gota de sangue do teu braço e prova que tu não usa droga?”, desafiou. Samuel chegou a vincular o desafio à própria candidatura, dizendo que renunciaria caso não conseguisse demonstrar sua condição de “ficha limpa”.
A organização concedeu direito de resposta a Samuel após as falas de Expedito. Durante o minuto recebido, o candidato do PSB declarou: “Eu sou uma pessoa digna, honesta e honrada. Contra mim não paira nenhum tipo de condenação criminal.” Samuel afirmou ainda que vinha sendo atacado e atribuiu os episódios a adversários ligados a disputas políticas.
Expedito também pediu direito de resposta especificamente por causa da fala sobre drogas. Ao anunciar a decisão, a mediação informou que o pedido havia sido aceito por “ofensa sem provas”. No minuto concedido, o candidato do PT acusou Samuel de partir para agressões verbais e retomou a acusação anterior. “Perguntei para ele sobre abuso sexual”, afirmou, acrescentando que, em sua avaliação, o adversário não havia respondido ao questionamento.
A sequência de direitos de resposta alcançou ainda Marcos Rogério. Antes do embate entre Samuel e Expedito chegar ao ponto das acusações pessoais, Expedito havia mencionado uma acusação contra o candidato do PL envolvendo um suposto transporte de mais de R$ 1 milhão em um frigorífico. A banca concedeu o direito de resposta de Marcos por “fato questionável e ofensa pessoal”.
Marcos contestou a procedência da afirmação. “O candidato Expedito traz uma acusação de um ex-vereador do PT da cidade de Cacoal, que espalha mentiras e fake news”, declarou. Depois, afirmou que pretendia concentrar a candidatura em saúde, segurança pública, infraestrutura e educação. Na área da saúde, também defendeu durante o debate a construção de um hospital de urgência na capital e de um hospital de traumas na região central do estado, este com recursos do Detran.
Além dos confrontos, os candidatos procuraram reforçar diferentes eixos de campanha. Marcos Rogério associou sua candidatura ao campo conservador e reiterou apoio a Flávio Bolsonaro. “A única candidatura 100% de direita conservadora nessa eleição é a do Marcos Rogério, do PL22”, afirmou nas considerações finais.
Expedito Netto encerrou sua participação defendendo trabalhadores, serviços públicos e sua ligação com o presidente Lula. “Eu venho com o número 13. Defendo meu presidente da república porque eu sei que ele defende direitos sociais”, declarou. Durante o debate, também abordou agricultura familiar, industrialização de produtos de Rondônia, saúde e aplicação de recursos na cultura.
Samuel Costa procurou se apresentar como alternativa aos grupos políticos representados pelos adversários e defendeu que o eleitor deixasse de lado preferências ideológicas para comparar as candidaturas. Em outros momentos, apresentou propostas para a saúde e mencionou a utilização de recursos do Detran para um hospital voltado à traumatologia.
Pedro Abib voltou ao caso de Cacoal nas considerações finais e fez críticas ao que chamou de continuísmo. “Rondônia cansou de pagar a conta e ver o seu suor representar privilégios pra poucos”, afirmou. Também repetiu a acusação de que Fúria teria abandonado um hospital financiado com dinheiro público e alugado outro prédio.
Hildon Chaves encerrou destacando sua experiência administrativa e definiu a noite como marcada por propostas, mas também por “muita discórdia”. Em tom mais leve nas considerações finais, distribuiu hipoteticamente funções aos adversários em um eventual governo comandado por ele.
Fúria fechou a participação novamente pela saúde. Disse que considera as ações nessa área o principal legado de sua passagem pela Prefeitura de Cacoal e afirmou que pretende levar essa experiência para o governo estadual. “Nós transformamos a saúde de Cacoal”, declarou.
Ao fim do debate, a SIC TV registrou, portanto, direitos de resposta concedidos a Samuel Costa, Marcos Rogério e Expedito Netto. O de Marcos foi aceito por “fato questionável e ofensa pessoal”; o de Expedito, relacionado à acusação sobre utilização de drogas, por “ofensa sem provas”. O pedido feito por Hildon Chaves em relação às falas de Fúria não foi aceito. A transmissão terminou com os seis candidatos apresentando suas considerações finais e a emissora informando que, em caso de segundo turno, promoverá novo encontro.


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