PORTO VELHO, RO - O candidato ao Senado pelo PL Bruno Bolsonaro Scheid afirmou, durante participação no RD Entrevista, que pretende chegar ao Congresso Nacional para defender pautas associadas à direita, endurecer a legislação penal, reduzir impostos e atuar pela saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. O programa é apresentado pelo jornalista Vinícius Canova nos estúdios do Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia.
Ao tratar das prioridades para um eventual mandato, Scheid colocou Moraes entre os principais alvos de sua atuação política e disse que pretende buscar apoio de outros senadores para avançar nessa direção.
“Eu acho que Alexandre Moraes tem que ser cassado, sim, para o bem desse país. Quero ir lá para diminuir impostos, para que o empregador possa dar mais folga para o trabalhador”, afirmou. Na mesma manifestação, o candidato também citou oposição ao aborto e à identidade de gênero entre as pautas que pretende defender no Congresso.
As críticas ao ministro apareceram também quando Scheid abordou informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Ao comentar notícias que disse ter acompanhado, o candidato questionou a natureza da relação entre os personagens citados.
“Que tipo de relação esse cara tem com o cara que está preso?”, perguntou. Em seguida, mencionou uma discussão que atribuiu aos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes e afirmou enxergar irregularidades no episódio.
Scheid foi questionado sobre uma comparação entre esse caso e o patrocínio obtido para uma produção ligada a Flávio Bolsonaro. O candidato rejeitou a equivalência e sustentou que se tratariam de situações distintas.
“Eu estou falando de um patrocínio, de um patrocínio de uma empresa para um filme privado, de uma situação privada”, declarou. Scheid afirmou que, na avaliação dele, uma relação comercial de patrocínio não poderia ser colocada no mesmo plano das informações que apresentou sobre Moraes e Vorcaro.
Outro trecho de forte teor político ocorreu durante a discussão sobre segurança pública. Scheid criticou as audiências de custódia e disse que pretende atuar por mudanças no processo penal caso conquiste uma cadeira no Senado.
“Eu acho que o vagabundo tem que morrer na cadeia mesmo. A audiência de custódia é uma ferramenta desgraçada contra a sociedade”, afirmou.
O candidato questionou a possibilidade de pessoas acusadas de crimes graves retornarem rapidamente à liberdade e defendeu uma legislação mais rígida. Scheid também mencionou a castração química para estupradores e sustentou que crimes sexuais deveriam receber tratamento penal mais severo.
A escala de trabalho 6 por 1 também entrou no debate. Scheid afirmou ser favorável ao fim do modelo, mas defendeu que qualquer alteração seja acompanhada por redução dos encargos incidentes sobre a folha de pagamento.
“Acabar com a escala 6 por 1 desonerando a folha. Sou favorável. O empresário não pode ser penalizado e o empregado também não. Então, vamos melhorar a vida do empregado. Acho que tem uma galera que trabalha para caramba, que merece dois dias com o filho, tem que estar em casa com o filho, mas vamos achar o meio, desonerar a folha de quem paga o salário”, afirmou.
Scheid argumentou que uma mudança feita sem compensação para os empregadores poderia produzir demissões. Para o candidato, o debate precisa conciliar melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores com preservação dos postos de trabalho e condições para que as empresas absorvam a alteração.
Ele também criticou políticos que mudam de posição em períodos eleitorais e disse que pretende apresentar suas opiniões ao eleitor sem criar uma identidade diferente para a campanha.
“Não tem um personagem aqui”, afirmou.
As operações contra dragas e atividades de garimpo no Rio Madeira abriram outro eixo da conversa. Scheid criticou a maneira como determinadas fiscalizações são realizadas e disse que pretende acompanhar de perto a atuação dos órgãos responsáveis caso seja eleito.
Segundo o candidato, existem situações em que servidores cometem abuso de autoridade. Scheid defendeu a regularização de atividades econômicas e criticou ações que considera excessivamente repressivas.
“Você não persegue atividade comercial, você regulariza e fiscaliza”, declarou.
A discussão ambiental chegou à ministra Marina Silva. Depois de ser questionado sobre uma declaração feita durante o debate, Scheid negou desejar a morte da ministra e afirmou que sua crítica era direcionada à atuação dela na pauta amazônica.
“Não é que eu gostaria que a Marina Silva morresse”, respondeu.
Scheid criticou a maneira como Marina aborda a preservação ambiental e defendeu que políticas voltadas à Amazônia também considerem as condições sociais e econômicas da população que vive na região.
Para sustentar a posição, o candidato relatou uma viagem realizada com a família ao baixo Pará cerca de seis anos antes. Scheid disse ter presenciado pobreza e exploração sexual de crianças em comunidades ribeirinhas e usou o episódio para defender maior atenção a problemas sociais da Amazônia.
Na avaliação apresentada por ele, preservação ambiental, infraestrutura, educação, segurança pública e proteção da população precisam fazer parte de uma mesma discussão sobre o desenvolvimento da região.
A chamada nova direita também foi criticada pelo candidato. Scheid afirmou não reconhecer determinadas correntes políticas como representantes da direita que defende e classificou como “permissivos” grupos que, na visão dele, evitam enfrentamentos considerados necessários.
O candidato citou problemas de infraestrutura, saúde, educação e segurança como áreas que exigiriam posições mais firmes por parte de representantes públicos.
No cenário eleitoral de Rondônia, Scheid reafirmou apoio à candidatura de Marcos Rogério ao Governo, mas disse que isso não representa compromisso de apoio incondicional a uma eventual administração.
“Eu tenho dito desde o primeiro dia da minha pré-campanha até agora: eu não faço acordo”, declarou.
Scheid afirmou considerar Marcos Rogério o melhor nome para o Governo e disse que pretende pedir votos ao aliado. Ao mesmo tempo, assegurou que fará cobranças públicas caso discorde de decisões tomadas por ele depois da eleição.
A presença de Fernando Máximo na disputa pelo Senado e o desempenho dos candidatos nas pesquisas também foram abordados. Ao ser questionado sobre sua primeira experiência como postulante a um cargo eletivo, Scheid afirmou estar confortável com a posição ocupada na corrida.
“Eu me sinto confortável porque estou me entregando ao eleitor como sou. Como disse anteriormente, não tem um personagem aqui”, afirmou.
A relação com Jair Bolsonaro percorreu diferentes momentos da entrevista. Scheid contou que já apoiava Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 e que distribuía camisetas e adesivos antes de estabelecer uma relação pessoal com o então candidato.
A aproximação, segundo Scheid, ocorreu depois de um episódio que ele descreveu como sequestro cometido por integrantes da Liga dos Camponeses Pobres, a LCP. O candidato relatou que estava em uma propriedade rural com a esposa quando foi rendido por homens armados.
“Esse é o fato que me levou para a política”, afirmou.
Scheid disse que a repercussão do episódio levou ao primeiro contato com pessoas ligadas a Jair Bolsonaro e que a relação entre os dois se aprofundou nos anos seguintes. Ao descrever a proximidade, afirmou que a amizade foi construída “sobre seriedade” e “muito trabalho”.
Ao falar sobre a prisão e os processos envolvendo o ex-presidente, Scheid rejeitou as acusações feitas contra Bolsonaro e classificou a situação como injusta.
“Primeiro, [há um sentimento] de incapacidade, de saber que aquilo é uma injustiça tremenda. Nunca aconteceu. Tudo que é imputado a ele, aquilo para mim é nulo, não existe”, afirmou.
O candidato relacionou a proximidade com Bolsonaro à própria história familiar. Scheid contou que perdeu o pai ainda criança e foi criado pela mãe depois que a família deixou o Pará e se mudou para Rondônia. Durante a conversa, relatou que atualmente acompanha cuidados pessoais e horários de medicamentos do ex-presidente.
A relação com a mãe também apareceu em um dos trechos pessoais da entrevista. Scheid lembrou uma pergunta recebida em outra ocasião sobre ser um “cuidador de idosos” e disse que se orgulha de cuidar da mulher que o criou.
“Era cuidar da minha mãe. Até hoje ela cuidou de mim quando eu era criança, adolescente, e hoje eu cuido da minha mãe. Tenho um orgulho da porra”, afirmou.
Pouco depois, acrescentou: “Eu vou cuidar dela até o último dia.”
Scheid também relembrou a infância. Nascido em Paragominas, no Pará, ele contou que chegou a Rondônia ainda bebê depois da morte do pai e cresceu em Porto Velho. Ao falar sobre desenvolvimento econômico, criticou a ideia de tratar permanentemente o Estado como uma promessa futura.
“Eu estou cansado dessa frase, Vinícius, de que o Brasil é o país do futuro e de que Rondônia é o próximo celeiro do agro. Por que é sempre no futuro e não no presente?”, questionou.
Na reta final, Scheid explicou como pretende estruturar um eventual gabinete no Senado. O candidato defendeu uma equipe técnica voltada à elaboração de projetos em áreas como regularização fundiária, saúde, tributação e redução do custo da máquina pública.
Para ele, propostas tecnicamente estruturadas teriam melhores condições de avançar nas comissões e conquistar apoio de parlamentares com posições ideológicas diferentes.
Antes do encerramento, Scheid voltou às críticas sobre segurança pública e fiscalização ambiental. O candidato comparou a estrutura destinada ao policiamento com os recursos mobilizados em operações contra produtores e trabalhadores e afirmou que as prioridades do poder público precisam ser revistas.
“O papel do Estado está invertido. Eu tenho um aparato de guerra para tratar trabalhador como criminoso e tenho investimento pífio, quase vergonhoso, em segurança pública para dar à sociedade o que está na Constituição brasileira”, afirmou.
Scheid disse que, se eleito senador, pretende acompanhar e cobrar ações que considerar inadequadas. Na manifestação final, afirmou que sua permanência em Brasília serviu como preparação para a vida pública e destacou que continuará exercendo suas atividades privadas caso não conquiste o mandato.
O RD Entrevista é uma produção realizada nos estúdios do Rondônia Dinâmica em parceria com o Informa Rondônia.


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