O candidato ao Senado Acir Gurgacz (PDT) apresentou-se como um político capaz de transitar entre direita e esquerda, defendeu uma intervenção no modelo de concessão da BR-364 para reduzir o preço do pedágio e terminou a entrevista ao podcast Resenha Política com uma crítica direta à atual representação de Rondônia no Senado. Ao jornalista Robson Oliveira, afirmou manter relação tanto com Lula e Dilma Rousseff quanto com Jair Bolsonaro e disse que a independência política permite dialogar com diferentes governos.
Ao ser provocado sobre uma tentativa de se afastar do rótulo de esquerda durante a campanha, Acir negou esse movimento. Disse ter bom relacionamento com Lula, citou Gleisi Hoffmann como parceira de sua época no Senado e relatou que também manteve diálogo com Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Para o pedetista, a polarização limita a atuação de quem representa um estado no Congresso.
“Eu me dou bem com o Lula, me dou bem com a Dilma. Aliás, gosto muito da Dilma. Com o Temer e com o Bolsonaro.”
Acir foi ainda mais direto ao falar do eleitorado que pretende alcançar:
“E eu quero os votos do Lula, eu quero os voto do Bolsonaro, quero os votos do Temer, quero os voto de todo mundo.”
Outro eixo da entrevista foi a concessão da BR-364. Perguntado por Robson se seria possível acabar com o pedágio já implantado, Acir respondeu negativamente. A posição, porém, veio acompanhada de uma proposta: revisar os efeitos econômicos do contrato, utilizar a arrecadação acima da estimativa originalmente projetada e criar mecanismos que reduzam efetivamente o custo para quem utiliza a rodovia. Segundo ele, o problema não termina nas cancelas porque o valor cobrado é incorporado aos fretes, às passagens e, por consequência, aos preços pagos pelo consumidor.
“É o cidadão comum que paga a conta, sempre.”
Acir afirmou que chegou a discutir com órgãos federais um modelo de desconto progressivo de acordo com o número de passagens pelas praças de pedágio. A alternativa apresentada inicialmente, segundo relatou, alcançaria apenas automóveis. Ele disse ter rejeitado a fórmula por excluir justamente caminhões e ônibus, veículos que, na avaliação dele, exercem maior impacto sobre a economia de Rondônia. Sua proposta é recalcular os percentuais e incluir todas as categorias.
“É simples, refaça a conta, diminui o percentual do desconto, mas aplica o desconto para todos. Automóvel, caminhão e ônibus.”
O candidato também defendeu outra frente para atacar simultaneamente dois problemas históricos da BR-364: o valor do pedágio e a falta de duplicação. Acir propõe que o governo federal, inclusive com recursos orçamentários e emendas de bancada, execute trechos da duplicação por meio do poder público. A cada investimento realizado, segundo ele, a planilha de custos da concessionária deveria ser refeita, reduzindo a parcela da obra que permanece embutida na tarifa paga pelo usuário.
“A minha proposta é colocar dinheiro do governo para executar essa obra e refazer a planilha de custo que a empresa está cobrando o pedágio.”
Acir sustentou que existe previsão no próprio contrato permitindo a execução de melhorias pelo governo federal. Segundo ele, o projeto executivo para a duplicação entre Candeias do Jamari e Pimenta Bueno já permite avançar nesse modelo. Sua ideia é que o poder público faça a obra diretamente, e não entregue simplesmente o recurso à concessionária, enquanto o investimento realizado seja considerado na revisão das tarifas.
A questão ambiental também entrou na discussão. Acir apontou sua participação na reforma do Código Florestal como uma das principais realizações de sua passagem pelo Senado e defendeu uma nova revisão da legislação. Entre os problemas que pretende enfrentar, citou famílias que estão há duas ou três gerações em áreas atingidas posteriormente por restrições ambientais. Para esses casos, propôs mecanismos de compensação, com preservação de outra área em substituição, evitando a retirada de quem já produz no local há décadas.
“Não vamos tirar o sujeito que tá com a sua família, como você diz, na terceira geração, tá ali produzindo.”
Mas foi no fim da conversa que Acir deixou a declaração politicamente mais incisiva. Robson perguntou, de maneira direta, se Rondônia tem hoje bons senadores. O candidato respondeu apenas: “Não.”
Na sequência, Acir apresentou sua justificativa. Disse que a atual representação não enfrentou adequadamente a concessão da BR-364, não resolveu entraves ambientais considerados por ele fundamentais ao desenvolvimento do estado, não avançou na industrialização e não utilizou da melhor maneira as emendas coletivas da bancada.
“Não cuidaram, por exemplo, do pedágio da 364. Não resolveram as questões ambientais, que são um ponto crucial no desenvolvimento do estado de Rondônia.”
Além desses temas, Acir também falou sobre sua passagem pelo Senado, a revisão do Código Florestal, investimentos em saúde e obras estruturantes para Rondônia.
Assista à entrevista na íntegra:


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