PORTO VELHO, RO - Na 17ª edição do RD Entrevista, o jornalista Vinícius Canova recebe Sílvia Cristina, jornalista, radialista, professora, ex-vereadora de Ji-Paraná, deputada federal e atual pré-candidata ao Senado pelo Progressistas. Durante a conversa, a parlamentar aborda atribuições da Casa, impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, identidade ideológica, sucessão presidencial, alianças para 2026, ataques nas redes sociais, entregas dos mandatos e os motivos que a fizeram trocar uma candidatura à Câmara por uma disputa majoritária.
Ao ser questionada sobre a possibilidade de analisar pedidos de impeachment contra ministros do STF, Sílvia afirmou estar preparada para enfrentar o tema. A deputada associou a atuação no Senado à coragem, à habilidade política e à ausência de pendências capazes de limitar a independência do parlamentar.
“Superpreparada. Até porque tem muita gente, Vini, que está dizendo que vai caçar, que vai impeachar ministro, mas tem uma ficha suja quilômetro. Quem pode fazer isso, além de estar preparado, de ter coragem e habilidade política, é especialmente quem tem ficha limpa. Então, isso eu tenho”, declarou.
Sílvia recordou que assinou manifestações relacionadas à abertura de comissões parlamentares de inquérito durante o mandato na Câmara. Ressaltou, porém, que determinadas providências dependem diretamente do Senado. Ao mencionar a tentativa de criação da chamada CPI da Lava Toga, afirmou que senadores retiraram assinaturas quando o procedimento estava pronto para avançar.
Na avaliação apresentada, candidatos não deveriam transformar pautas sensíveis em promessas eleitorais sem condições políticas ou pessoais de sustentá-las. “Tem alguns que não têm serviço nenhum e estão levantando uma bandeira que sabem que, lá na frente, não vão conseguir levar adiante. É ruim enganar o eleitor. Tem que falar a verdade”, disse.
As mudanças partidárias da parlamentar também foram discutidas. Sílvia iniciou a trajetória no PDT, passou pelo PL e atualmente está filiada ao Progressistas. Ela declarou que amadureceu politicamente, afirmou ter ideias voltadas à direita e revelou que chegou a responder a um processo disciplinar dentro do PDT por defender posições desse campo.
“Eu já tinha ideais voltados mais para a direita. Mas a Sílvia não é radical. Mesmo que alguém não convirja com as minhas ideias e pense completamente diferente de mim, eu vou saber respeitar as pessoas”, afirmou. Segundo a deputada, o alinhamento partidário não deve ser usado para restringir o atendimento à população nem para diferenciar eleitores.
A parlamentar disse que não deixaria de atender pessoas identificadas com a esquerda pelo fato de integrar uma legenda de direita. “Nós temos quatro unidades hospitalares. Eu vou deixá-las de atender porque a pessoa é de esquerda e eu sou de direita? Não. Eu faço um trabalho para que todas sejam respeitadas. Não foram apenas as mais de 60 mil pessoas que me elegeram que eu tenho que atender. Eu tenho que fazer um mandato para todos”, declarou.
Ao comparar os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, Sílvia os classificou como politicamente muito diferentes. Disse que Rondônia e o setor rural receberam atenção durante a gestão anterior, mas sustentou que a oposição não deve impedir medidas consideradas favoráveis ao estado.
“A gente não pode, só porque está na oposição, fechar os olhos para aquilo que depende também do nosso aval para que Rondônia e o Brasil continuem crescendo. Nós temos que lidar com as nossas divergências políticas, mas não prejudicar quem está lá na ponta”, afirmou.
Questionada sobre a eleição presidencial de 2026, Sílvia mencionou Lula, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos, da Missão, e Flávio Bolsonaro entre os nomes colocados no debate. A deputada declarou preferência por Flávio, embora tenha ponderado que o Progressistas ainda aguardava uma definição nacional. “Eu ainda prefiro o Flávio, mas vamos ver como o partido vai se posicionar. O partido, nacionalmente, ainda não se posicionou”, disse.
A decisão de disputar o Senado foi apresentada como resultado de uma construção coletiva. Sílvia afirmou que poderia buscar a reeleição para deputada federal em uma campanha considerada mais segura, mas decidiu colocar o nome à disposição para uma função de maior alcance. Também argumentou que a mudança não teria motivação salarial, porque os vencimentos dos dois cargos seriam equivalentes.
“Se eu fosse olhar só para mim, financeiramente, o que um deputado federal ganha o senador também ganha. Então, já dá para provar que não é por questão salarial. A gente quer trabalhar mais, quer fazer mais”, declarou.
A parlamentar rejeitou a ideia de que a pré-candidatura tenha surgido de um projeto familiar ou exclusivamente pessoal. Segundo ela, apoiadores, lideranças e pessoas atendidas pelo mandato passaram a defender sua participação na disputa. O lançamento realizado no Clube Vera Cruz, em Ji-Paraná, foi citado como demonstração pública desse movimento.
“Essa pré-candidatura não surgiu de um desejo individual da Sílvia, de um projeto familiar ou de um projeto apenas de poder. Ela surgiu no coração do povo rondoniense, de quem acredita que a Sílvia pode fazer mais se estiver no Senado”, afirmou.
Perguntada sobre informações de que o deputado federal Maurício Carvalho tentaria limitar seu espaço político, Sílvia classificou o período como marcado por especulações e disse que seu projeto já vinha sendo construído antes das movimentações mais recentes.
As relações com os pré-candidatos ao Governo de Rondônia também entraram na pauta. Adailton Fúria esteve no lançamento de Sílvia em Ji-Paraná, enquanto Hildon Chaves, escolhido pela federação partidária da deputada, chegou posteriormente ao evento. Ela negou que o episódio represente rompimento ou falta de apoio ao nome da própria aliança.
Sílvia explicou que o evento era aberto, que mantém amizade com Fúria e que Hildon havia sido convidado. “É claro que estamos em palanques separados, mas a gente não pode deixar de ser agradável com as pessoas e entender que a política passa e os amigos ficam. O doutor Hildon é o nosso pré-candidato ao Governo de Rondônia pela federação, e isso está muito tranquilo”, declarou.
A pré-candidata apontou a desinformação como uma das principais preocupações da disputa. Disse estar recebendo ataques e afirmou que sua equipe jurídica acompanha publicações relacionadas ao mandato e à campanha.
“Para mim, o maior problema dessa eleição serão as fake news. Elas podem mudar um curso e prejudicar muito as eleições lá na frente”, afirmou. Em outro momento, acrescentou que teria sido atingida por mentiras, discriminação e preconceito. “Nada na minha vida foi fácil. Sempre foi com muita guerra, muito trabalho e muito esforço, mas também não pode ser golpe abaixo do umbigo”, declarou.
Ao tratar do desempenho parlamentar, Sílvia informou ter destinado mais de R$ 514 milhões a Rondônia durante os dois mandatos. Disse que a saúde recebeu recursos acima do percentual obrigatório e citou unidades hospitalares, centros de prevenção e diagnóstico de câncer, serviços nos 52 municípios e acompanhamento da execução das emendas.
A relação com a saúde está ligada à história pessoal da deputada. Sílvia relembrou que enfrentou câncer de mama aos 32 anos, passou por cirurgia e permaneceu dez anos sem se olhar no espelho. Depois do tratamento, participou da criação de um grupo de apoio a pacientes e trabalhou voluntariamente durante 15 anos em ações relacionadas ao atual Hospital de Amor.
A trajetória política começou em Ji-Paraná. Sílvia afirmou que resistiu aos primeiros convites, disputou a eleição com apoio de amigos, tornou-se vereadora, perdeu posteriormente uma eleição para deputada estadual, conquistou novo mandato municipal e chegou à Câmara dos Deputados em 2018, sendo reeleita em 2022.
Reconhecida como “madrinha das Apaes”, a parlamentar falou sobre visitas às unidades, recursos de custeio, entrega de veículos e cursos realizados por meio de parcerias. Também explicou que escolheu para a suplência nomes ligados à agricultura e à segurança pública, com a intenção de ampliar a atuação do eventual mandato no Senado.
Na reta final, a violência contra a mulher foi abordada. Sílvia defendeu o funcionamento adequado das delegacias especializadas, mais delegadas, casas de acolhimento, oportunidades de emprego e uma rede capaz de proteger mulheres que permanecem com agressores por dependência econômica ou por não terem onde ficar com os filhos.
A deputada afirmou que leis foram aperfeiçoadas, mas ainda existem medidas pendentes de regulamentação. Segundo ela, o enfrentamento à violência doméstica será uma das bandeiras levadas ao Senado caso a candidatura seja confirmada e tenha êxito nas urnas.
RD Entrevista é uma produção dos estúdios Rondônia Dinâmica em parceria com Informa Rondônia.


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