Novo rompimento de lago ameaça operações de resgate no Nepal; mortos vão a 543
O incidente elevou o risco de novas enxurradas na região do Himalaia e levou à suspensão temporária das operações
As autoridades do Nepal ordenaram nesta sexta-feira (28) que as equipes de resgate que procuram sobreviventes das inundações fatais se protejam, após o rompimento, no Tibete, de um lago formado pelo recente deslizamento, aumentando o risco de novas enxurradas.
O incidente elevou o risco de novas enxurradas na região do Himalaia e levou à suspensão temporária das operações. As buscas foram retomadas depois que o risco foi considerado controlável. No Nepal, o Exército informou que o nível da água subiu cerca de 60 centímetros após o alerta. Do lado chinês, equipes de resgate também haviam sido retirados para uma área segura.
O desastre matou ao menos 543 pessoas na região do Himalaia, de acordo com balanços ainda preliminares. Do total de mortos, 538 foram registrados no Nepal, segundo balanço da polícia divulgado na manhã desta sexta, e 5 do lado chinês, de acordo com a imprensa estatal.
As informações sobre as vítimas não são centralizadas em uma única fonte e são divulgadas de forma separada pelas autoridades e pela imprensa dos dois lados da fronteira. Mais de 1.400 pessoas estão desaparecidas.
Uma massa de água e lama semelhante a um tsunami avançou sobre a região na quarta-feira (16), soterrando casas, derrubando pontes e arrastando veículos. O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o desastre foi causado pelo colapso de uma geleira, que desencadeou uma enorme corrente de rochas, gelo, lama e detritos que avançou pelos rios da região.
A enchente destruiu vilarejos, estradas, pontes e usinas de energia em uma rota que liga Katmandu, capital do Nepal, a Lhasa, no Tibete. Mais de 90 mil pessoas foram afetadas, segundo estimativa da Cruz Vermelha, e caminhões com ajuda humanitária ficaram impedidos de chegar às áreas atingidas.
A água ficou represada e formou lagos, nos dois lados da fronteira, que correm o risco de romper e transbordar. Um deles cedeu na manhã desta sexta no Tibete, colocando em risco as equipes que fazem buscas na região. Por isso, a polícia nepalesa pediu a todos os socorristas que buscassem locais seguros.
Mais tarde, a mídia estatal chinesa afirmou que o risco de inundações associado a um lago formado após o desabamento de uma geleira estava sob controle. Com isso, as operações de resgate, que haviam sido suspensas, puderam ser retomadas.
A Reuters conseguiu identificar a localização do lago, que fica na fronteira entre os dois países e acima da passagem de fronteira de Gyirong. A enchente repentina destruiu o porto, arrastando pessoas e veículos. Segundo a imprensa estatal, 558 pessoas estavam desaparecidas na região, incluindo 260 estrangeiros.
Uma equipe chinesa de oito engenheiros enviada para monitorar o lago. Na quinta-feira, a China alertou que 3 milhões de metros cúbicos de água -o equivalente a cerca de 1.200 piscinas olímpicas- deveriam chegar ao lago, ainda represado, nos três dias seguintes. Isso criava um alto risco de rompimento, com o pico da vazão previsto para 1º de setembro.
Relógio e calendários
As chinesas autoridades determinaram ainda nesta sexta o reforço das operações de busca e resgate e pediu maior monitoramento de lagos glaciais, riscos de deslizamentos e lagos represados.
O Nepal está monitorando dois lagos acima da área atingida pela inundação. Um deles começou a transbordar nesta sexta-feira, segundo Autoridade de Gestão de Desastres do Nepal.
Os riscos de inundação permanecerão até que os dois lagos tenham escoado completamente, de acordo com o órgão. As autoridades nepalesas usam imagens de satélite para acompanhar as condições, embora o monitoramento seja limitado.
O país planeja instalar câmeras e sensores a jusante, inclusive perto da cidade fronteiriça de Timure, e está avaliando opções para transportar os equipamentos de helicóptero, afirmou.
No Nepal, equipes de resgate usaram helicópteros para procurar sobreviventes e levar suprimentos a áreas isoladas. Serviços de emergência também recuperaram dezenas de corpos arrastados pela água. As equipes continuam correndo contra o tempo para localizar sobreviventes nas áreas devastadas, onde alimentos e água potável começam a ficar escassos.
O líder chinês, Xi Jinping, presidiu uma reunião de altos dirigentes sobre as operações de resgate e ofereceu ajuda ao país vizinho.
Apesar das ofertas de ajuda internacional, o Nepal afirmou que não precisa de equipes estrangeiras para as operações de busca e resgate. Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh pediram autorização para enviar equipes, segundo o Kathmandu Post.
Na Índia, as autoridades informaram ter recuperado sete corpos de rios que nascem no Nepal. Acredita-se que sejam vítimas das inundações.


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