O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que as novas medidas econômicas dos Estados Unidos contra o país equivalem a "terrorismo de Estado" em um comunicado nesta sexta-feira (28).
Classificando as sanções impostas como "ilegais e repreensíveis", a chancelaria iraniana cobra que a comunidade internacional, incluindo os órgãos da ONU, se posicionem contra o governo de Donald Trump para "defender o Estado de Direito".
Ainda segundo o comunicado, Teerã está determinada a usar todas as suas capacidades para defender o país contra um "ataque militar e econômico combinado dos EUA e de Israel".
"A guerra econômica dos EUA é uma "ferramenta impiedosa" projetada para infligir dor e sofrimento à população do Irã. As sanções colocam em sério risco a saúde e os meios de subsistência de milhões de civis", diz a mensagem.
O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi — Foto: REUTERS/Mohammed Salem
Temor nas ruas do Irã
Na terça-feira (25), com o temor do impacto das sanções anunciadas pelos Estados Unidos, que prometem "asfixiar" economicamente o país, longas filas se formaram nos postos de gasolina de Teerã diante do medo de uma nova disparada dos preços.
Imagens da AFP registraram longas filas de carros em postos de gasolina na capital. O chefe de gabinete do presidente iraniano, Mohsen Haji-Mirzaei, afirmou que o governo vai rever as cotas de combustível.
"O que é certo é que as cotas serão reduzidas sem alterar o preço, mas quem quiser comprar mais gasolina da cota terá um preço mais alto", disse à TV estatal.
Iranianos fazem filas em postos de combustíveis do Irã em 25 de agosto de 2026 — Foto: AFP
Apesar de o governo iraniano tentar minimizar os efeitos das novas sanções, argumentando que o país convive com restrições econômicas há décadas, nas ruas o clima era de preocupação.
Um corretor de imóveis que falou à agência disse que as restrições já estão surtindo efeito, embora a população iraniana seja "resiliente":
"É lógico que as sanções afetem a vida das pessoas. Há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos".
A guerra econômica dos EUA
O Irã já enfrentava uma inflação elevada antes mesmo do início da guerra. A crise econômica foi um dos fatores que impulsionaram uma onda de protestos contra o governo, que atingiu o auge em janeiro.
As medidas impostas pelo governo Trump esta semana são mais um capítulo da pressão dos EUA sobre o Irã. Quase seis meses após o início da guerra, as negociações de paz continuam paralisadas e não há perspectiva de fim para o conflito.
Enquanto isso, o Irã mantém fechado o estratégico Estreito de Ormuz, e os Estados Unidos sustentam um bloqueio naval contra a República Islâmica.
Na segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, apresentou um plano para aumentar a pressão sobre o Irã e prometeu promover uma "asfixia econômica" do país. Ele também ameaçou impor consequências a países que se recusarem a aderir à campanha americana.
O governo iraniano respondeu em tom de desafio. O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que o país vinha se preparando havia muito tempo para novas sanções. Segundo ele, os Estados Unidos "fracassaram em todas as ocasiões" e parecem querer sofrer "uma nova derrota".


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