A denominação de “Corredor da Morte”, como o RONDÔNIA DINÂMICA vem tratando há décadas a BR-364, no trecho que liga Porto Velho a Vilhena, com cerca de 700 quilômetros, é antiga, mas continua atual. Mesmo com a Nova 364 assumindo a administração do trecho, após o consórcio 4UM/Opportunity - BR-364/RO, formado pela empresa 4UM Investimentos e pelo banco Opportunity, vencer a licitação, o número de acidentes continua elevado no trecho, inclusive os fatais.
Praticamente todos os dias ocorrem acidentes no trecho, que tem enorme movimento, situação que se agrava em períodos de safra, quando cerca de 2,5 mil veículos pesados se deslocam para Porto Velho trazendo grãos (soja, milho e café), não somente produzidos no Estado, mas também em boa parte do Mato Grosso, além da exportação de carne bovina via Rio Madeira. Estamos citando veículos de carga; não estão computados os veículos de passeio e motocicletas.
Outro agravante que reflete não somente na enorme movimentação de uma rodovia que precisa de duplicação urgente, não apenas de um pequeno trecho (segundo o contrato de concessão, de 130 km), é que a concessão é de 30 anos. Ou seja, a concessionária não tem a obrigação de duplicar mais do que foi contratado antes do prazo previsto.
Na época da licitação, os políticos, principalmente da área federal (senadores e deputados), não somente de Rondônia, mas também do Acre e do Amazonas, estados que têm interesses diretos em uma rodovia funcional, que atenda às mínimas necessidades sociais e econômicas da região, manifestaram-se cabalmente. Manaus, por exemplo, tem na BR-319 (cerca de 900 km de Porto Velho) a única ligação rodoviária da capital amazonense com os demais estados do País e também depende da BR-364.
Em julho de 2025, a Rota 364 assumiu a responsabilidade de administrar o trecho da BR-364 de Porto Velho a Vilhena, e pouco se fez de positivo, algo que viesse a reduzir o elevado índice de acidentes, com a rodovia apresentando melhores condições de tráfego. Foram feitas algumas “obras” de maquiagem, como roçar o mato de boa parte do acostamento, tapa-buracos em pontos mais críticos, dentre outras ações sem maior abrangência.
A sinalização não é das melhores, as terceiras pistas permanecem as que já existiam e a duplicação (130 km) é somente a de Porto Velho a Candeias do Jamari, realizada na passagem do ex-deputado federal Miguel de Souza pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). O trecho duplicado está em ótimas condições, mesmo com o enorme movimento nas safras de grãos, porque o recapeamento mais recente, feito há alguns anos, foi realizado pelo Departamento de Engenharia do Exército, e não por empreiteiras.
Praticamente um ano depois de a Nova 364 ter assumido a administração do trecho da rodovia Porto Velho-Vilhena, de positivo, mesmo, há somente a cobrança de pedágio iniciada em janeiro, de maneira eletrônica, com as tarifas mais elevadas do País. Os acidentes continuam praticamente todos os dias, a maioria com vítimas fatais. No trecho de menos de 400 km entre Porto Velho e Ji-Paraná, além de inúmeras carretas, bitrens e treminhões que voltam vazios, com carrocerias batendo, impedindo ultrapassagens seguras, os acidentes são favorecidos. Não se consegue percorrer o trecho em menos de seis horas e meia.
Como praticamente nada mudou em termos de segurança e melhorias na BR-364, os políticos (parte deles) resolveram cobrar do Governo Federal que a Rota 364 cumpra o contratado. Inclusive, tramita pedido de CPI na Assembleia Legislativa, a pedido do deputado Jesuíno Boabaid (PSD-PVH). A Câmara de Vereadores de Cacoal entrou com representação no Tribunal de Contas da União (TCU), questionando o modelo do pedágio.
Mas é preciso muito mais, inclusive mobilização da Associação Rondoniense dos Municípios (Arom), agora com nova diretoria presidida pelo prefeito de Nova Mamoré, Marcélio Rodrigues (Brasileiro), além das bancadas federais de Rondônia, Acre e Amazonas. Também de entidades representativas do comércio, da agricultura, sindicais etc.
O trecho precisa de duplicação já. Não podemos esperar pela vigência da concessão, de 30 anos, para ter pouco mais de 130 dos 700 km do trecho duplicados. Se hoje temos cerca de 2,5 mil veículos pesados por dia circulando no trecho, imagine-se como será daqui a cinco anos, por exemplo.
Nossos políticos, principalmente os do Congresso Nacional, do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, prefeitos e vereadores, devem somar forças e exigir que o trecho seja duplicado e readequado em todo o seu percurso, não somente em 130 km. Além disso, é preciso somar forças para que a ferrovia Brasil-Peru, que passará por Rondônia, possa amenizar a situação rodoviária caótica do Estado.
Por que não o Batalhão de Engenharia, o 5º BEC, trabalhar no trecho, como fez na ligação Porto Velho-Candeias do Jamari?



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