PORTO VELHO, RO - O deputado estadual Cirone Deiró, pré-candidato a vice-governador na chapa do ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves, afirmou durante entrevista ao podcast RD Entrevista, apresentado por Vinícius Canova, no Rondônia Dinâmica, em parceria com o Informa Rondônia, que a concessão da BR-364 foi conduzida sem o debate público necessário e que parte da reação política ao pedágio ocorreu tarde demais, quando o contrato já estava assinado.
Ao tratar do tema, Cirone disse que acompanha a discussão desde 2021 e relatou ter cobrado, ainda na Assembleia Legislativa, maior participação da bancada federal e dos setores diretamente afetados. Segundo ele, a cobrança atual deveria ter ocorrido antes da conclusão do processo.
“Depois de privatizada, contrato batido com direitos jurídicos garantidos, vêm pessoas da bancada federal fazer audiências. Depois que o contrato está assinado, por que não interpelou isso antes? Por que não levava isso lá na Assembleia, falava que não teve, suspendia esse leilão e conversava com a sociedade?”, declarou o deputado.
Cirone afirmou que o pedágio impactou diretamente o custo de vida em Rondônia. Segundo ele, o valor do frete subiu de forma significativa, pressionado também pelo aumento dos combustíveis. O deputado defendeu que o Estado atue para demonstrar que os estudos usados na concessão foram feitos durante a pandemia, quando o fluxo na rodovia era menor.
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“O grande dilema do pedágio da BR-364 é o que elevou o nosso custo de vida aqui dos rondonienses. O frete aumentou mais de 30%, com aumento do combustível e do pedágio”, afirmou.
Na entrevista, o parlamentar disse não ser contra a cobrança em si, desde que ela venha acompanhada de investimentos. Ele defendeu duplicação, terceiras faixas, melhorias em pontes e anéis viários nas cidades. Ao mesmo tempo, apresentou uma alternativa que disse já ter discutido com Hildon Chaves: a construção de uma rota paralela à BR-364 dentro do Estado.
“Não somos contra o pedágio. Nós queremos, sim, investimentos, que seja duplicada essa BR-364, que sejam feitas terceiras faixas, que sejam feitas melhorias nas pontes e anéis viários nas cidades, porque as pessoas de Rondônia estão morrendo na BR-364, famílias estão sendo dizimadas por causa da BR-364”, disse Cirone.
A proposta de uma rodovia paralela foi apresentada como uma forma de reduzir o fluxo na BR-364 e oferecer alternativa aos produtores e motoristas. Cirone afirmou que já existem trechos abertos, mas ainda em terra, e que seria necessário interligar os municípios.
“Nós podemos fazer uma rodovia paralela à BR-364 dentro do Estado de Rondônia, atendendo caminhões, carros pequenos e o setor produtivo, fazendo uma via paralela ligando Cabixi a Porto Velho sem passar pela BR-364”, afirmou.
Outro ponto forte da entrevista foi a saúde pública. Questionado sobre promessas recorrentes de governos anteriores para resolver os problemas do João Paulo II, Cirone disse que Hildon Chaves assumiu um compromisso específico: construir o novo hospital em dois anos e meio, caso seja eleito.
“O primeiro compromisso do Hildon não é muito de fazer promessa. Ele é um cara muito cauteloso em relação a promessa, mas eu quero dizer para você que está nos assistindo: um compromisso que ele fez é entrar na administração e, em dois anos e meio, fazer o novo João Paulo. O novo João Paulo é um compromisso dele, está aqui gravado para vocês, e eu vou estar ao lado dele cobrando para esse compromisso ser cumprido”, declarou.
Cirone também defendeu que a saúde estadual passe por um diagnóstico amplo antes da definição de investimentos. Ele disse que é preciso entender por que pacientes de municípios distantes precisam se deslocar para Porto Velho, mesmo existindo estruturas regionais em Cacoal e Vilhena.
“Vamos entender essa saúde do Estado de Rondônia, ver se é realmente necessária a pessoa sair de Pimenteiras e vir para Porto Velho, sendo que nós temos a macro 2, em Cacoal. Por que essa pessoa não foi em Cacoal? Por que essa pessoa não ficou no setor regional que agora está sendo administrado pelo Estado lá na cidade de Vilhena?”, questionou.
Ao explicar por que aceitou compor a chapa de Hildon Chaves, Cirone disse que recebeu o convite com felicidade, mas também com apreensão. Segundo ele, já organizava sua pré-candidatura à reeleição como deputado estadual, com base formada e lideranças alinhadas. A entrada na disputa majoritária exigiu uma reorganização do grupo.
“Quando eu recebi o convite, fiquei feliz, mas ao mesmo tempo também apreensivo, porque nós estávamos conduzindo a nossa pré-candidatura à reeleição como deputado estadual, base pronta, com as pessoas realmente já sabendo que nós teríamos pré-candidato a deputado estadual”, afirmou.
Para manter o trabalho político ligado às associações, vereadores e entidades atendidas pelo mandato, Cirone disse ter conversado com a esposa, Noeli Deiró, para que ela assumisse a pré-candidatura a deputada estadual. Segundo ele, ela já atuava no gabinete, conhecia as ações e tinha relação com o grupo.
“Eu falei para ela da necessidade de nós mantermos esse trabalho com as associações, a parceria com nossos vereadores, e queria que ela me substituísse na pré-candidatura. Ela já trabalha conosco no gabinete, conhece as ações, só que nunca tinha colocado o nome à disposição, e ela aceitou o desafio”, disse.
O deputado negou que tenha perdido lideranças após a mudança de rota. Ele afirmou que vereadores e aliados permaneceram no grupo justamente pela conexão prévia com sua esposa e com o trabalho desenvolvido pelo mandato.
“Eu não perdi nenhuma liderança de vereadores, nenhuma liderança nossa. Mantém junto no grupo, porque eles já tinham essa conexão com o nosso grupo”, declarou.
Durante a entrevista, Cirone também foi questionado sobre a força política de Adailton Fúria em Cacoal, cidade onde o ex-prefeito foi reeleito com votação expressiva e aparece como adversário no cenário estadual. O deputado afirmou que também participou da base política que sustentou aquele resultado e destacou sua própria presença na região.
“Ele foi reeleito com 85% e nós também estávamos compondo essa parceria lá na cidade de Cacoal. Então aquelas pessoas que gostam do nosso trabalho também estavam juntas. Tanto é que lá em Cacoal são 12 vereadores e, dos 12, da minha base ele elegeu cinco”, disse.
Cirone afirmou ainda que conhece os 52 municípios de Rondônia e mais de 70 distritos. Para ele, o papel de vice, na chapa de Hildon, seria justamente aproximar um eventual governo do interior.
“Acredito numa política que não tem lugar longe quando você quer estar perto, olhando no olho das pessoas, perto no chão, conhecendo as particularidades e as peculiaridades de cada município”, afirmou.
O parlamentar também falou sobre a ex-prefeita Glaucione Rodrigues, com quem foi eleito vice-prefeito em Cacoal. Questionado sobre a operação que atingiu a então gestora em 2020, quando Cirone já estava na Assembleia Legislativa, ele disse ter recebido a notícia com tristeza e ressaltou o trabalho administrativo realizado anteriormente no município.
“Quando aconteceu o fato em 2020, eu recebi com bastante tristeza, primeiro pelo trabalho que a Glaucione fez na cidade de Cacoal. Nós pegamos a cidade de Cacoal, e eu sou testemunha disso porque estava dentro da administração, em condições muito ruins”, afirmou.
Cirone disse que a gestão anterior havia deixado obras e recursos encaminhados, e que o episódio prejudicou a tentativa de reeleição de Glaucione. Segundo ele, pesquisas indicavam ampla vantagem antes do fato.
“Foi um momento de tristeza pelo trabalho que ela fez. Eu me lembro da dedicação, sempre muito firme, trabalhando aos domingos, e realmente resgatou a cidade”, declarou.
Ao falar sobre a Assembleia Legislativa de Rondônia, Cirone afirmou que, nos dois mandatos dos quais participou, encontrou um Parlamento mais maduro. Questionado se presenciou alguma situação irregular, respondeu que não.
“Não, nunca presenciei. Eu levo um mandato com bastante seriedade. A gente procura não entrar em polêmica, em bola dividida. Acho que essas propostas não chegam nem perto, é a maneira de conduzir o mandato”, disse.
O deputado também defendeu uma postura menos ideológica na política estadual. Segundo ele, Rondônia precisa priorizar entregas concretas e evitar a reprodução de conflitos nacionais que, na avaliação dele, não correspondem à realidade local.
“Essas polarizações não levam nós a nada. Eu acho que vale mesmo é a entrega, é o carinho e o amor que você tem pela população”, afirmou.
Cirone atribuiu o crescimento de sua votação em 2022 ao trabalho com associações, especialmente no setor produtivo e na agricultura familiar. Ele citou a entrega de implementos, máquinas para café e equipamentos para produtores como fatores que ampliaram sua base eleitoral no Estado.
“Quando eu resolvi trabalhar pelo setor produtivo, fui atrás de ver as necessidades nas associações. Cheguei em diversas associações desarmadas, sem documentação, com pessoas desmotivadas e desacreditadas, porque várias pessoas já tinham passado e prometido ajudar, mas esses benefícios não chegavam”, disse.
No encerramento, Cirone afirmou que sua trajetória pública foi construída com base no trabalho. Ele citou a infância na marcenaria do pai, a atuação empresarial, a passagem pela vice-prefeitura de Cacoal e os dois mandatos como deputado estadual.



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