A tão aguardada restauração da antiga Estação Ferroviária da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), um dos maiores patrimônios históricos e culturais de Guajará-Mirim, já começou a sair do papel. A obra, que vinha sendo aguardada pela população há décadas, teve início neste mês de maio, antecipando a previsão inicialmente divulgada para agosto de 2026.
O prédio histórico, inaugurado em 1912 e tombado como patrimônio histórico, atualmente abriga o Museu Municipal e representa um dos principais símbolos da memória ferroviária da Pérola do Mamoré e da própria ocupação da Amazônia Ocidental.
Em 2025, durante contato mantido pelo Jornal Guajará Notícias com técnicos da Jirau Energia, havia sido informado que os serviços teriam início apenas no segundo semestre de 2026. No entanto, para surpresa positiva da comunidade local, os trabalhos preparatórios já começaram no local, reacendendo a esperança de preservação definitiva de um dos mais importantes cartões-postais do município.
O projeto de restauração foi apresentado anteriormente durante evento que reuniu representantes de diversas instituições e autoridades políticas, entre elas o presidente da Câmara Municipal, vereador Eliel Silvino, a deputada estadual Dra. Taíssa Sousa (PL), o prefeito Fábio Garcia de Oliveira “Netinho”, o vice-prefeito Ricardo Lira Maia, além de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Ibama, Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Jirau Energia e demais segmentos ligados à preservação cultural e ambiental.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido por Juliana Silva e Veríssimo Neto, representantes da Jirau Energia, juntamente com o arquiteto guajaramirense Lourenzo Villar, responsável técnico pela execução da obra. A proposta prevê a recuperação integral da estrutura ferroviária e de seu entorno, respeitando rigorosamente as características arquitetônicas originais do prédio centenário.
Entre as principais intervenções previstas no projeto estão a recuperação estrutural completa da estação, restauração de duas locomotivas históricas, resgate de peças dispersas do acervo da EFMM, revitalização da área externa com novo paisagismo e espaços de convivência, além da implantação de elevador e escada metálica para garantir acessibilidade ao público.
Também fazem parte do projeto a modernização museológica e museográfica do espaço, criação de ambientes interativos, reforma da histórica caixa d’água e construção de um anfiteatro voltado para atividades culturais, educacionais e turísticas.
Segundo informações apresentadas anteriormente pelos responsáveis técnicos, todo o investimento será custeado integralmente pela iniciativa privada, através da Jirau Energia, como parte das medidas compensatórias ambientais, sem utilização de recursos financeiros da Prefeitura de Guajará-Mirim ou do Governo de Rondônia.
A requalificação da antiga estação ferroviária representa um marco histórico para Guajará-Mirim e fortalece o compromisso com a preservação da memória da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, considerada uma das maiores obras de engenharia da Amazônia. Além da valorização cultural, a expectativa é que o projeto impulsione o turismo histórico, fomente a economia local e amplie as ações de educação patrimonial no município.



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