PORTO VELHO, RO - A nova manifestação pública de Adaílton Fúria ocorre em meio a um histórico de distanciamento político entre ele e o atual prefeito de Cacoal, Tony Pablo. Fúria, filiado ao PSD, renunciou ao cargo de prefeito para disputar as eleições ao Governo de Rondônia em 2026, ocasião em que Tony Pablo assumiu a chefia do Executivo municipal. Desde então, passaram a ser registrados posicionamentos críticos por parte do atual gestor em relação à condução administrativa anterior. A postura tem sido interpretada por analistas políticos como um movimento de enfrentamento político, com potencial de repercussão indireta sobre a pré-candidatura de Fúria ao Palácio Rio Madeira. O episódio mais recente dessa sequência de manifestações públicas se consolidou com a troca de declarações envolvendo a situação fiscal do município, considerada mais um capítulo de uma ruptura iniciada logo após a saída de Fúria do cargo.
A controvérsia teve início após o prefeito Tony Pablo afirmar que o município de Cacoal havia sido inscrito em cadastro de inadimplentes por falta de pagamento de precatório federal até 31 de dezembro de 2025, o que teria impedido o recebimento de recursos da União. Em resposta, Adaílton Fúria apresentou uma série de informações sobre a execução orçamentária e o pagamento de dívidas judiciais, com base em dados fornecidos por integrantes da administração municipal.
Segundo ele, ao buscar esclarecimentos junto à Secretaria de Fazenda, foi informado pela secretária Carolina Lenzi que o município realizou pagamentos expressivos de precatórios no exercício anterior. “Ela falou assim, olha meu prefeito, eu tô muito surpreso com essa fala, até porque só no ano passado, o senhor pagou, até o dia 28 de dezembro, o senhor pagou 4 milhões 4 milhões e 300 mil de precatório isso paga o picadinho viu dívidas deixadas aos servidores públicos que conquistaram na justiça direitos que não foram dados a eles a época do padre franco da época da glócione”, declarou.
Ainda de acordo com a mesma fonte, foram pagos quase R$ 20 milhões em precatórios nos anos de 2022 e 2023, incluindo um débito de R$ 11 milhões que, conforme relatado, envolveu cerca de 600 beneficiários e demandou aproximadamente seis meses para ser quitado de forma parcelada. Os pagamentos referem-se a obrigações judiciais acumuladas de administrações anteriores.
Sobre o episódio que teria gerado a inscrição no cadastro de inadimplentes, Fúria afirmou que a pendência correspondia a um valor de R$ 22 mil, cujo pagamento teria sido efetuado em janeiro, mas não registrado de imediato nos sistemas da Justiça Federal. “Teve somente um pagamento de 22 mil reais, que quando fechou o orçamento de 2024, ficou para pagar em 2026. Fechou o orçamento de 2025, ficou para pagar em 2026. Eu estou encaminhando para o senhor aí a guia de pagamento, meu prefeito”, disse, acrescentando que apresentou comprovante com data e horário da quitação.
Ele também descreveu o procedimento de comunicação ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região e atribuiu o atraso na regularização a trâmites administrativos. “No dia 29, depois de paga e emitida a guia, a Justiça Federal também foi informada desse pagamento, desse precatório de R$ 22 mil e que o mesmo estaria pago e solicitando da Justiça Federal, do TRF1, que tirasse ali, que fizesse a baixa do comprovante e a Justiça Federal, você já sabe né gente? A Justiça Federal tem suas burocracias internas e elas não deram baixa”, afirmou.
Segundo o relato, a situação foi regularizada posteriormente, após a atualização do sistema judicial. “Graças a Deus a Justiça Federal deu baixa nesse boleto pago, nesse boleto de 22 mil reais pago pela prefeitura”, declarou. Ele acrescentou que a procuradora do município foi consultada e teria informado que não houve responsabilidade direta do prefeito no atraso da baixa.
Durante a manifestação, Adaílton Fúria também apresentou dados sobre o volume total de precatórios quitados ao longo de cinco anos, estimando o montante em aproximadamente R$ 30 milhões, majoritariamente destinados a servidores públicos. Foram ainda mencionados dados orçamentários do município, com previsão de cerca de R$ 550 milhões para o exercício atual, podendo se aproximar de R$ 600 milhões com a inclusão de recursos adicionais.
A fala incluiu referências à captação de recursos federais, estimada entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões anuais, além de valores provenientes de emendas parlamentares e repasses estaduais destinados a eventos e manutenção de serviços públicos. Também foram citadas obras e programas executados no município, com menção a investimentos em saúde, infraestrutura urbana e iniciativas de transporte.
Ao final, foi reiterado que a regularização do débito junto à Justiça Federal permitiu a retirada do município da condição de inadimplência, coincidindo com a informação divulgada anteriormente pelo prefeito Tony Pablo sobre a normalização da situação fiscal e a retomada da capacidade de receber recursos federais.



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