Na região de fronteira com a Bolívia, às margens do rio Pacaás Novos, onde a floresta se mistura ao som das águas e as pinturas corporais carregam histórias ancestrais, mais de 60 casais indígenas viveram um momento inédito. Diante de familiares, lideranças e autoridades, receberam a certidão que oficializa uniões construídas há décadas pelo povo Wari dentro das aldeias Tanajura e Capoeirinha, habitadas por subgrupos como o Oro Nao.
Entre cocares, adornos tradicionais e palavras traduzidas para a língua Txapakura e seus dialetos, a Justiça encontrou caminho até o coração da floresta para reconhecer direitos, fortalecer vínculos e reafirmar cidadania.
Cúpula
O presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Alexandre Miguel, acompanhado de comitiva da Presidência e da Corregedoria-Geral da Justiça, participou da primeira das duas cerimônias realizadas nas aldeias, na comarca de Guajará-Mirim. As ações integraram mais uma etapa da operação Justiça Rápida Itinerante, que realizou a triagem e regularização das uniões estáveis já existentes nas comunidades, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), em parceria com o Ofício de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelionato de Notas do município.
Na aldeia Tanajura, no último dia 30 de abril, 40 casais receberam as certidões de casamento das mãos das autoridades. Já no feriado de 1º de maio, outros 25 casais oficializaram suas uniões na aldeia Capoeirinha, em celebrações marcadas por apresentações culturais, artesanato, pinturas tradicionais e a participação coletiva das famílias.
“É com muito orgulho e muita satisfação que o Tribunal de Justiça vem aqui hoje”, afirmou o presidente do TJRO. “O casamento, a família é o início da sociedade, nossa presença vem justamente somar a isso e enaltecer ainda mais essa união desses casais”, destacou.



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