Viajar para fora é um desejo de muitos brasileiros, e a Europa domina a preferência de quem planeja uma temporada no exterior. Levantamento da plataforma de pesquisa de mercado Toluna mostra Portugal (37%), Itália (32%), França (24%) e Espanha (23%) entre os destinos mais citados. Contudo, com a valorização do Euro e a alta procura em determinados meses, a viagem pode parecer distante da realidade de quem tenta equilibrar o orçamento.
A concentração de turistas no verão é um dos motivos que pode aumentar os gastos. A alta temporada europeia ocorre entre meados de junho e meados de setembro, com pico em agosto, período de férias escolares e recesso local. Dados do Eurostat mostram que, em 2024, um terço de todos os pernoites de viajantes no continente aconteceu apenas entre julho e agosto, aumentando a pressão sobre preços e disponibilidade.
Fora desse intervalo, porém, o panorama muda. Outro levantamento, realizado pelo Kayak, revela que o preço médio dos voos de ida e volta em classe econômica partindo do Brasil para destinos europeus caiu 22% entre 22 de setembro e 21 de dezembro de 2025, na comparação com o período de alta temporada, entre 21 de junho e 21 de setembro.
Entre os 30 destinos analisados, Nápoles e Madri registraram as maiores reduções: 25%. Para quem pesquisa por hotéis em Milão, a baixa temporada também se mostra favorável, com queda de 24%.
Com o fim do verão e a diminuição da procura, companhias aéreas e meios de hospedagem passam a trabalhar com valores mais competitivos, criando oportunidades para quem tem flexibilidade de datas.
Segundo a fundadora do blog Viaja que Passa, Maria Fernanda Moro, além da diferença no preço dos hotéis em comparação à alta temporada, o viajante ainda encontra mais disponibilidade e opções melhores na mesma faixa de valor.
“Em alguns casos, também dá para economizar em passeios e atrações, porque há menos disputa por ingressos e tours, o que facilita aproveitar promoções e horários mais baratos”, acrescenta.
Priorizar o que mais pesa no bolso é a principal estratégia
Fazer pequenos cortes durante a viagem, como economizar em um café, evitar um táxi ou reduzir gastos pontuais com lembranças, nem sempre é a melhor estratégia para diminuir os gastos. A lógica, segundo Maria Fernanda Moro, é concentrar esforços nos itens que representam maior fatia do orçamento.
“Para economizar de verdade, o ideal é focar nos itens que mais pesam no bolso. Se a pessoa consegue reduzir 20% da hospedagem viajando em março, por exemplo, essa economia costuma ser maior do que tentar cortar pequenos gastos do dia a dia”, explica.
O peso do valor da hospedagem para o bolso também aparece na pesquisa “O Viajante Brasileiro”, realizada pela Globo. Para 55% dos entrevistados, o preço é o fator que mais pesa na escolha de onde ficar. Nesse contexto, as acomodações alternativas se destacam: 59% afirmam que conseguem economizar ao optar por opções fora da rede tradicional.
A escolha da localização da hospedagem também pode impactar as despesas totais. Ao avaliar os melhores bairros para se hospedar em Amsterdam, por exemplo, pode ser interessante priorizar locais que facilitem o acesso às principais atrações, conferindo menos gastos com transporte diário, reduzindo tempo e dinheiro investidos em deslocamentos, como orienta Moro.
“Montar o roteiro pensando no transporte também é uma boa estratégia. Muita gente acha que, viajando para cidades ou países próximos, vai economizar nos deslocamentos. Mas nem sempre isso acontece. Com a variedade de companhias low cost na Europa e as promoções comuns da baixa temporada, muitas vezes, sai mais em conta viajar para um destino a milhares de quilômetros de distância do que para outro logo ao lado”, explica.
A pesquisa da Globo também destaca que o preço da passagem aérea é o principal critério de decisão para 62% dos brasileiros. Além disso, 40% dizem que deixam de viajar ou reduzem a frequência de voos justamente por causa do valor dos bilhetes.
Preços menores ajudam, mas não é único critério a ser avaliado
Passado o verão, o cenário é outro: filas menores, maior disponibilidade de reservas e clima ameno em muitas cidades tornam a experiência mais confortável para quem prefere viajar fora do pico. Ainda assim, é necessário alinhar expectativa e realidade
“É preciso prestar atenção a alguns detalhes para não levar gato por lebre. O principal deles é o clima: vale a pena se certificar de que a época do ano realmente entrega o que se espera do destino”, alerta Moro.
Segundo ela, a vantagem costuma ser maior em grandes centros urbanos, que mantêm a programação cultural, gastronômica e de serviços ao longo de todo o ano. O mesmo não acontece em destinos muito dependentes do clima e do movimento intenso de turistas.
“Destinos de praia mediterrâneos e badalados, como Santorini, Costa Amalfitana e Ibiza, por exemplo, podem decepcionar quem viaja fora de época. Além do tempo muitas vezes não ser favorável para atividades ao ar livre, restaurantes, serviços e outras atrações podem ter funcionamento bastante reduzido.”



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