Publicada em 30/01/2026 às 10h18
Indicado ao Oscar pelo filme O Agente Secreto, Wagner Moura afirmou que encontrou no trabalho como ator uma forma de responder ao cenário político e social marcado por polarização e crise institucional. Em entrevista concedida à revista Variety, ele avaliou que o cinema e a arte ganham ainda mais relevância em momentos de instabilidade democrática.
Segundo Moura, a construção de personagens passou a ser um meio de expressão direta. “Quando a arte e o cinema se elevam e criam uma ‘ficção’, isso pode ser algo mais importante do que a realidade. Você assiste a um filme, volta para casa e isso te faz pensar”, afirmou. Para o ator, dizer o que pensa por meio da atuação se tornou mais significativo do que discursos diretos.
Ao analisar o debate público contemporâneo, Moura apontou que o conflito atual vai além da divergência ideológica. “Os fatos não importam mais. Antes brigávamos, esquerda e direita, mas brigávamos pela mesma coisa. Hoje em dia, não se trata de fatos. Trata-se de versões da verdade”, declarou.
Vivendo há cerca de sete anos nos Estados Unidos com a família, o ator demonstrou preocupação com os efeitos desse ambiente sobre a democracia. Para ele, a radicalização política representa um dos maiores perigos institucionais da atualidade. “A polarização é a maior ameaça à democracia. Muitas pessoas não são más; estão mal informadas”, disse, ao criticar o impacto da tecnologia na vida cívica e na capacidade de atenção da sociedade. “Os jovens estão deprimidos. A verdade parece ter acabado”, completou.
Na entrevista, Moura também comparou os contextos políticos do Brasil e dos Estados Unidos. Ao citar o período do governo Jair Bolsonaro, ele destacou a reação institucional brasileira após ataques à democracia. “O Brasil foi rápido em fazer a coisa certa e mandar a mensagem de que não se pode mexer com a democracia. Nós prendemos pessoas. Bolsonaro está preso”, afirmou.
Em relação aos Estados Unidos, Moura avaliou que o país ainda hesita em impor limites claros diante de ameaças institucionais associadas à era Donald Trump. “É como se estivessem testando os limites, como uma criança. Se não houver reação, o que acontece?”, questionou.
Para o ator, a falta de uma experiência histórica com regimes autoritários ajuda a explicar essa postura. “Vocês nunca tiveram a experiência de viver sob uma ditadura. Não sabem como se sente ou o quão ruim é. Acontece aos poucos. E se você não reage às pequenas coisas, é aí que elas tomam conta”, alertou.



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