Publicada em 20/01/2026 às 09h53
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso a França recuse integrar o Conselho de Paz para Gaza, iniciativa lançada por Washington no contexto da segunda fase do cessar-fogo no território palestino. A declaração foi uma reação à sinalização de que o presidente francês, Emmanuel Macron, não pretende aderir ao órgão “neste momento”.
Trump afirmou que Macron recebeu convite para participar do conselho, mas indicou resistência do governo francês. Segundo um funcionário ouvido pelo New York Post, Paris levantou dúvidas sobre o respeito aos princípios e à estrutura das Nações Unidas. Ao comentar o impasse, o presidente norte-americano ironizou o líder francês e vinculou a adesão ao conselho a uma possível retaliação comercial. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes”, disse, acrescentando que Macron “não precisa participar”.
A França, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, reagiu reafirmando compromisso com a Carta das Nações Unidas. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores informou que foi convidada a integrar o Conselho de Paz e que, em coordenação com parceiros, analisa o texto que propõe a criação do órgão, cujo escopo “vai além de Gaza”. A chancelaria destacou ainda que a Carta da ONU permanece como base do multilateralismo, da igualdade soberana entre Estados e da resolução pacífica de disputas.
O Conselho de Paz para Gaza integra a segunda etapa do acordo de cessar-fogo entre Hamas e Israel. Segundo a Casa Branca, o órgão terá a missão de supervisionar um comitê palestino temporário de tecnocratas, mobilizar recursos internacionais e garantir responsabilização durante a transição de Gaza do conflito para a reconstrução.
Trump já divulgou parte da composição do conselho. Entre os convidados estão o secretário de Estado Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o enviado especial para o Oriente Médio Steve Witkoff, o genro do presidente Jared Kushner, o presidente do Banco Mundial Ajay Banga e o investidor Marc Rowan.
Moscou informou que Vladimir Putin também recebeu convite, atualmente sob análise do Kremlin. Trump confirmou ainda convites a líderes como o rei Abdullah II, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan, o presidente da Argentina Javier Milei, o presidente do Paraguai Santiago Peña, além dos primeiros-ministros Shehbaz Sharif, Narendra Modi e Mark Carney. Washington também estendeu convite à China e ao premiê israelense Benjamin Netanyahu.



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