Publicada em 28/01/2026 às 15h47
Porto Velho (RO) — O senador Confúcio Moura (MDB) voltou ao debate sobre a concessão da BR-364. Em menos de uma semana, ele apresentou três manifestações públicas distintas, nas quais reiterou a defesa do modelo adotado para a rodovia federal que corta Rondônia. As falas ocorreram entre o sábado, dia 24, e esta quarta-feira, 28, em meio à repercussão sobre os valores do pedágio, a origem do processo de concessão e os impactos da infraestrutura viária na segurança e na economia do estado.
A primeira manifestação ocorreu no sábado, 24, quando o senador atribuiu ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, o início do processo de concessão da BR-364. Na ocasião, Confúcio afirmou que o modelo em discussão não foi concebido em sua atuação individual e que as decisões estruturais remontam a etapas anteriores, ainda no governo federal iniciado em 2019.
Dois dias depois, na segunda-feira, 26, o senador voltou ao tema ao publicar, em suas redes sociais, uma série de cards acompanhados de um texto explicativo. Na postagem, Confúcio afirmou que a concessão “não é uma decisão individual, nem recente” e que se trata de “um processo de Estado, iniciado em 2019, conduzido por órgãos técnicos e fiscalizado pelos órgãos de controle”. No mesmo texto, declarou que seu compromisso estaria ligado à segurança de quem trafega pela rodovia, à veracidade das informações e à defesa dos interesses de Rondônia. “Seguiremos atentos, fiscalizando e cobrando para que os investimentos se transformem em melhorias reais para a população”, escreveu.
A terceira manifestação ocorreu nesta quarta-feira, 28, com a divulgação de um vídeo cuja capa traz a pergunta “Quanto vale uma vida?”. Embora o material não deixe explícito, no título, se a indagação se refere diretamente à controvérsia sobre os preços dos pedágios, o tema é abordado no conteúdo publicado junto ao vídeo.

"Quanto vale uma vida?": vídeo de Confúcio defende concessão da 364 / Reprodução-Instagram
No texto que acompanha a postagem, Confúcio reconhece a legitimidade das críticas aos valores cobrados. “A preocupação com o valor do pedágio é legítima. A tarifa do pedágio pode e deve ser questionada”, afirmou. Em seguida, defendeu a concessão como instrumento voltado à segurança e à redução de riscos na rodovia. “Não há dúvida: a concessão da BR-364 existe para levar segurança, obras e salvar vidas numa rodovia que há anos ameaça quem nela trafega”, escreveu.
O vídeo divulgado pelo senador utiliza uma narrativa baseada em dados de acidentes e mortes no trânsito em Rondônia. Segundo a narração, o estado lidera os índices de acidentes rodoviários na região, com registro de 1.483 ocorrências em um ano. Em 2024, de acordo com o conteúdo do vídeo, 112 pessoas perderam a vida em acidentes, número associado a colisões diretas entre veículos, com concentração de ocorrências na BR-364. A peça audiovisual também menciona um impacto econômico atribuído aos acidentes, estimado em R$ 323 milhões, valor que, segundo a narração, seria retirado dos cofres públicos.
Ainda conforme o vídeo, a concessão prevê medidas como redução imediata de 20% nos acidentes, duplicação de trechos considerados estratégicos, implantação de terceiras faixas, reforço na fiscalização e monitoramento eletrônico. A narrativa conclui associando as intervenções à preservação de vidas e à transformação da rodovia em um ambiente mais seguro para motoristas, passageiros e trabalhadores.
As informações apresentadas por Confúcio Moura no vídeo e nas postagens encontram correspondência em dados divulgados pela concessionária Nova 364 em matéria publicada no dia 13 de janeiro. No texto, a empresa afirma que a má qualidade da infraestrutura rodoviária em Rondônia gera um custo operacional oculto de 38,1% para o transporte, percentual superior à média nacional, estimada em 31,2%, segundo a Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em dezembro de 2025. O levantamento aponta que 61,8% da malha rodoviária do estado é classificada como regular e 14,1% como ruim ou péssima.
A concessionária compara esse custo indireto ao impacto direto do pedágio, estimado em cerca de 12%, sustentando que a precariedade da rodovia impõe um ônus financeiro superior ao da tarifa. De acordo com a Nova 364, apenas em 2025 o consumo excessivo de combustível causado pela má qualidade do pavimento teria alcançado 27,1 milhões de litros de diesel, gerando prejuízo de R$ 155,65 milhões aos transportadores do estado.
No mesmo material, a empresa informa que investiu R$ 360 milhões nos primeiros 100 dias de operação, valor que, segundo a concessionária, supera em 18 vezes o montante aplicado pelo Governo Federal em rodovias federais de Rondônia no mesmo período. A Nova 364 afirma ainda ter antecipado 71% das obras previstas originalmente para 2026 e ampliado os serviços de atendimento ao usuário, incluindo inspeção de tráfego, guinchos e atendimento pré-hospitalar ao longo dos 720,5 quilômetros sob sua administração.
Confúcio Moura mantém a linha de que a concessão deve ser acompanhada de fiscalização rigorosa. No texto que acompanha o vídeo mais recente, o senador afirma: “Vamos fiscalizar o cumprimento do contrato de concessão para que tudo o que foi combinado e aprovado pelos órgãos de controle seja realizado”.



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