Publicada em 22/01/2026 às 10h52
O podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, abriu uma edição com orientações ao público para acompanhar o programa nas plataformas digitais e na TV. Na introdução, Oliveira convidou os espectadores a se inscreverem no canal no YouTube, deixarem comentários e compartilharem o conteúdo, citando a presença do programa em redes como TikTok, Instagram e Facebook, além da exibição pela TV REMA aos sábados e domingos às 23h, pela TV Jovem Pan News e também pela Rádio Jovem Pan.
No início da gravação, o apresentador afirmou que o programa buscaria uma nova abordagem sobre a política de Rondônia e reforçou o convite para que o público acompanhasse as edições “em todas as plataformas”, incluindo o site do Rondônia Dinâmica. Ele também incentivou o compartilhamento por WhatsApp e disse que a audiência poderia ficar à vontade para comentar e interagir.
Na sequência, Robson Oliveira anunciou a entrevistada como a reitora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), professora Marília Pimentel, identificando-a como docente da área de Letras. Ao iniciar a conversa, o apresentador estruturou a entrevista a partir do papel institucional da universidade, abordando o funcionamento do ensino, da pesquisa e da extensão como elementos centrais do que chamou de “tripé” universitário, e questionou se estaria “tudo tranquilo” na UNIR, especialmente diante de mudanças e desafios de gestão.
Marília Pimentel respondeu dizendo que era um prazer participar do programa e qualificou o Resenha Política como um espaço que discute política, Rondônia e o estado. Em seguida, afirmou que a Universidade Federal de Rondônia “está bem”, embora atravessando “momentos de grandes mudanças” e de “reestruturação” no ciclo 2025–2026. Segundo ela, 2026 seria um ano de “consolidação” das inovações e mudanças que estariam sendo feitas para melhorar o fluxo institucional e permitir que a universidade desenvolva sua finalidade, associada ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Ao comentar a expressão “tripé”, a reitora afirmou que, por ser da área do discurso e de Letras, tem uma visão crítica da imagem, por sugerir “três pernas separadas”. Ainda assim, disse reconhecer que a figura é “ilustrativa” e que a ideia central seria a de que pesquisa, ensino e extensão caminhem juntos, de forma “intrínseca”, um permeado pelo outro. Ela afirmou que, se tradicionalmente se diz que pesquisas geram extensão, ela também sustenta que a extensão pode gerar pesquisa, exemplificando que, quando o estudante atua na comunidade por meio de ações extensionistas, essa vivência pode se transformar em ideia para pesquisa. Na lógica inversa, afirmou que, dentro de laboratório, “estudando, pesquisando”, pode surgir algo capaz de “mudar a vida das pessoas”, mas destacou a necessidade de motivação do ensino e do papel de quem conduz esse processo.
No diálogo, Robson Oliveira comentou que conhecia a dinâmica interna da universidade e disse que havia sido assessor da Universidade Federal há mais de 30 anos. Ele também afirmou que conhecia “ações estranhas”, ao que Marília respondeu que conhecer a universidade seria “bom” e “determinante” para estar na gestão, porque quem conhece as “entranhas” passa a ter outra visão institucional.
Marília Pimentel detalhou sua trajetória na UNIR. Disse que está ligada à universidade desde os anos 1980, lembrando que entrou como aluna em 1987, quando ainda não existia campus, e que participou da inauguração em 1988. Ela recordou a greve de 1987, quando, segundo relatou, houve um movimento de “abraçar” a universidade por causa de um interventor. No trecho, Robson citou pessoas e mencionou Arneide Bandeira, e a reitora confirmou que também estava no movimento, acrescentando outros nomes lembrados por ela, como professor Marco Teixeira. Na sequência, Marília afirmou que permaneceu como aluna até 1990, com colação em 1991, e retornou como professora em 1998. Disse que, somando esse percurso, são quase 28 anos vinculada à instituição.
Ainda nesse bloco, a reitora afirmou que sua trajetória não ficou restrita a atividades de ensino, pesquisa e extensão, porque ocupou funções internas, como chefia de departamento e coordenação de programa de pós-graduação, descrevendo essas experiências como vivência “na base”, “no chão da fábrica”. Ao falar da reitoria, afirmou que nunca teve como meta ser reitora, mas que houve um momento de oportunidade para construção de um projeto coletivo. Ela contextualizou idade e transição pessoal ao dizer que se sentia num momento de maturidade institucional e que isso ajudou a visualizar a universidade da forma como a gestão estaria enxergando naquele período: reestruturar, fazer uma gestão colaborativa, ouvindo todos e trabalhando para melhorar a instituição. Disse ainda que não seria possível fazer tudo, mas que seria possível “plantar” ações para que outras gestões deem continuidade.
Robson Oliveira, por sua vez, retomou críticas históricas à universidade, afirmando que, em determinados períodos, a instituição se voltava para si e se isolava da sociedade, sem fazer o retorno público do que seria produzido internamente. Ele disse que o tempo e a tecnologia mudaram os caminhos, mas apontou que grande parte da população não saberia o que é feito dentro das instituições, nem o retorno concreto para a sociedade. Nesse contexto, ele citou que havia colocado no ar uma entrevista com o professor Wanderley Bastos, relatando um tema que, segundo ele, afetaria ribeirinhos e envolveria contaminação associada ao uso do rio e a práticas de extração de ouro. Disse que isso o surpreendeu, porque afirmou não conhecer o assunto e relatou que havia tomado conhecimento do tema fora do estado, em conversa em Brasília. A partir daí, perguntou à reitora se, além dessa pesquisa, existiriam outras pesquisas em andamento na universidade com resultados concretos para atender necessidades da população amazônica.
Marília respondeu afirmando que, sim, existem muitas pesquisas e que, inclusive, docentes da universidade se surpreenderiam com o que vem sendo realizado. Ela afirmou que não se trata apenas do campus de Porto Velho, mas também dos demais campi da UNIR. Em seguida, informou que a universidade conta com 31 programas de pós-graduação, entre mestrado e doutorado, e que, desse total, oito teriam mestrado e doutorado, enquanto os demais seriam apenas de mestrado. Disse que as pesquisas são realizadas dentro de grupos de pesquisa.
Ao comentar a pesquisa mencionada por Robson Oliveira, a reitora afirmou que, no mesmo grupo, lembrava de um estudo relacionado à água, citando que o professor Wanderley, com seu grupo, pesquisou e, segundo ela, “acho que ainda pesquisa”, as águas do rio Puruzinho, identificando o local como “aqui no Amazonas”, na forma como foi verbalizado na gravação. Ela relatou que havia um pós-doutorando da área de odontologia investigando periodontia, tentando compreender por que pessoas ribeirinhas daquela área não desenvolveriam problemas periodontais e consumiam aquela água. Marília explicou que, ao investigarem, identificaram uma proteína presente na água e que essa proteína funcionaria como uma proteção, em linguagem simples, para aquela população, o que poderia gerar aplicações preventivas contra essas doenças. No mesmo trecho, ela disse não saber se a pesquisa havia sido concluída ou se estava em andamento.
Na sequência, Marília citou um professor chamado Ivan Feliz Milo, ligado ao Departamento de Medicina Veterinária do campus de Rolim de Moura, e relacionou a esse campus também cursos como agronomia e engenharia florestal, como citado no diálogo. Segundo ela, esse professor estaria realizando pesquisa na qual a pele do tambaqui, peixe conhecido e consumido na região, estaria sendo utilizada em feridas em animais, como cachorros e outros, descrevendo como algo já em uso e “em andamento”.
A reitora também mencionou uma pesquisa de automação de porteiras em propriedades rurais, atribuída a um professor da engenharia elétrica que ela identificou como Moisés Arturo. Ela disse que essa automação teria impacto direto na ordenha e em vacas leiteiras, ajudando produtores. Ainda nesse bloco, ela afirmou que existem muitas outras pesquisas influenciando manejo sustentável, com impacto direto, e citou novamente o exemplo do “uso do pau da balsa” como alternativa associada à substituição do mercúrio, relacionando esse tema ao professor Wanderley, conforme a entrevista.
Marília acrescentou que um professor do grupo de pesquisa, chamado João Paulo, teria aparecido em reportagem do Fantástico sobre clima e prevenção de grandes desastres, realizando monitoramento do clima em parceria com a Fiocruz. Ela disse que se trata de um trabalho que teria aprovado um grupo de pesquisa grande, com pesquisadores nacionais e internacionais, voltado a investigar a relação entre clima e saúde. No diálogo, afirmou que fenômenos como chuvas intensas, calor e secas extremas têm causas, e que identificar essas causas e monitorar permitiria que a população se prevenisse de desastres. Robson Oliveira, ao comentar, afirmou que pesquisas que tragam conscientização sobre consequências e razões do que chamou de “desempate climático” seriam importantes para um país dividido entre pessoas que acreditam e pessoas que não acreditam na questão climática, e citou cheias e chuvas fora de estação como exemplos de eventos que, segundo ele, não ocorreriam “por acaso”.
Na sequência, Robson Oliveira conduziu o debate para o tema do hospital universitário. Disse que pretendia falar de inovação, mas afirmou que já havia sido feita uma abordagem. Então apresentou o que chamou de resultado de convênio com a Prefeitura de Porto Velho, dizendo que isso teria causado impacto. Ele declarou que o prefeito teria conseguido recursos para comprar um hospital, que ele associou ao Hospital das Clínicas, e disse que o hospital estaria sendo colocado à disposição da universidade por meio de um instituto vinculado ao MEC. Ele também afirmou, no diálogo, que a universidade, além de receber o hospital para ter gestão, contrataria via esse instituto profissionais para atuar. Em seguida, perguntou em que momento o hospital-escola começaria a funcionar em Rondônia, afirmando que seria uma reivindicação grande e recordando um episódio em que teria feito crítica a um professor chamado Ferrari, que, segundo ele, teria ficado bravo, num contexto de construção de uma “hotelaria” que seria um hospital.
Marília Pimentel respondeu descrevendo que o Hospital Universitário seria a realização de um grande sonho da universidade. No mesmo trecho, falou dos cursos de saúde e citou o curso de enfermagem como um curso antigo, com 30 anos de existência, e disse que a primeira turma teria começado em 1989. Citou ainda o curso de medicina, afirmando que estaria indo para 25 anos de existência, “mais de 20 anos”. Ela declarou que seria necessário ter o hospital, e afirmou que Rondônia estaria entre as unidades sem hospital universitário, e que o estado passaria a ter o seu.
A reitora passou, então, a explicar o que seria um hospital universitário e um hospital-escola. Disse que universidades com cursos na área de saúde precisam de campo de prática hospitalar e que o hospital tem mais de uma finalidade: formar pessoas e também servir como hospital de ensino, pesquisa e extensão. Ela afirmou que, além disso, o hospital atenderia a população gratuitamente. Para exemplificar, citou hospitais universitários como referências e mencionou o Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto, citou a UNIFESP e citou Manaus, “Vargas”, como apareceu na fala. Segundo ela, seriam hospitais de referência por estarem ligados a universidades, seriam equipamentos públicos federais, com atendimento 100% SUS.
Na sequência, Marília explicou o modelo de administração. Disse que quando o hospital é criado pela universidade, quem administra é o Ministério da Educação, por se tratar de uma escola. Informou que o MEC criou uma estatal, identificada como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), e afirmou que ela administra hospitais como intermediária entre MEC e universidades. Ela disse que a Ebserh tem know-how e que, da última vez que viu, até o ano anterior, seriam 45 hospitais administrados, sem saber se aumentou. Comentou que o hospital de Rondônia já estaria “no mapinha” deles, conforme a expressão usada. Marília afirmou ainda que a Ebserh seria presidida pelo ex-ministro da Saúde Artur Quioro, na forma como foi verbalizado, e observou que isso muda de administração para administração.
Robson Oliveira interveio dizendo que os profissionais do hospital não seriam funcionários da universidade e a reitora respondeu que não: seriam vinculados à estatal. Ela explicou que a Ebserh realiza concurso público para contratar profissionais, com regime de empregado público, comparando a empregados de Caixa Econômica e Banco do Brasil. Disse que a estatal também é responsável pela administração do hospital.
Na reconstrução do histórico, Marília afirmou que, quando a gestão atual procurou o MEC para ter o hospital, ao assumir em 2024, já existia uma tratativa anterior. Ela citou que, na gestão anterior, sob a professora Marcelli e o professor José Juliano Sedaro, em 2023, teriam ocorrido tratativas vinculadas ao anúncio do PAC das universidades no início do terceiro governo Lula, com investimentos em hospitais universitários. Ela afirmou que a gestão da UNIR, naquele momento, foi ao encontro do projeto com participação do senador Confúcio Moura e de deputados federais. Segundo ela, naquele momento, a Ebserh e o Ministério da Saúde teriam dito que Rondônia ainda não comportava hospital universitário. Robson perguntou “com base em quê?”, e a reitora respondeu que não saberia dizer porque não participou das tratativas. Disse que não foi aprovado “para cá” e que foi aprovado “para o FAC”, na forma como foi verbalizado.
A reitora afirmou que, ao assumir em 2024, a nova gestão continuou a tratativa e, então, houve conversa com o prefeito Léo Moraes, que, segundo ela, tinha vontade de ter um hospital municipal. A partir dessa conversa, ela disse que a universidade explicou como funcionaria o hospital universitário e que poderia haver uma parceria, uma vez que seria possível ter um hospital já pronto, funcionando, para ser doado à universidade. Ela observou que, naquele primeiro momento, não seria um hospital do tamanho necessário para um hospital universitário completo.
Nesse trecho, Marília apresentou projeções e números. Disse que o hospital universitário que estava sendo planejado, pelo perfil assistencial, teria aprovação de 214 leitos no total. Robson comentou que o hospital comprado teria, segundo ele, 40 leitos. Marília afirmou que a pergunta era em que etapa o processo estaria. Disse que a primeira etapa foi a parceria com a prefeitura, que se comprometeu a comprar um hospital e doar, mas que, antes disso, técnicos da Ebserh vieram para análise de hospitais públicos e particulares, e para entender o sistema de saúde local. Segundo ela, vieram três vezes, com a terceira visita em novembro do ano anterior ao programa, e fizeram análise. A reitora afirmou que, entre os hospitais analisados, o que foi considerado viável foi o Hospital das Clínicas, “até pelo terreno”.
Robson Oliveira pontuou que, do ponto de vista jornalístico, isso indicaria que não foi uma escolha aleatória, porque haveria equipe precursora que avaliou condições e adequações futuras, alinhadas ao que a universidade e a academia precisariam para cursos da área de saúde. No mesmo bloco, o apresentador disse que poderia haver confusão na compreensão pública sobre a natureza do hospital e afirmou que não seria um ponto de socorro e nem hospital de entrada, mas um hospital-escola que entraria na regulação.
Marília confirmou esse aspecto e disse que o hospital entraria na regulação. Em seguida, afirmou que, para a população entender, o hospital teria capacidade de produção de 352 cirurgias por mês. Disse que isso poderia diminuir a fila de cirurgias e afirmou que o hospital teria 80 leitos cirúrgicos para essa produção. Robson mencionou “alta complexidade”, e Marília respondeu que começaria de média complexidade. Ela afirmou que o foco seria definido por uma equipe e que um grupo de trabalho continuaria trabalhando, formado por profissionais da UNIR, da Ebserh e da Prefeitura. Disse que foi assinado um acordo de cooperação entre Ebserh, Prefeitura e UNIR para o momento de transição e afirmou que não seria possível fazer hospital sem conversar com os entes públicos, especialmente o município, que participaria da doação e também do processo de regulação, teto do SUS e inserção no SUS. Segundo ela, a administração seria “totalmente” da universidade, via Ebserh e governo federal, com recursos do SUS, Ministério da Saúde e Ministério da Educação, destacando que a folha de pagamento viria desse arranjo.
A reitora disse ainda que estava sendo feita análise para chegar ao perfil assistencial adequado e afirmou que não se poderia “trazer mais do mesmo”, mas atender às necessidades do município e do estado considerando os equipamentos já existentes. Ela falou em “grande gargalo” e no objetivo de fazer um hospital que realmente atenda a população. Em seguida, listou especialidades e estrutura: afirmou que haveria nefrologia e cardiologia e, ao enumerar o conjunto, disse que seriam 17 consultórios, com 9 salas de exame, sala de coleta de sangue e salas de diagnóstico especializado em cardiologia, oftalmologia, otorrinolaringologia, ginecologia, urologia, neurologia e pneumologia, entre outras áreas, como foi mencionado.
Marília destacou que o hospital existente não teria a capacidade prevista no perfil final, e por isso teria sido importante a avaliação. Disse que, na última visita, a Ebserh levou engenheiros hospitalares para levantamento mais apurado da estrutura existente. Ela afirmou que a Ebserh e o MEC têm um padrão de hospitais universitários e que a estrutura precisa permitir circulação adequada por causa de alunos, graduação e residência.
Quando Robson voltou à pergunta sobre prazos, Marília disse que o próximo passo seria a prefeitura receber o hospital, e afirmou que o município deveria receber “até o final de janeiro”, mencionando que havia uma expectativa de receber “a partir do dia 25”. Ela disse que o hospital não estaria mais funcionando naquele momento. Robson perguntou sobre aquisição “porteira fechada” com equipamentos, e a reitora respondeu que essa parte foi feita pela prefeitura e que ela não saberia afirmar detalhes sobre equipamentos e passivos, dizendo que o município provavelmente teria levantamento.
Robson disse que entendia ser difícil cravar datas, mas que projetos desse porte têm etapas e precisam de expectativa de prazo. Marília respondeu que, após receber o hospital, seria necessário passar pelo processo de doação, que precisaria ser aprovado na Câmara de Vereadores, porque a prefeitura doaria para a universidade. Ela afirmou que isso deveria ocorrer no início de fevereiro e disse acreditar que, até o final de fevereiro, se tudo desse certo na Câmara e na documentação, a universidade teria expectativa de receber o hospital até março. A partir daí, segundo ela, a Ebserh entraria e haveria uma reforma inicial para adequar a estrutura.
No trecho sobre recursos, a reitora disse que havia orçamento para a reforma e que o financeiro estaria no começo do exercício, mas afirmou que havia orçamento. Robson comentou que o orçamento havia sido homologado semanas antes e mencionou contingenciamento na área da saúde, dizendo que, na leitura dele, haveria orçamento mas não necessariamente financeiro. Em seguida, ele sugeriu que a bancada deveria dar transparência a emendas, chamando-as de “emendas secretazinhas”. Marília respondeu que todo recurso para ajudar hospital e universidade seria bem-vindo, independentemente de onde venha, e afirmou que existe bancada para isso.
Ao falar sobre expectativa de início de funcionamento, Marília declarou que haveria expectativa de começar a funcionar “até o meio do ano” com a primeira estrutura, mas destacou que não havia data exata por depender de etapas. Ela afirmou que ainda seria necessário construir nova estrutura para chegar aos 214 leitos. Robson perguntou se o hospital esperaria para funcionar “tudo”, e a reitora respondeu que não, dizendo que Prefeitura, Universidade e Governo Federal querem inaugurar o hospital naquele ano e que não seria possível deixar equipamentos parados. Ela afirmou que o grupo de trabalho continuava atuando, que haveria idas frequentes a Brasília e que, aguardando a entrega da prefeitura, a parte da universidade seria iniciar reestruturação com reforma. Marília comparou o processo a reforma de casa, citando dificuldades práticas de execução e fornecimento, e por isso disse ser difícil precisar data e mês, embora afirmasse que trabalhariam para ser o mais rápido possível.
Robson insistiu em expectativa e disse que a previsão seria até o final do ano. Marília respondeu que não poderiam passar daquele ano para abrir o hospital, afirmando que seria compromisso e que “tem que ser esse ano”. Em seguida, o diálogo avançou para temas internos e estrutura da universidade.
Robson afirmou que a universidade seria espaço de debate e que confronto deveria ser de ideias. Marília respondeu que seria normal existir oposição interna e disse que a universidade é lugar de debate e discussão. Ela afirmou que, nos últimos dois anos de gestão, o que teriam ganhado seria a comunidade acadêmica “acreditar” que é possível.
Quando o apresentador perguntou sobre quantidade de campi, Marília afirmou que são oito, citando Porto Velho, Guajará-Mirim e Vilhena, e também mencionou Ariquemes, Ji-Paraná, Presidente Médici, Rolim de Moura e Cacoal. Ela disse que estariam começando cursos novos em 2026, citando Direito em Ariquemes, Letras Inglês em Ariquemes, Engenharia Civil em Ji-Paraná e Tecnólogo em Gestão de Tecnologia em Cacoal. Ela afirmou que Cacoal estaria se tornando polo tecnológico na universidade, com curso de mestrado em agronegócio e sustentabilidade, e disse que o campus tem trabalhos com agricultura familiar e extensão. Marília afirmou ainda que Presidente Médici abriria dois cursos, mencionando gestão comercial e tecnólogo em arquitetura.
Robson comentou sobre vocação agrícola e pequena produção em cidades como Cacoal e Ouro Preto e associou isso a conversa anterior com o diretor do Incra, Flávio, citando que são cidades com vocação agrícola e sem grandes extensões de terra concentradas. Marília respondeu afirmando que o campus oferta cursos de capacitação para produtores rurais e disse que têm feito trabalho importante. Ao falar de Rolim de Moura, ela afirmou que é um campus antigo e que a universidade tem fazenda experimental, com recursos do PAC para reforma, e disse que entregariam reforma naquele ano. Ela citou também o restaurante universitário de Rolim de Moura, afirmando que estava parado há mais de 10 anos e que as obras estariam sendo retomadas com recursos do PAC, com expectativa de entrega, justificando que há alunos de cursos integrais e que o campus é grande.
Robson perguntou se o restaurante seria concedido à iniciativa privada, e Marília respondeu que seria concessão. Na sequência, o diálogo tratou do restaurante universitário de Porto Velho. Marília afirmou que o restaurante da capital estava em construção, foi concluído, mas não abria “há anos”, e que, na gestão de 2024, foi aberto após licitação e contratação de empresa. Ela descreveu o restaurante como uma das maiores cozinhas industriais de Rondônia. Robson perguntou sobre existência de curso de gastronomia e, em seguida, sobre nutrição, e Marília respondeu que não havia cursos dessas áreas naquele momento. Ela afirmou que, com restaurantes universitários e com o hospital, a universidade poderia expandir cursos na área de saúde. No relato, disse que houve troca de empresa, com a segunda empresa contratada, e que ocorreu uma suspeita de contaminação, com acionamento da vigilância sanitária. Ela afirmou que a situação foi resolvida, que houve atendimento aos alunos afetados e que o caso ocorreu num jantar, numa quinta-feira. Robson disse que a empresa foi notificada e Marília confirmou.
No encerramento, Robson disse que o tempo havia acabado e reforçou convite para que a reitora voltasse. Ele afirmou que lamentava que recursos destinados às universidades tivessem encolhido e disse que, na visão dele, deveria ser o inverso, embora esperasse aumento. Marília agradeceu e deixou recado ao público para conhecer as pesquisas da universidade. No final, ela afirmou que a UNIR tem “a maior coleção de peixes de uma única bacia hidrográfica de água doce do mundo” e convidou o público a conhecer também a Reserva Técnica de Arqueologia, que classificou como uma das maiores da América Latina, citando achados arqueológicos importantes. Ela reforçou que há muitas pesquisas, laboratórios e que muitas pessoas no estado não conhecem o que é feito na universidade.
A reitora também citou o evento UNIR de portas abertas, dizendo que todos os anos são levados alunos de escolas públicas e particulares de Porto Velho e região, e que viriam estudantes de Buritis para conhecer a instituição. Ela convidou o público a estudar na UNIR e afirmou que a universidade seria “para todos”. Robson comentou que o campus, embora distante da cidade, continuaria aberto. Marília reforçou que, além de Porto Velho, o interior também tem unidades e convidou as pessoas a conhecerem os campi em Guajará-Mirim, Ariquemes, Cacoal, Ji-Paraná, Presidente Médici, Rolim de Moura, Vilhena e Porto Velho. Robson agradeceu e afirmou que pretende conhecer mais a produção universitária ao longo do ano e propor novo programa para discutir a inserção da universidade na sociedade.
DEZ FRASES DE MARÍLIA PIMENTEL NO RESENHA POLÍTICA:
01) “Esse 2026 vai ser um ano de consolidação de tudo aquilo que a gente tem feito de inovação e de mudanças na universidade para que a universidade flua melhor.”
Ao responder sobre a situação da UNIR, a reitora afirma que a instituição passa por reestruturação em 2025–2026 e aponta 2026 como o ano em que as mudanças serão consolidadas.
02) “Essa ideia de tripé, eu que sou da área de discurso, da área de letras, eu sou um pouco crítica, essa ideia de tripé ela incomoda um pouco.”
No debate sobre ensino, pesquisa e extensão, ela questiona a metáfora do “tripé” por sugerir separação entre as áreas.
03) “A extensão pode gerar uma pesquisa.”
Ainda na discussão do ensino-pesquisa-extensão, ela inverte a lógica tradicional ao dizer que práticas extensionistas também podem originar pesquisas.
04) “Não há inteligência artificial que faça.”
Em resposta à fala sobre motivação e trabalho docente, ela afirma que pesquisa e produção acadêmica não se sustentam apenas por “voluntarismo”, marcando limite para automação.
05) “Hospital Universitário realmente é a realização de um grande sonho, digamos assim, da universidade.”
Ao entrar no tema do hospital, ela enquadra o projeto como objetivo histórico da UNIR, ligado aos cursos da área da saúde.
06) “Rondônia é uma das poucas capitais que não tem… hospital universitário… agora Rondônia vai ter o seu.”
Ao explicar o cenário nacional, ela coloca o estado entre os que ainda não tinham hospital universitário e anuncia a mudança com a implantação do projeto.
07) “Hoje, ela é presidida pelo ex-ministro da saúde, Artur Quioro. Mas, isso muda de administração pra administração.”
Ao descrever a Ebserh, ela cita a presidência e ressalta que a chefia pode variar conforme mudanças administrativas.
08) “A prefeitura adquiriu, deve receber esse hospital até o final de janeiro… Há uma expectativa da prefeitura de receber a partir do dia 25.”
Ao falar de cronograma, ela dá uma previsão de datas para recebimento do hospital e avanço da etapa de doação.
09) “A gente tem a expectativa de até o meio do ano a gente começar a funcionar… Mas a gente não tem uma data exata.”
Ao ser cobrada por prazo, ela aponta expectativa de início de operação ainda no primeiro semestre, mas condiciona a execução a etapas e trâmites.
10) “Desse ano nós não podemos passar para abrir esse hospital, não. Não podemos. É um compromisso que a gente tem. Tem que ser esse ano.”
Na reta final do tema, ela crava a intenção de inauguração dentro do ano citado na entrevista e trata como compromisso institucional.



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