Publicada em 27/01/2026 às 08h40
Porto Velho (RO) — A disputa política em torno dos pedágios da BR-364 ganhou novos contornos após declarações do deputado federal Maurício Carvalho (União Brasil), coordenador da bancada federal de Rondônia, feitas durante entrevista ao programa “De Olho na Notícia”, apresentado por Fábio Camilo, na Rádio & TV Informa na Hora, na última segunda-feira, 26. Ao tratar da atuação da bancada, Maurício afirmou que praticamente todos os parlamentares federais do estado se posicionaram contra o modelo de concessão adotado, isolando o senador Confúcio Moura (MDB-RO) nesse debate.
“Eu fiz reunião com a bancada federal, só não com o Confúcio, mas o resto da bancada inteira foi contrário a esse movimento da concessão do jeito que foi”, disse o deputado ao explicar como se deu a articulação política após o início da cobrança do pedágio. Confúcio Moura é atualmente o único integrante da bancada federal de Rondônia alinhado ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto os demais parlamentares se posicionam na oposição ou em campos independentes.
Na entrevista, Maurício reforçou que a Câmara dos Deputados não deliberou sobre o modelo da concessão e que a decisão foi tomada no âmbito do Poder Executivo federal. Segundo ele, o papel da bancada passou a ser o de reagir a um processo já definido. “Não passou na Câmara, a gente não tem nem uma mão nisso da bancada federal”, afirmou, acrescentando que, diante das limitações institucionais, a alternativa encontrada foi ingressar com uma ação judicial por meio do partido União Brasil.

Maurício Carvalho e Confúcio têm visões diferentes sobre o processo de concessão e pedágios na BR-364 / Reprodução-Captura de Tela
O deputado também adotou um tom crítico em relação ao discurso político em torno do tema, defendendo cautela e afastando promessas de solução imediata. “Não adianta a gente ficar mentindo pra população”, disse, ao sustentar que a reversão do modelo de pedágio depende agora exclusivamente do Judiciário e, eventualmente, de uma decisão do governo federal.
As declarações de Maurício ocorrem poucos dias depois de o senador Confúcio Moura se manifestar publicamente sobre o tema, em vídeo divulgado nas redes sociais, após cobranças de parlamentares e de setores da imprensa. Na gravação, Confúcio afirmou que o processo de concessão da BR-364 teve início em 2019, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), quando Tarcísio de Freitas ocupava o Ministério da Infraestrutura.
RELEMBRE:
Confúcio se indigna com cobranças, culpa Bolsonaro e Tarcísio de Freitas pelos pedágios na BR-364 e diz: “Boa sorte a todos”
Segundo o senador, enquanto presidiu a Comissão de Infraestrutura do Senado, o tema foi amplamente debatido e seguiu os trâmites institucionais. Ele afirmou ainda que o governo atual apenas deu continuidade ao processo e que a legalidade da concessão foi homologada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Não cabe a um único senador decidir sozinho os rumos de uma concessão desse porte”, declarou, ao rebater críticas que o responsabilizavam individualmente pelos valores cobrados.
Confúcio também reagiu em tom de indignação às cobranças, classificando-as como “politicalha” e “pré-campanha”, e disse que eventuais irregularidades devem ser analisadas pela Justiça. Ao final do vídeo, desejou “boa sorte a todos” e afirmou que a concessão tende a melhorar gradativamente a segurança viária.
O contraste entre as posições evidencia uma fissura interna na bancada federal de Rondônia. De um lado, Maurício Carvalho afirma que houve consenso contrário ao modelo da concessão, com exceção de Confúcio Moura; de outro, o senador do MDB sustenta que o processo foi legítimo, institucional e iniciado em governos anteriores, afastando de si a responsabilidade direta pelas tarifas praticadas.
Enquanto o embate político se intensifica, a discussão sobre os pedágios da BR-364 segue no centro do debate público em Rondônia, agora marcada não apenas pelos impactos econômicos da cobrança, mas também pela disputa de narrativas entre parlamentares que tentam se desvincular — ou reafirmar — seu papel na origem e na condução do processo.



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