Publicada em 20/01/2026 às 09h57
Cerca de 1.500 integrantes do grupo terrorista Estado Islâmico escaparam de uma prisão na cidade de Shaddadi, no leste da Síria, segundo informou nesta segunda-feira (20) a agência Rudaw. O presídio era controlado por forças curdas que atuam no país.
A informação foi confirmada por um porta-voz das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliança militar liderada por curdos e que, nos últimos anos, foi a principal parceira dos Estados Unidos no combate ao Estado Islâmico na Síria.
Mais cedo, o Exército da Síria havia reconhecido a fuga de militantes, mas falou apenas em “um número” indeterminado de presos. As forças do governo acusaram as FDS de terem libertado os detentos.
As FDS dizem que perderam o controle da prisão após ataques de forças do governo sírio. Damasco, sede do poder central do país, nega ter atacado o presídio e afirma que suas tropas atuam para garantir a segurança da área e recapturar os fugitivos.
A fuga ocorreu em meio a uma mudança importante no controle do território sírio. Nos últimos dias, forças curdas começaram a se retirar de áreas do norte e do leste do país após um acordo de cessar-fogo com o governo sírio, encerrando anos de domínio curdo sobre essas regiões.
A retirada inclui as províncias de Raqqa e Deir al-Zor, áreas de maioria árabe que abrigam os principais campos de petróleo da Síria. Jornalistas da Reuters viram forças do governo sírio ocupando essas regiões após a saída das SDF.
Pelo acordo, as forças curdas aceitaram entregar ao governo prisões que mantinham integrantes do Estado Islâmico, além de campos de petróleo, gás e postos de fronteira — pontos que vinham sendo alvo de impasse há meses.
A prisão de Shaddadi era uma das principais unidades de detenção de terroristas sob controle das FDS. Segundo o grupo curdo, milhares de integrantes do Estado Islâmico estavam presos no local.
O episódio ocorre em meio a tensões entre a liderança curda e o governo sírio. Negociações recentes emperraram após Damasco exigir que os combatentes curdos sejam incorporados individualmente às Forças Armadas sírias, e não como unidades próprias, como defendem as FDS.
O governo da Síria tenta impor sua autoridade em todo o país, após a destituição do presidente Bashar al-Assad, no fim de 2024.



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