Publicada em 12/01/2026 às 14h52
O Folha do Sul Online, site de notícias de Vilhena, entrevistou, com exclusividade, um caminhoneiro que percorre o trecho entre Vilhena e Porto Velho e que estimou em mais de R$ 2.600,00 o valor total de pedágios para a viagem de ida e volta de carretas com nove eixos na BR-364. O cálculo foi apresentado após o início das cobranças no sistema de pedágio eletrônico adotado na rodovia concedida à iniciativa privada.
Segundo o motorista, morador de Vilhena e com 40 anos de idade, sendo cerca de duas décadas dedicadas ao transporte rodoviário, o valor projetado decorre da soma das tarifas aplicadas ao longo do percurso, considerando os diferentes pontos de cobrança instalados no trecho concedido. Ele relatou que, apenas no acesso ao município de Cujubim, será emitido um boleto no valor de R$ 333,00, com prazo de cinco dias para pagamento, referente à passagem da carreta equipada com nove eixos.
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VÍDEO: com BR 364 “privatizada”, vilhenense revela que carretas pagarão mais de R$ 2.600,00 no trecho entre Vilhena e Porto Velho
As cobranças passaram a vigorar nesta segunda-feira, 12, e utilizam o sistema conhecido como Free Flow, modalidade que dispensa praças físicas e cancelas. Nesse modelo, a identificação do veículo ocorre por meio de pórticos equipados com câmeras e sensores, capazes de reconhecer a placa ou a TAG eletrônica. A quitação é realizada posteriormente, de forma online ou por aplicativos das concessionárias, exigindo atenção redobrada dos usuários para evitar irregularidades ou golpes.
O caminhoneiro afirmou que a implantação do sistema ocorreu sem que fossem percebidas melhorias imediatas na infraestrutura da rodovia. Ele mencionou a presença de buracos ao longo da pista, inclusive em um ponto localizado sob o pórtico de cobrança em Cujubim. Também relatou que, embora alguns postos do Serviço de Atendimento ao Usuário estejam em funcionamento, ainda não existem áreas destinadas ao descanso dos motoristas em todo o trecho concedido.
Em vídeo compartilhado em um grupo de WhatsApp, o motorista comentou que “o frete vai encarecer, e a economia de Vilhena, cuja base é o transporte, pode ser duramente afetada”. A gravação circulou entre caminhoneiros e outros usuários da rodovia e sintetizou a insatisfação manifestada por parte dos condutores que utilizam diariamente a BR-364.
A concessão do trecho, que soma cerca de 700 quilômetros, foi formalizada em outubro do ano passado, quando o consórcio 4UM-Opportunity, por meio da concessionária Nova 364, venceu o leilão para administrar a rodovia federal pelo período de 30 anos. Com o início efetivo da cobrança, as tarifas passaram a ser aplicadas em diferentes municípios ao longo do percurso, incluindo Candeias do Jamari, Cujubim, Ariquemes, Ouro Preto do Oeste, Presidente Médici e Pimenta Bueno.
De acordo com o relato do caminhoneiro ao Folha do Sul Online, a soma desses valores, multiplicada pela quantidade de eixos e pelo trajeto completo de ida e volta, resulta em um custo elevado para o transporte de cargas, que tende a ser incorporado ao valor final do frete praticado na região.



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