“Vamos privatizar todas.” Foi com essa declaração que o deputado federal reeleito Lúcio Mosquini (PL), coordenador da equipe de transição do governador eleito Marcos Rogério (PL), defendeu a concessão das florestas públicas de Rondônia à iniciativa privada. Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, o parlamentar afirmou que a proposta integra o plano da futura gestão e acusou o poder público de omissão diante da ocupação e do desmatamento dessas áreas.
“Nós vamos dar concessão de toda a floresta pública de Rondônia. Vamos privatizar todas.”
Segundo Mosquini, a concessão permitirá ampliar o zelo e a proteção dessas áreas. “Aí vai ter zelo e guardião nela. Porque, como está hoje, o poder público é omisso”, afirmou.
Ao discutir produção rural e preservação, Mosquini questionou a geração de renda com a floresta em pé e afirmou que a floresta preservada “só serve pra fazer vídeo, fazer filme”. Questionado por Robson sobre a possibilidade de ganhar dinheiro com os recursos florestais, classificou a extração de castanha, mel e açaí como atividades de subsistência. O deputado também defendeu a interrupção do desmatamento e a oferta de tecnologia aos produtores.
“Ganha nada, isso é besteira. Isso é conversa fiada de ambientalista.”
“Não pode derrubar mais. Não pode. Tem que parar esse desmatamento. Tem que cessar o desmatamento.”
Na discussão eleitoral, Mosquini afirmou que votará contra o voto distrital misto com lista partidária, por considerar que o modelo amplia o controle dos dirigentes sobre os mandatos. O parlamentar defendeu o distritão, sistema em que as oito cadeiras de Rondônia na Câmara seriam ocupadas pelos candidatos mais votados, independentemente da votação das legendas.
“Ele prende o deputado na lista do partido, ou seja, você vai comer na mão do presidente do partido.”
Reeleito com 158.421 votos, a maior votação para deputado federal na história de Rondônia, Mosquini atribuiu o resultado às entregas do mandato e à atuação em defesa do agronegócio. Citou a destinação de máquinas e equipamentos, além de investimentos em saúde e educação, como fatores que contribuíram para o desempenho eleitoral.
“A resposta que eu tenho para te dar é o trabalho como carro-chefe. Mas nós precisamos de ter bandeira.”
Mosquini também disse que o PL obteve votos suficientes para eleger cinco deputados federais no estado, mas não alcançou esse número porque outros candidatos da legenda não atingiram a votação individual mínima exigida. Ao discutir mudanças no sistema eleitoral, avaliou que a proposta com lista partidária busca limitar o efeito dos puxadores de votos e citou a si próprio e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) como exemplos.
“O PL teve voto para eleger cinco deputados. Só não elegeu mais deputado porque eles não fizeram o quociente mínimo.”
Na entrevista, Mosquini também criticou a destruição de dragas e máquinas utilizadas em crimes ambientais, defendendo a apreensão dos equipamentos para leilão ou destinação a órgãos públicos. O deputado cobrou avanços na regularização fundiária, questionou a atuação do Incra e da Funai em conflitos territoriais e defendeu a permanência de produtores na Reserva Extrativista Jaci-Paraná, sob o argumento de que o próprio poder público incentivou a ocupação da área.
Assista à entrevista na íntegra:


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