O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), cobrou dos futuros senadores uma atuação que inclua respostas aos problemas da saúde, criticou os serviços da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) e defendeu uma mudança na relação do governo estadual com a capital. As declarações foram feitas na segunda parte da entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira.
Ao analisar a disputa pelo Senado, Léo afirmou que pautas ideológicas e discussões sobre costumes precisam ser acompanhadas de medidas para atender à população. Citou a assistência à saúde e o tratamento do câncer como demandas que devem fazer parte da atuação parlamentar.
“Nós temos oportunidade de colocar parlamentares que possam discutir costumes, mas também que possam discutir a vida real da população. O problema da saúde, que é um problema crônico. O problema do câncer, que é um problema crônico.”
O prefeito disse que os representantes podem manter suas convicções políticas sem deixar de atender quem depende dos serviços públicos. A cobrança foi dirigida à atuação dos senadores, sem mencionar nominalmente um candidato nesse trecho.
“Não dá pra gente ficar num mundo da ilusão, de só a parte ideológica.”
“Você mantém a sua ideologia, as suas convicções doutrinárias, mas você atende e assiste ao povo.”
Na avaliação sobre o governo estadual, Léo defendeu uma mudança de orientação em relação a Porto Velho. Disse que a substituição do governador não impede a continuidade de políticas da atual gestão, caso o sucessor tenha seu apoio. Para o prefeito, a próxima administração precisa dar outro tratamento às demandas da capital.
“Se ele apoia, pode ter uma continuidade de alguma das políticas públicas que sequer foram colocadas em prática ou, enfim, a omissão delas. Eu espero que tenha uma mudança e que o próximo governador pense bem diferente do atual.”
Léo acusou o governo de deixar Porto Velho em segundo plano e questionou o discurso municipalista da gestão. Em outro momento da entrevista, afirmou manter uma boa relação pessoal com o governador, mas cobrou alinhamento entre Estado e prefeitura para viabilizar investimentos.
“Não faz sentido um governo que diz ser municipalista ficar de costas da capital de um Estado.”
O saneamento foi um dos pontos usados pelo prefeito para criticar a atuação estadual. Léo mencionou que a tentativa de concessão não recebeu propostas e afirmou que Porto Velho ainda enfrenta carências básicas enquanto outras capitais discutem investimentos em tecnologia e inovação.
“Outras capitais estão discutindo desenvolvimento da transformação digital, IA, estão discutindo startup, incubadora, e a gente tá tentando ainda se socorrer no saneamento básico.”
Ao tratar da Caerd, reclamou das intervenções realizadas nas vias da cidade. Também relacionou a deficiência do saneamento a problemas de saúde que atingem principalmente crianças e idosos.
“A gente tá tentando se socorrer ainda na Caerd, que sai rasgando todas as ruas da nossa cidade.”
A cobrança por investimentos também alcançou deputados estaduais e federais. Segundo Léo, há parlamentares que recebem votação expressiva em Porto Velho, mas não encaminham recursos ao município. O prefeito afirmou que essa falta de apoio dificulta obras de infraestrutura e a ampliação dos serviços públicos.
“Deputado que faz 10 mil votos, 11 mil votos em Porto Velho, deputado estadual que faz 9 mil votos, 13 mil votos em Porto Velho não destina um real para o município.”
Apesar das críticas, reconheceu o apoio de integrantes da bancada federal. Citou recursos encaminhados por Coronel Chrisóstomo, Fernando Máximo e Cristiane Lopes, destacou o trabalho de Sílvia Cristina na saúde e mencionou repasses dos senadores Confúcio Moura, Jaime Bagattoli e Marcos Rogério.
Assista na íntegra:


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