O chanceler do Japão, Toshimitsu Motegi, afirma que o país leva "muito a sério" as preocupações dos setores produtivos do Japão, em especial a agricultura e a pecuária, em relação ao início das negociações entre o país asiático e o Mercosul.
"Eu pude ouvir diretamente as opiniões das organizações relacionadas a esses segmentos e estou plenamente ciente das sensibilidades do lado japonês", diz, em entrevista à Folha por email.
Iniciadas em junho, as tratativas visam estabelecer um Acordo de Parceria Econômica (EPA, na sigla em inglês), que busca expandir o acesso a diferentes mercados, entre eles o agropecuário, e deve diminuir as alíquotas de importação.
O Brasil ainda segue tentando a abertura do mercado japonês para a carne bovina, em um processo que avança lentamente e está em fase de liberação sanitária.
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O setor pecuário brasileiro vive ainda os efeitos da salvaguarda chinesa para carne bovina, que estabeleceu uma cota anual de importação da commodity e afetou especialmente o Brasil, principal exportador de carne bovina para a China.
O início das negociações entre Japão e Mercosul também ocorreu quatro meses após o fechamento do Estreito de Ormuz, que forçou países a buscar alternativas para o fornecimento de diversos itens, em especial o petróleo.
A commodity foi um dos temas da pauta do chanceler brasileiro Mauro Vieira em sua visita a Tóquio, acompanhado de um executivo da Petrobras. Sobre o tema, Motegi afirma que a aquisição será tratada diretamente pelas empresas, mas que o desejo é fortalecer a cooperação no setor energético.


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