O Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias se os Estados Unidos aliviarem a pressão militar e suspenderem o bloqueio aos portos iranianos, disse um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters, nesta terça-feira (22).
Segundo a fonte oficial, que falou de forma anônima, a delegação iraniana que viajou para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, tem plena autoridade para retomar as relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Esta semana, o Irã entregou aos EUA, por meio de mediadores, uma nova proposta de acordo para dar fim às hostilidades entre os dois países.
"Os EUA precisam anunciar que desejam resolver a questão diplomaticamente, oficializar isso e, em seguida, concordar com um cronograma para o andamento do processo. A Assembleia Geral da ONU é uma oportunidade de ouro para os EUA retomarem a diplomacia", disse o funcionário, acrescentando que Teerã acolheria com satisfação uma retomada das relações diplomáticas caso Washington tomasse medidas concretas.
Em entrevista à emissora NBC, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou estra "aberto a uma reunião com o Irã na ONU". Afirmou, porém, que não havia nada agendado.
"Estamos abertos a isso. Não acho que nada esteja agendado neste momento, mas certamente estamos abertos a algo assim, especialmente se tiver perspectivas de levar a algo positivo e, em última análise, alcançar o objetivo de tudo isso. E esse é o fato: o Irã jamais poderá ter uma arma nuclear. Simplesmente não pode", falou Rubio em entrevista ao programa "Today".
À Reuters, a autoridade iraniana também disse que não havia previsão de encontro entre o presidente do país, Masoud Pezeshkian, que deixou Teerã rumo a Nova York na manhã desta terça, com o presidente americano, Donald Trump.
Em um vídeo divulgado durante o voo a caminho do evento, Pezeshkian falou sobre sua expectativa e criticou Washington:
"Espero que as pessoas no mundo tomem conhecimento dos comportamentos injustos que estão ocorrendo na região e que a assembleia, realizada sob o lema confiança, devolva a confiança ao mundo e trabalhe pelo fim da guerra e do derramamento de sangue. Falaremos sobre o sofrimento das nossas crianças em Minab e Lamerd, e sobre a selvageria dos responsáveis por esses crimes; um ser humano não pratica atos como esses, e esses comportamentos são lamentáveis".
Barcos no Estreito de Ormuz, vistos de Musandam, em Omã — Foto: REUTERS/Stringer
Irã ameaça retaliar 'sem qualquer limitação' caso volte a ser atacado
No domingo (20), o Irã disse ter recebido informações de que os Estados Unidos estariam se preparando para retomar os bombardeios contra o Irã e ameaçou retaliar "sem qualquer limitação" contra alvos norte-americanos no Oriente Médio caso isso aconteça.
O alerta veio do Comando Militar Central do regime iraniano após a imprensa dos EUA ter reportado nos últimos dias que o governo Trump estaria se preparando para uma nova escalada contra o Irã na guerra que os dois países travam há mais de seis meses.
"Qualquer ataque dos EUA [contra território iraniano] levará a uma retaliação iraniana sem quaisquer limitações ou considerações contra bases e interesses dos EUA [no Oriente Médio", afirmou o Comando Militar Central iraniano em comunicado.


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