Prof. Herbert Lins – MTE 1143
Entre o clã e as urnas: Bolsonaro em xeque, Bruno Scheid em campo e Nikolas no calor de Rondônia
CARO LEITOR, faltam seis dias para as urnas, e a família Bolsonaro chega à reta final diante de uma equação indigesta. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trocou a cadeira de senador pelo sonho do Palácio do Planalto. Se perder a Presidência, perde também o mandato que deixou para trás. Carlos Bolsonaro (PL-SC) abandonou o Rio de Janeiro e mudou o domicílio para Santa Catarina em busca de uma vaga no Senado. Só esqueceu de combinar com o bairrismo catarinense. Sem a cadeira de vereador e patinando na corrida, pode terminar a aventura sem mandato e sem território político. Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), eleito vereador em Balneário de Camboriú nas eleições municipais de 2024, tenta subir mais um degrau rumo à Câmara dos Deputados, mas também enfrenta dificuldades. Eduardo Bolsonaro, sem mandato após perder a cadeira de deputado federal, segue autoexilado nos EUA. É aí que está o problema do clã Bolsonaro: cada peça chega à eleição dependendo da urna para preservar seu espaço político e os resultados não vierem, 2026 pode marcar o encolhimento político da família Bolsonaro. A urna dará a palavra final.
Consanguínea
Caberá a Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Bruno Scheid (PL-RO), sem qualquer relação consanguínea com a família Bolsonaro, a missão de manter o sobrenome em evidência na política. Ambos disputam vagas ao Senado.
Missão
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) disputa uma cadeira pelo Distrito Federal e chega à reta final como favorita. A missão é transformar a força do sobrenome Bolsonaro em votos e garantir mais um mandato para o grupo político.
Precisa
Em Rondônia, Bruno Scheid (PL) disputa o voto ideológico da direita e da extrema direita. Bruno precisa transformar o sobrenome Bolsonaro em votos e provar que a marca ainda tem força eleitoral longe do clã.
Previsão
Com Bruno Scheid (PL) pode acontecer algo parecido com o que ocorreu com Jaime Bagattoli (PL). Em 2018, quase venceu a eleição ao Senado e, em 2022, voltou à disputa e conquistou a cadeira. Afinal, urna aberta costuma contrariar muita previsão.
Semelhante
Em movimento semelhante ao do Amapá, Nikolas Ferreira (PL-MG) desembarcou ontem (27) em Ji-Paraná, a convite de Bruno Scheid (PL-RO), para engrossar o coro contra Lula, defender o impeachment de Alexandre de Moraes e pedir anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro.
Estimou
Sob sol de rachar e em horário pouco convidativo, Nikolas Ferreira e Bruno Scheid levaram milhares de pessoas ao Complexo Beira Rio. A organização estimou cerca de cinco mil pessoas. No calor de Ji-Paraná, o “Fora Moraes” ganhou projeção nacional.
Comparar
Detalhe: ao comparar as imagens do “Fora Moraes” realizado em Rondônia com as do ato em Macapá, em 13/09, a diferença salta aos olhos. O evento no Amapá reuniu público maior que o de Ji-Paraná, a capital da direita em Rondônia. Agora, é esperar as urnas.
Cresceu
Gosto de circular pelas cidades por onde passo. Em Ji-Paraná, conversando em estabelecimentos comerciais e na feira livre, percebi algo diferente das visitas anteriores: Hildon Chaves (União) cresceu no voto silencioso e já incomoda quem antes o tratava como coadjuvante.
Presença
E a que atribuir esse crescimento de Hildon Chaves (União) no interior? À propaganda eleitoral, entrevistas, reuniões e, sobretudo, à presença física. Onde chega, o candidato esbanja carisma, conversa olho no olho e transforma presença territorial em capital político.
Boataria
Talvez por isso a oposição tenha começado a espalhar o boato de que Hildon Chaves (União) está “doente”. É bom ter cuidado: a boataria pode produzir o efeito “Antonio Mariz”, “Mário Covas” e “Bruno Covas”, quando o eleitor reage nas urnas em defesa de um candidato com a biografia política limpa e com capacidade de entrega comprovada.
Crise
Enquanto Hildon cresce no voto silencioso, Marcos Rogério (PL) surfa no favoritismo para vencer o primeiro turno. Na outra ponta, Adailton Fúria (PSD) vê seu favoritismo derreter na crise com o governador Coronel Marcos Rocha (PSD), transformando uma disputa interna em problema eleitoral.
Atabalhoada
O curioso é que Marcos Rocha tem popularidade pessoal e entregas nos municípios. Mas ele, sua equipe e o próprio Fúria não conseguiram transformar obras, ações e resultados em capital político. Preferiram uma campanha atabalhoada e agora podem descobrir que voto não se fabrica na última semana.
Debandada
Adailton Fúria (PSD) assiste à debandada do próprio palanque. Em Porto Velho, perdeu os apoios do deputado estadual Marcelo Cruz (Avante) e do Pastor Ivanildo (PSD). Na reta final, aliados começam a abandonar o barco, deixando Fúria cada vez mais isolado.
Abraçado
O ex-deputado estadual Jair Montes, presidente estadual do Avante, partido coligado ao PSD de Fúria, publicou vídeo nas redes sociais reafirmando o apoio à candidatura. Disse que, se preciso, ele “morrerá abraçado” com Fúria.
Velório
Mas a frase permite uma leitura política curiosa: ao falar em “morrer abraçado”, Jair Montes, apresentado como único cientista político de Rondônia, parece preparar o próprio partido para o pior cenário. Na política, às vezes, até a declaração de apoio vem com cheiro de velório eleitoral.
Funeral
Falando em velório, o clima no MDB é de funeral eleitoral. Pedro Abib (MDB) apostou no discurso técnico, mas não conseguiu converter ciência e dados em força eleitoral. Na reta final, sua candidatura segue com baixa expressão no cenário da disputa.
Discurso
O problema de Abib é que conhecimento técnico, sozinho, não faz campanha. Enquanto o candidato tenta explicar Rondônia em planilhas, gráficos e teorias, o eleitor parece cobrar algo mais simples: presença, conexão e capacidade de transformar discurso em voto.
Atingiu
A tentativa de Expedito Netto (PT) de puxar o tapete da candidatura de Samuel Costa (PSB) ao Governo e a recusa ao desafio do exame toxicológico abriram uma crise que atingiu diretamente a campanha petista na reta final.
Munição
Samuel Costa (PSB) propôs que ambos doassem uma gota de sangue para o exame. Expedito Netto (PT) não aceitou. O episódio virou munição para o adversário e, na leitura política da campanha, ajudou a fazer derreter o favoritismo que o petista vinha construindo para chegar ao segundo turno.
Pressão
Falando em derreter, o ex-senador Acir Gurgacz (PDT) chega à reta final da disputa ao Senado sob pressão. Com um marketing que parece cansado e uma estratégia que enfrenta o desafio de renovar o discurso, Acir precisa reagir.
Devorado
Na política, criador também pode ser devorado pelas próprias criaturas. Nesta eleição, Silvia Cristina (PP) e Marcos Rogério (PL) ameaçam ocupar o espaço sonhado por Acir Gurgacz (PDT), que terá de mostrar, nas urnas, se ainda consegue sobreviver à selva eleitoral.
Mulheres
Rondônia tem quatro mulheres na disputa pelo Senado: a jornalista Luciana Oliveira (PT), Neidinha Suruí (PSB), Silvia Cristina (PP) e Mariana Carvalho (Republicanos). Em uma disputa marcada pelo poder, todas enfrentam o peso de uma política ainda atravessada pelo machismo.
Ataques
Os ataques assumem diferentes formas: violência política e de gênero contra Luciana Oliveira e Neidinha Suruí; machismo e deboche contra Mariana Carvalho; e, no caso de Silvia Cristina, manifestações de caráter homofóbico e preconceituoso. A crítica política não pode virar desrespeito.
Desrespeito
O que muda de uma candidata para outra é o tipo de ataque; o desrespeito, porém, é o mesmo. Quando mulheres ocupam espaços de poder, ainda são submetidas a uma régua diferente. E combater essa violência é também defender a democracia e a participação feminina.
Levará
Falando em participação feminina, Guajará-Mirim coloca três mulheres na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa: as ex-prefeitas Raissa Bento (PSD) e Mary Granemann (Avante), além da deputada estadual Taissa Souza (PL), que busca a reeleição. A urna dirá quem levará a melhor.
Ampliar
O parlamento estadual também pode ampliar a representação feminina de Porto Velho com a possível eleição da professora Glaucia Negreiros (Podemos). Caso confirme a votação projetada, a educadora poderá transformar sua trajetória política em uma cadeira na Assembleia e engrossar a bancada feminina.
Sério
Falando sério, a seis dias das urnas, sobram apostas, provocações e cálculos de última hora. Há quem conte votos, quem conte aliados e quem já conte derrotas. Mas eleição é como feira: só depois de aberta a urna se sabe quem vendeu promessa e quem entregou voto.


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