Montagem feita com recursos de IA / Reprodução (Rondônia Dinâmica)
PORTO VELHO, RO - A pesquisa Quaest divulgada na terça-feira, 25 de agosto, coloca Marcos Rogério (PL) numericamente à frente da disputa pelo Governo de Rondônia, com 24% das intenções de voto na estimulada, seguido por Adailton Fúria (PSD), com 21%. Expedito Netto (PT) e Hildon Chaves (União) têm 10% cada; Samuel Costa (PSB), 2%; e Pedro Abib (MDB), 1%. Outros 10% declaram voto branco, nulo ou não votar, e 22% estão indecisos.
A diferença de três pontos entre Marcos Rogério e Fúria coincide com a margem de erro, de três pontos percentuais para mais ou para menos. Há liderança numérica, mas não distância suficiente para tratar o primeiro turno como definido. A própria Quaest mostra uma eleição mais aberta quando se observam espontânea, conhecimento dos candidatos, possibilidade de mudança do voto, segundo turno, padrinhos nacionais, avaliação de Marcos Rocha e desejo de continuidade.
Na espontânea, Fúria aparece com 12%, Marcos Rogério com 11%, Hildon com 4% e Expedito com 3%. O dado dominante, porém, é o de 65% de indecisos. Na estimulada, esse índice cai para 22%. Além disso, 57% dizem ter escolha definitiva, enquanto 42% admitem que ainda podem mudar de voto até 4 de outubro.
O grau de conhecimento ajuda a explicar quanto ainda pode mudar. Marcos Rogério é desconhecido por 33%; 40% dizem conhecê-lo e votar nele, e 27%, conhecê-lo e não votar. Fúria é desconhecido por 47%; 35% o conhecem e votariam nele, e 18% o conhecem e não votariam. Hildon é desconhecido por 58%; 20% dizem que votariam nele e 22% que não votariam. Expedito é desconhecido por 43%; 17% dizem que votariam nele e 40% que não votariam, maior resistência entre os testados. Samuel Costa é desconhecido por 83%, e Pedro Abib, por 88%. Desconhecimento, contudo, não é reserva automática de votos: a exposição pode gerar adesão ou rejeição.
Marcos Rogério também lidera todos os cenários de segundo turno em que aparece. Contra Fúria, vence por 40% a 29%; contra Expedito, por 49% a 23%; e contra Hildon, por 47% a 20%. Fúria vence Hildon por 37% a 23% e Expedito por 41% a 18%. Hildon supera Expedito por 33% a 27%. Mesmo nesses cenários, a soma de indecisos com branco, nulo ou nenhum varia de 28% a 40%, mantendo parcela relevante do eleitorado fora das duas candidaturas testadas.
A política nacional também pesa. Para 43%, o próximo governador deveria ser aliado de Flávio Bolsonaro; 23% preferem um aliado de Lula; 30%, um governador independente; e 4% não sabem. O apoio de Flávio aumenta a chance de voto para 36%, não altera para 42% e diminui para 19%. Com Lula, 18% dizem que o apoio aumenta a chance de voto, 36% que não muda e 43% que diminui. Isso favorece o campo de Marcos Rogério, mas não autoriza transformar preferência nacional em transferência automática de votos.
O maior paradoxo está na avaliação de Marcos Rocha. O governo é aprovado por 46% e desaprovado por 34%; 20% não sabem ou não responderam. Na avaliação qualitativa, 32% consideram a gestão positiva, 44% regular e 17% negativa. Porém, apenas 38% dizem que Rocha merece eleger um sucessor, contra 45% que dizem que não. E, sobre os rumos de Rondônia, somente 17% querem continuidade; 34% desejam mudar o que não está bom; e 44%, mudança total. Assim, 78% manifestam algum grau de desejo de mudança.
Para Fúria, apoiado por Rocha, isso cria uma equação delicada: o governador tem aprovação superior à desaprovação, mas a continuidade integral é minoritária e 45% não consideram que ele mereça fazer o sucessor. O desafio é aproveitar o ativo da gestão sem parecer simples reprodução dela. Marcos Rogério, por outro lado, combina liderança, vantagem nos segundos turnos, associação ao campo nacional mais bem recebido e possibilidade de disputar o eleitor que deseja mudança; sua principal barreira é o índice de 27% que o conhecem e não votariam nele.
A agenda concreta do eleitorado também limita leituras puramente ideológicas. Para 37%, a saúde é o principal problema de Rondônia, muito à frente da violência, com 13%; infraestrutura, 9%; corrupção, 7%; desemprego e economia, 4% cada; educação, 3%; pobreza ou desigualdade, 2%; e enchentes, 1%. O eleitor pode preferir um campo nacional, aprovar parcialmente o governo e, ao mesmo tempo, exigir mudança e respostas locais.
Por isso, reduzir a Quaest ao placar de 24% a 21% esconde parte essencial do levantamento. Marcos Rogério lidera numericamente e chega mais forte aos confrontos diretos; Fúria está próximo, lidera a espontânea e ainda é desconhecido por quase metade do eleitorado; Hildon e Expedito têm os mesmos 10%, mas perfis de conhecimento e resistência muito diferentes; Samuel e Abib ainda precisam, antes de tudo, tornar-se conhecidos.
A eleição segue aberta porque 22% continuam indecisos mesmo com a lista de candidatos, 65% não citam espontaneamente um nome e 42% admitem mudar o voto. O resultado dependerá de quem conseguir converter desconhecimento em reconhecimento, reduzir resistências, disputar os indecisos e responder à principal cobrança do eleitor: saúde.
A Quaest ouviu 804 pessoas com 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto de 2026. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi encomendado pela Rede Amazônica e registrado no TSE sob os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026.


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