Prof. Me. Herbert Lins – MTE 1143
Entre a pesquisa e a urna existe uma campanha inteira: entrevista, debate, propaganda e gestos podem transformar a intenção do eleitor
CARO LEITOR, pesquisa eleitoral não é fotografia do futuro. É retrato de um momento, produzido a partir de um método, de uma amostra e de circunstâncias que podem mudar rapidamente. Por isso, transformar números em sentença definitiva é um erro comum nas campanhas. Uma entrevista bem colocada, um debate convincente, um programa eleitoral criativo ou até um gesto espontâneo com o eleitor podem alterar percepções e intenções de voto. Da mesma forma, uma estratégia equivocada do marqueteiro pode fazer uma candidatura perder terreno em poucos dias. O eleitor não é estático, tampouco sua escolha. Pesquisa serve para orientar, identificar tendências e corrigir rumos. Quem comemora demais um bom resultado pode ser surpreendido; quem se desespera com um número ruim pode reagir e virar o jogo. Na eleição, o resultado só existe quando as urnas fecham.
Bússola
Pesquisa eleitoral serve como bússola da campanha: orienta decisões, identifica tendências, mostra pontos fortes e fragilidades e permite corrigir rumos. Mais que comemorar ou lamentar números, o importante é compreender o recado do eleitor e reagir.
Vencedor
Percepções mudam conforme o eleitor recebe novas informações, acompanha debates, entrevistas, propagandas ou observa atitudes dos candidatos. Por isso, a intenção de voto não é definitiva: pode oscilar até a reta final e surpreender quem se considera vencedor.
Mensagem
O método do marqueteiro pode mudar a percepção do eleitor ao ajustar discurso, imagem, linguagem e estratégia. Uma campanha que encontra a mensagem certa, no momento certo, pode conquistar votos e alterar rapidamente os números de uma pesquisa.
Pesquisa
A pesquisa Quaest para o governo de Rondônia e o Senado, divulgada ontem (25), foi encomendada pela Rede Amazônica. O levantamento ouviu 804 eleitores com 16 anos ou mais, entre 21 e 24 de agosto.
Confiança
A pesquisa tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob os números RO-05711/2026 e BR-00490/2026.
Favorece
Segundo a Quaest, os candidatos ao governo de Rondônia no campo da direita e centro-direita aparecem assim na pesquisa estimulada: Marcos Rogério (PL), 24%; Adailton Fúria (PSD), 21%; e Hildon Chaves (União), 10% O cenário favorece o campo conservador.
Vantagem
Entre os candidatos do campo da esquerda e centro-esquerda, a pesquisa Quaest aponta: Expedito Netto (PT), 10%; Samuel Costa (PSB), 2%; e Pedro Abib (MDB), 1%. O cenário mostra vantagem dos nomes da direita na corrida pelo Palácio de Rondônia em 2026.
Admitem
Vale atenção aos números de branco, nulos e indecisos: 10% relataram que não votarão em nenhum nome, enquanto 22% ainda estão indecisos. Para 57%, a escolha é certa; outros 42% admitem mudar o voto até 4 de outubro, o que mantém o cenário ainda aberto.
Espaço
Com 42% dos eleitores admitindo mudar o voto, Hildon Chaves (União) tem espaço para reagir. Um bom desempenho em debates, entrevistas, programa eleitoral e nas ruas pode fazê-lo superar Fúria e se aproximar de Marcos Rogério (PL).
Curiosos
Os números da pesquisa espontânea da Quaest são curiosos, pois os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores. Adailton Fúria (PSD) aparece com 12%; Marcos Rogério (PL), 11%; Hildon Chaves (União), 4%; e Expedito Netto (PT), 3%.
Lidera
O dado que mais chama atenção no levantamento espontâneo é o alto índice de indecisos: 65%. O candidato governista Adailton Fúria (PSD) lidera na espontânea e, como citei no editorial, mostra que gestos e presença junto ao eleitor podem fazer diferença na construção de uma candidatura e na intenção de voto.
Vencendo
Em todos os cenários de segundo turno testados pela Quaest, o senador Marcos Rogério (PL) aparece vencendo os adversários. Mas o resultado exige cautela: cabe ao candidato, à equipe e ao marketing evitar o perigoso sentimento de “já ganhou”, que pode desacelerar a campanha e transformar vantagem em derrota.
Fase
Agora não é hora de tirar o pé do acelerador. A campanha entra em uma fase decisiva, na qual cada movimento pode ampliar ou reduzir a vantagem. Em uma corrida eleitoral, como na Fórmula 1, é preciso aproveitar as oportunidades, corrigir rapidamente os erros e dar arrancadas no momento certo para chegar à bandeirada final em primeiro lugar.
Pulverizada
A pesquisa Quaest para o Senado precisa ser lida de forma diferente da corrida ao governo. Como Rondônia elegerá dois senadores, o levantamento considera as menções para a primeira e a segunda vagas, mantendo a proporção entre candidatos, brancos, nulos e indecisos. O cenário mostra uma disputa pulverizada.
Competitivos
No campo da direita, Dr. Fernando Máximo (PL) lidera com 17%, seguido por Bruno Bolsonaro Scheid (PL), com 11%, Mariana Carvalho (Republicanos), com 10% e o Engenheiro Thúlio (Missão) com 1%. A concentração de três nomes competitivos mostra que a direita tem força, mas também enfrenta uma disputa interna pelo eleitorado.
Empatada
No centro-direita, Sílvia Cristina (PP) aparece com 11%, empatada numericamente com Bruno Bolsonaro Scheid e próxima de Mariana Carvalho (Republicanos). Já o candidato governista Luis Fernando (PSD) registra 1%. O desempenho de Sílvia mostra capacidade de ocupar espaço além da polarização entre os campos ideológicos.
Esquerda
Na esquerda, Acir Gurgacz (PDT) aparece com 5%, seguido por Luciana Oliveira (PT), com 4%. Neidinha Suruí (PSB) tem 1%, enquanto Aires Mota (PV) não pontuou. O bloco, portanto, parte de uma posição mais distante dos líderes, mas ainda pode crescer durante a campanha.
Alterar
O dado mais importante está na parcela de eleitores que ainda não definiu a escolha: 26% estão indecisos, enquanto 13% afirmam votar branco, nulo ou não votar. Somados, representam 39%, um contingente capaz de alterar completamente a fotografia atual da corrida pelas duas cadeiras.
Máximo I
A leitura estratégica é clara: ninguém pode cantar vitória. Fernando Máximo (PL) parte na frente, mas pode perder terreno por erros estratégicos, como o apoio do prefeito Léo Moraes (Podemos) a Sílvia Cristina (PP) para o segundo voto da chapa de Máximo, que tem Sandra Moraes como primeira suplente.
Máximo II
O movimento, porém, pode ser interpretado como uma contradição por parte do eleitorado bolsonarista, que tende a enxergar a troca de apoios como uma espécie de traição a Bruno Bolsonaro Scheid (PL). O cálculo político pode produzir efeito inverso: Máximo e Sílvia Cristina podem perder votos justamente entre eleitores que não aprovam a composição.
Acelerar
A segunda vaga ao Senado está completamente aberta. Bruno Bolsonaro Scheid (PL), Mariana Carvalho (Republicanos) e Sílvia Cristina (PP) estão próximos, enquanto os demais candidatos precisam acelerar para entrar na zona competitiva. Com 39% entre indecisos e brancos/nulos, a campanha terá espaço para mudar percepções, conquistar votos e produzir novas lideranças até outubro.
Concentra
Em um encontro espontâneo com a ex-deputada federal Jaqueline Cassol (PSD), que disputa novamente uma vaga na Câmara dos Deputados, conversamos sobre a campanha. Ela disse que concentra forças na Zona da Mata, Região do Café e Vale do Guaporé, onde vê potencial de desempenho eleitoral.
Demonstrou
Jaqueline Cassol (PSD) demonstrou animação com a disputa e confiança no trabalho realizado como deputada federal e na Casa Civil do governo Coronel Marcos Rocha (PSD). Busca fortalecer base, ampliar apoio e transformar atuação em votos para voltar à Câmara.
Otimista
Ontem (25), almocei no Restaurante Paroca com o deputado estadual Edevaldo Neves, candidato à reeleição pela federação PRD/Solidariedade. Otimista, ele acredita que o método e a estratégia adotados podem levá-lo a superar 15 mil votos.
Pedreira
Edevaldo Neves (PRD) terá uma disputa dura dentro da federação PRD/Solidariedade. Enfrenta os/as deputados/as estaduais Rosangela Donadon (PRD), Gislaine Lebrinha (PRD), Jean de Oliveira (PRD), Ribeiro do Sinpol (PRD), Pedro Fernandes (PRD) e o ex-deputado federal Carlos Magno (Solidariedade). É pedreira pela frente.
Traição
Além da nominata pesada pela frente, Edevaldo Neves (PRD) sofreu um duro golpe com a traição do vereador Fernando PM (Republicanos), que decidiu disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O revés, porém, foi compensado pelo apoio dos vereadores Edmilson Dourado e Dr. Macário, ambos do União Brasil.
Decidiu
Falando em traição, o vereador Edmilson Dourado (União Brasil), que apoiava o médico Jaime Gazola (Podemos) para deputado federal, voltou atrás e decidiu caminhar com o deputado federal Maurício Carvalho (União), que busca a reeleição.
Percorre
O vereador Dr. Breno Mendes (Avante) percorre o interior de Rondônia ao lado do presidente estadual do partido, ex-deputado Jair Montes, para fortalecer sua presença política e construir uma boa performance eleitoral. O objetivo é conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa a partir de fevereiro.
Sério
Falando sério, a pesquisa Quaest colocou gasolina na fogueira eleitoral de Rondônia. Lideranças aparecem, outras respiram por aparelhos e muita gente ainda pode mudar de voto. Entre alianças, traições, estratégias e gestos, a campanha está apenas começando. Como na Fórmula 1, quem achar que já venceu pode ficar pelo caminho antes da bandeirada.


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