O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu nesta sexta-feira (19) declarações do líder supremo do Irã de que teria agido em desespero ao firmar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio e afirmou que o regime no país persa não receberá "nem um centavo", apesar de o entendimento prever compensação financeira a Teerã.
"Não nos reunimos por desespero, foi o Irã. Eles estão acabados! Vamos cumprir os 60 dias. Eles não recebem um centavo, nem um centavo", escreveu Trump na plataforma Truth Social.
A publicação ocorreu num momento em que a eficácia do acordo é questionada, sobretudo após novos ataques de Israel contra alvos no Líbano e o adiamento de uma rodada de conversas que deveria ocorrer nesta sexta, na Suíça.
O memorando de entendimento, firmado no último domingo (14) e assinado na quarta (17), prevê a liberação de US$ 24 bilhões em bens bloqueados do Irã. O texto determina também um plano de reconstrução e investimento direcionado ao Irã no valor de US$ 300 bilhões.
Depois que o conteúdo veio a público, Trump e seu vice, J. D. Vance, disseram que o regime não receberá "nem um centavo" de dinheiro público americano, e que o valor mencionado será negociado junto às monarquias do golfo Pérsico -inimigas de Teerã. Na publicação desta sexta, o presidente americano não especifica se ele se referia apenas a recursos financeiros dos EUA ou a de outras nações também.
O post foi uma resposta ao líder supremo do Irã. Mais cedo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o americano assinou o acordo "por desespero" e acrescentou que as futuras negociações sobre o programa nuclear não serão fáceis. Segundo ele, Teerã não aceitará exigências excessivas de Washington.
Além da compensação financeira, o memorando assinado pelos dois países estabelece um prazo de 60 dias para que negociadores cheguem a um entendimento sobre o programa nuclear iraniano e outras questões pendentes. O acordo também prevê a possibilidade de prorrogação do cessar-fogo temporário.
Segundo o Wall Street Journal, o governo dos EUA prepara um pedido de US$ 80 bilhões em recursos adicionais para cobrir os custos da guerra e financiar outras prioridades domésticas. A solicitação, que ainda deverá ser enviada ao Congresso, ocorre diante de dúvidas sobre o impacto financeiro do conflito e à pressão enfrentada por Trump antes das eleições de meio mandato, marcadas para novembro.
O secretário adjunto de Defesa, Stephen Feinberg, informou parlamentares sobre a necessidade dos recursos durante telefonemas feitos nesta semana, de acordo com o jornal. O pacote incluiria verbas para o Pentágono, mas também dinheiro destinado a áreas sem relação direta com a guerra, como programas de auxílio agrícola e assistência a vítimas de desastres naturais.
A agência de notícias Reuters não conseguiu verificar de forma independente a informação. Já a Casa Branca e o Departamento de Defesa não comentaram o assunto.



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