O gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira (23), ter encaminhado aos Estados Unidos um pedido para participar da audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) do dia 6 de julho, que trata sobre as tarifas propostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros.
Até a última atualização desta reportagem, não havia menção ao senador ou ao gabinete dele na lista divulgada pelo USTR de pessoas ou entidades que pediram para participar da audiência. Nem a representantes do governo federal.
O site do USTR informa, no entanto, que a lista não é atualizada em tempo real e que pode haver atraso na inclusão de requerimentos.
A lista inclui o influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, além de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e representates da sociedade rural, varejo e mineração. As inscrições para participar da audiência nos EUA terminaram nessa segunda-feira (22).
O documento de inscrição foi recebido pelo blog na noite de segunda (22), e divulgado oficialmente pela assessoria de Flávio no Senado nesta terça (23).
Desde 2 de junho, data em que o governo norte-americano divulgou a nova proposta de tarifa adicional sobre mercadorias brasileiras, representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm intensificado as discussões com representantes norte-americanos.
A estratégia do governo brasileiro tem como foco a negociação diplomática, apresentação de argumentos técnicos e pressão política. O objetivo é convencer os americanos de que uma solução negociada seria mais vantajosa para os dois lados do que a imposição da tarifa de 25% (entenda mais abaixo).
O governo trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema.
Interlocutores no governo afirmam que essas audiências públicas convocadas pelo USTR são um espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil. Trata-se de uma sessão em que as pessoas submetem documentos e pedem para se manifestar.
O formato se assemelha, no entendimento do governo, a uma audiência pública do Congresso Nacional, e não um espaço de negociação entre os Estados.
Existe um canal direto de negociação entre os governos brasileiro e norte-americano, no qual o governo vem apresentando a defesa das posições do país, tanto pro escrito quanto por meio de reuniões.
O presidente Donald Trump fala no Salão Oval da Casa Branca durante a assinatura de uma ordem executiva sobre computação quântica, na segunda-feira, 22 de junho de 2026, em Washington — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
Audiências públicas
A audiência da primeira semana de julho integra o processo previsto na legislação comercial americana e permitirá que empresas, associações, governos e outros interessados apresentem arumentos antes da decisão final da administração do presidente Donald Trump sobre as tarifas de 25% contra o Brasil.
O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos EUA. Ele conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.
Em 1º de junho, o USTR conclui investigação da Seção 301 contra o Brasil e propôs tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
No documento enviado ao órgão americano, Flávio Bolsonaro se identifica como membro do Senado Federal, figura de destaque na oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência da República para as eleições de outubro deste ano.
O parlamentar solicitou um tempo de cinco minutos para se manifestar de forma presencial e em inglês perante o comitê.
No requerimento, o senador também cita já ter se reunido pessoalmente com o presidente Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado americano Marco Rubio para tratar dos temas que motivaram a investigação.



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