PORTO VELHO, RO - O vereador Amarilson Carvalho, do PL, se manifestou nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026, durante a 13ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Cacoal, sobre o episódio envolvendo o ex-prefeito de Cacoal e pré-candidato ao Governo de Rondônia pelo PSD, Adaílton Fúria. Em pronunciamento no plenário, o parlamentar apresentou uma nova explicação sobre sua presença nas proximidades da residência do ex-chefe do Executivo municipal e afirmou que foi ao local após receber informação de que haveria um encontro político com suposto uso de estrutura do Estado.
O caso havia ganhado repercussão na quinta-feira (07) anterior, quando Fúria relatou ter sido alertado por vizinhos sobre a presença de um homem em uma caminhonete parada nas proximidades de sua casa, supostamente filmando a movimentação da residência e a rotina dos filhos. Na ocasião, o ex-prefeito afirmou que decidiu ir até o local e identificou Amarilson Carvalho, vereador do PL e policial civil de carreira. Após a repercussão, Amarilson negou que estivesse filmando a residência, disse que estava em via pública, em frente a um mercado onde costuma fazer compras, e declarou ter sido constrangido durante a abordagem.
No discurso desta segunda-feira, Amarilson afirmou que recebeu uma ligação quando participava de uma agenda e foi informado de que estaria ocorrendo uma reunião política na chamada residência da JK, com suposto uso de pessoas, assessores, viaturas e carros do Estado. Segundo ele, a reunião teria começado por volta das 16h, e a ligação ocorreu quando já passava das 17h. O vereador disse que decidiu passar pelo local para verificar se a informação procedia.
“Eu falei, vou dar uma passada lá, verificar se procede. É minha obrigação, eu não sou prevaricador. Eu não sou omisso, eu tenho que, no mínimo, verificar, como vereador e também como policial, que a gente não vai na fumaça da pólvora. Eu não acredito em tudo que me falam, eu tenho que fazer um pré-levantamento antes”, declarou Amarilson.
O parlamentar afirmou que passou em frente ao imóvel, não viu nada suspeito e parou o carro nas proximidades de onde pretendia comprar carvão. Segundo ele, enquanto estava dentro do veículo mexendo no telefone, reconheceu um policial militar que faria segurança de Adaílton Fúria. Amarilson identificou o homem como Igor e disse que ele teria fotografado e filmado o carro em que estava.
“Passei com o carro, passei em frente, não vi nada suspeito. Parei o carro ali nas proximidades de onde eu ia comprar o carvão, desliguei o carro, estava mexendo no telefone, chega uma pessoa, eu reconheci, é um policial militar que fazia segurança do Sr. Adaílton Antunes, hoje, atualmente sem mandato, um cidadão comum, pré-candidato, o Igor, PM”, afirmou.
Ainda conforme o vereador, o fato de o carro ter sido fotografado e filmado causou estranheza e acendeu um alerta sobre a denúncia recebida. Amarilson disse que, em seguida, precisou voltar para casa após ser avisado de que havia deixado o portão aberto e que os cachorros estavam na rua. Depois de fechar o portão e colocar os animais para dentro, afirmou que retornou ao local.
Ao relatar o retorno, Amarilson afirmou que avistou de longe o portão entreaberto e disse ter percebido alguém observando. Na sequência, declarou que tentou se aproximar de um estabelecimento comercial próximo, onde conhecia os proprietários, para verificar se poderia obter imagens de câmera. Segundo ele, a câmera estava voltada para dentro do pátio, e a posição do sol dificultava a visualização.
“Quando eu retorno de longe, eu já avisto o portão entreaberto, tinha alguém curiando. Para que alguém vai me filmar, me fotografar e, posteriormente, ficar cuidando do portão? Tem alguma coisa errada, tenho que verificar o que é isso. Colei as placas. Realmente fui inocente, não pensei o suficiente. Falei, ah, o negócio está na casa. Tentei me aproximar de um estabelecimento comercial, que eu conheço ali os proprietários, sou cliente, vez por outra pego, para ver se ele me cedia as imagens da câmera”, disse.
O vereador também afirmou que tentou “se esgueirar” até o comércio, mas não conseguiu visualizar nada que confirmasse a denúncia. Segundo ele, após não conseguir levantar informações, decidiu chamar um assessor para levá-lo até o carro e ir embora.
“Tentei me esgueirar até chegar lá. O sol estava contrário, o sol se põe no sudeste, se põe no oeste, não dava para ver nada, mas o portão aberto dava para ver. Eu falei, tem algo de errado, não consegui visualizar nada. Resolvi chamar, para mim não voltar, e os outros já estavam cuidando. Falei, vou chamar o meu assessor para ele me levar até o carro para eu poder ir embora. Ia embora, não vi nada. Ia embora, não consegui levantar nada”, relatou.
Amarilson disse que, nesse intervalo, foi abordado e questionado sobre o que fazia no local. Segundo o parlamentar, ele tentou explicar a situação, mas afirmou ter sido constrangido. O vereador declarou ainda que a situação ganhou outra dimensão quando, durante a abordagem, teria sido informado de que o veículo estava registrado em nome de sua esposa.
“Aí só caiu a ficha para mim, quando falaram, identifiquei esse carro, esse carro está em nome da sua esposa. Aí caiu a ficha. Falei, eu sou policial há 35 anos, eu não tenho acesso ao sistema Detran, Detranet, para puxar em nome de quem está a placa do veículo, eu anoto e passo para um colega que tenha. Eu não tenho, e eu sou policial civil. Alguém tinha puxado, configurou. A estrutura do Estado está servindo o pré-candidato”, afirmou.
O vereador disse considerar inadmissível o uso de estrutura pública em favor de pré-candidatura, caso isso seja comprovado. Ele afirmou que registrou ocorrência e que dará nomes quando prestar depoimento. Amarilson também declarou que não é pré-candidato, não coordena campanha de ninguém e que atua como vereador e policial civil.
“Não é admissível você usar a estrutura do Estado, o poder do Estado, para favorecer uma pré-candidatura. Está errado. É crime eleitoral, caso isso se prove. Eu não vi nada. Eu ia embora. Para que aquilo? Para que aquilo? Para que aquele querer se aparecer?”, declarou.
Durante o pronunciamento, Amarilson também afirmou que não realiza denúncias anônimas e citou uma representação protocolada em 26 de maio de 2025 no Ministério Público sobre condições de higiene na cozinha do Hospital Materno Infantil. Segundo ele, servidores procuraram seu gabinete com fotos e vídeos, e a intervenção do Ministério Público teria resultado em providências no local, como troca de utensílios, instalação de telas, substituição de freezers e dedetização.
Ao final do discurso, o vereador disse que o episódio repercutiu nas redes sociais, afirmou que não imaginava a situação encontrada no local e declarou que não tem dormido direito desde o ocorrido. Amarilson encerrou dizendo que, apesar do constrangimento, continuará exercendo suas funções.
“Eu esperava que fosse um dia normal, de uma agenda extensa, mas se tornou um dia atípico, e eu desejo a todos uma boa semana, porque esses dias eu não tenho dormido direito em relação a isso, isso dá um constrangimento, dá uma sensação muito ruim, mas a gente está aqui é para isso, quem está na chuva é para se molhar, e eu não tenho medo nem de gripar dessa chuva”, concluiu.



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