O Ministério Público da França solicitou nesta quarta-feira (13) que o ex-presidente Nicolas Sarkozy seja condenado a sete anos de prisão, pois é acusado de ser o principal artífice de um esquema de corrupção para financiar sua campanha eleitoral de 2007 com fundos líbios.
Em um julgamento anterior, Nicolas Sarkozy foi sentenciado a cinco anos de reclusão por permitir que aliados se aproximassem da Líbia do então líder Muammar Kadhafi para obter financiamento ilegal.
Embora tenha recorrido da decisão, ele chegou a ficar preso durante 20 dias antes de ser liberado sob condicional em novembro.
Nicolas Sarkozy foi o primeiro ex-chefe de Estado da França a ser preso desde a Segunda Guerra Mundial.
Apesar de reafirmar sua inocência no julgamento em instância superior em Paris, o Ministério Público insistiu na condenação por todos os crimes que lhe são imputados, incluindo conspiração criminosa, corrupção e financiamento de campanha ilícito. A pena solicitada é de sete anos de prisão.
A acusação afirma que, quando ministro do Interior, Nicolas Sarkozy teria firmado um acordo com Kadhafi para obter financiamento oculto da Líbia visando beneficiar sua campanha eleitoral, em troca de influenciar decisões judiciais relacionadas a Abdula Senussi, cunhado do líder líbio.
Essa conclusão se baseia em encontros secretos de aliados do ex-presidente com Senussi na Líbia em 2005. Senussi havia sido condenado à prisão perpétua na França por um atentado aéreo em 1989 que causou a morte de 170 pessoas.
Nos meses seguintes a esses encontros, cerca de 6 milhões de euros foram transferidos da Líbia para intermediários ligados a Nicolas Sarkozy.
Na primeira instância, Sarkozy foi acusado apenas de associação criminosa, mas o Ministério Público pede que o Tribunal de Apelação amplie as acusações, classificando-o como o líder do esquema.
O promotor Damien Brunet ressaltou que sem o envolvimento de Nicolas Sarkozy, esses encontros e transferências de dinheiro não teriam acontecido.
Além desta acusação, o ex-presidente enfrenta outros processos judiciais desde que deixou o cargo em 2012 e já foi condenado em definitivo duas vezes. Em uma delas, cumpriu prisão domiciliar monitorada por tornozeleira eletrônica por vários meses em 2025.



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