PORTO VELHO, RO - A agenda de entregas de infraestrutura em Rondônia, centrada na inauguração da ponte sobre o Rio Candeias e na assinatura de ordens de serviço relacionadas à BR-364 e ao acesso ao Porto Novo, foi marcada por um contraste direto entre as manifestações públicas do senador Confúcio Moura e do senador Marcos Rogério. Enquanto um reconheceu interlocuções e atribuiu caráter coletivo às ações, o outro optou por não comparecer ao evento oficial e fez críticas nominais à condução política da agenda.
Durante a cerimônia de inauguração da ponte do Candeias, com a presença do ministro dos Transportes, George Santoro, Confúcio Moura afirmou que as ações integram um conjunto de investimentos articulados com o governo federal e a bancada, destacando o papel estratégico da região. “Mostrar pra vocês a preocupação que o atual governo, o governo federal, tem com Rondônia. Isso aqui, essa área de Rondônia, é um corredor de exportação, é um corredor de negócios, tanto para aqui o Amazonas, quanto também, em breve, lá pro lado do Peru e Bolívia”, declarou. Na mesma fala, mencionou que “a ordem de serviço da ponte de Guajará-Mirim já foi dada” e que obras devem iniciar ainda no mesmo ano, além de citar investimento superior a R$ 300 milhões para restauração da BR-429.
Ao tratar da articulação política, o senador relatou encontros com autoridades e citou diretamente o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, além de mencionar o próprio Marcos Rogério em outro momento de interlocução. “Prefeito Léo Moraes me procurou lá atrás, nós fomos com ele ao Ministério do Transporte, depois do senador Marcos Rogério, em outra ocasião também, no sentido de abrir essa prioridade”, afirmou, acrescentando que a obra foi antecipada em relação ao cronograma original. Ele também vinculou a execução à melhoria da trafegabilidade e à redução de acidentes na Avenida Jorge Teixeira.
Na mesma agenda, Léo Moraes fez referência direta à atuação de Confúcio Moura.
“Quero cumprimentar e reconhecer o trabalho de interlocução do senador Confúcio Moura, que abriu as fotos do Ministério dos Transportes para que nós pudéssemos avançar com essa trapatia. Foi algo que nós falamos ainda em 2022. No início do nosso mandato, não nos soltamos a conversar com todas as autoridades que pudessem fiabilizar esse sonho final”, declarou. O prefeito também afirmou que a iniciativa não se limita a disputas políticas. “Não é sobre um lado ou outro, mas é sim sobre atender mais de 500 mil pessoas”, disse, ao mencionar o impacto regional das obras.
No mesmo dia, Marcos Rogério participou de outro evento em Porto Velho, uma audiência pública sobre a revisão da tarifa de pedágio da BR-364. Na ocasião, explicou sua ausência no ato oficial e criticou a condução da agenda. “Foi surpreendido com uma articulação do senador Confúcio que era o presidente da Comissão de Infraestrutura e que lá atrás discutiu os termos do leilão e da concessão inclusive indo até a B3 para fazer o ato final que homologou a concessionária que hoje está operando no estado de Rondônia”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “A martelada final foi dada pelo então presidente e há muita confusão. Eu sou presidente da Comissão de Infraestrutura nesses últimos anos, mas não fui quem bateu o martelo nesse tema”.
O senador também declarou que optou por não participar da inauguração da Ponte Rio Candeias. “Com essa escolha política do senador Confúcio, optei como presidente da Comissão não acompanhar a agenda, por considerar que não há razão para comemorar”, disse. Ele direcionou o foco do encontro alternativo para o impacto econômico da concessão. “Aqui estamos para, com o setor produtivo e representantes da bancada federal, representantes da Assembleia Legislativa, discutir o que nos aflinge. A tarifa do pedágio e o estágio das obras na rodovia 364”, afirmou, acrescentando que o custo do pedágio afeta diretamente o preço de produtos e o direito de deslocamento da população.
Em publicação associada ao evento, Marcos Rogério reforçou o posicionamento. “Enquanto uns fazem festa com o chapéu alheio, nós seguimos trabalhando, agora pra redução da tarifa do pedágio da BR-364”, escreveu, ao justificar a ausência na cerimônia da ponte e destacar a realização da audiência pública.
No mesmo contexto da agenda seguinte, Léo Moraes também mencionou a atuação de Marcos Rogério em outra frente de infraestrutura. “Hoje nós conseguimos entregar a ordem de serviço, a presença da ANTT, uma mobilização do senador Marcos Rogério e demais autoridades. Fato, consumado, ordem de serviço para algo que era esperado há tantos e tantos anos. Que é o asfaltamento da Expresso Porto”, declarou, vinculando a obra à melhoria logística e à redução de custos.
O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, também esteve presente nas agendas e detalhou aspectos técnicos da concessão. “A concessão iniciou-se em agosto de 2025, mas um período anterior a este e até uma das entregas que nós fizemos hoje, fruto até daquela audiência pública que tivemos na comissão de infraestrutura em Brasília, foi justamente algumas obrigações iniciais que não estavam previstas”, afirmou. Ele destacou que a ponte do Candeias não constava originalmente como obrigação contratual. “Se você olhar o contrato, a ponte do Candeias em nenhum momento era prevista como uma obrigação contratual da concessão e obrigação da agência”, disse, acrescentando que a obra foi antecipada por necessidade operacional e entregue em prazo reduzido, com investimento aproximado de R$ 25 milhões.
Ainda segundo o diretor, há previsão de investimentos superiores a R$ 700 milhões em Capex, com antecipação de obras como o acesso ao Porto Novo e o chamado Expresso Porto, originalmente previstos para etapas posteriores da concessão. Ele atribuiu a antecipação a articulações conjuntas da bancada federal, mencionando o papel institucional da Comissão de Infraestrutura.
A agenda conduzida por Confúcio Moura foi apresentada por ele próprio como um conjunto de entregas voltadas ao desenvolvimento logístico do estado, incluindo a ponte do Candeias, a ordem de serviço para o acesso ao Porto Novo e a recuperação da BR-429. Já a agenda de Marcos Rogério concentrou-se na discussão tarifária da BR-364, com participação de representantes da ANTT, setor produtivo e lideranças políticas.
Ambos os eventos contaram com a presença de Léo Moraes e de Guilherme Theo Rodrigues da Rocha Sampaio, que participaram das duas agendas no mesmo dia, inserindo-se em contextos distintos de abordagem pública sobre as mesmas obras e a mesma concessão.



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