Unidade fortalece assistência humanizada com suporte psicológico, fisioterapia, assistência social e reabilitação, reduzindo deslocamentos e ampliando o acesso à saúde no interior de Rondônia
A atuação do Hospital Regional de Guajará-Mirim Dr. Júlio Pérez Antelo (HRGM), entregue pelo Governo de Rondônia em março de 2025, consolida um modelo de assistência que ultrapassa os procedimentos cirúrgicos e reforça o cuidado integral ao paciente na região de fronteira. O primeiro relatório de indicadores de desempenho e qualidade divulgado pela Mediall Brasil, empresa responsável pela gestão hospitalar, aponta que, entre abril e dezembro de 2025, o hospital realizou 6.834 atendimentos multidisciplinares.
Os atendimentos psicológicos lideraram a demanda, com 1.544 sessões realizadas. Na sequência, aparecem os serviços de assistência social, com 1.523 atendimentos; fisioterapia, com 1.470 sessões; fonoaudiologia, com 1.273 procedimentos; e nutrição, que contabilizou 1.024 acompanhamentos.
Instalado em uma região historicamente marcada pela carência de especialidades médicas e terapêuticas fora do eixo da capital, o hospital se consolidou como referência para o atendimento integral de moradores da faixa de fronteira com a Bolívia e de comunidades distribuídas ao longo da calha do Rio Mamoré.
Demandas complexas
Os números revelam um cenário de demandas complexas, em que o tratamento de traumas, cirurgias e enfermidades graves exige acompanhamento emocional, suporte social e reabilitação contínua. A elevada procura por psicologia e assistência social evidencia a necessidade de um modelo assistencial voltado não apenas à recuperação física, mas também ao acolhimento de pacientes e familiares.
A atuação multidisciplinar está diretamente ligada ao perfil de urgência da unidade. Entre os pacientes atendidos no pronto-socorro e classificados pelo Protocolo de Manchester, 466 foram enquadrados como casos graves de emergência, 125 como urgências de maior gravidade e 2.259 como urgências moderadas.
O atendimento integrado, realizado diariamente, serve para acompanhar de perto a evolução de cada paciente e também se reflete nos indicadores clínicos da unidade. O hospital encerrou o período com taxa de mortalidade global de 0,9% e registrou 47% de altas médicas com melhora do quadro clínico.
Gargalos históricos
Além da assistência hospitalar, o serviço reduziu gargalos históricos de deslocamento enfrentados pela população da região Norte. As 1.470 sessões de fisioterapia deram suporte à recuperação de pacientes submetidos às 1.692 cirurgias ortopédicas realizadas no período. Já os 1.273 atendimentos de fonoaudiologia absorveram demandas de reabilitação pós-AVC e acompanhamento infantil que, antes, exigiam viagens de horas até Porto Velho.
Atenção básica complementar
Na atenção básica complementar, os 1.024 acompanhamentos nutricionais passaram a atuar diretamente no enfrentamento da insegurança alimentar e no fortalecimento da recuperação clínica de pacientes que vivem em áreas isoladas da fronteira.
Exemplo de cuidado, força e evolução de paciente
Um dos exemplos da atuação especializada da equipe é o caso do paciente Seu Ruben, internado após complicações clínicas que exigiram longa permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Depois de meses de internação, o trabalho conduzido com técnica, planejamento e acompanhamento estruturado da fisioterapia do HRGM já apresenta resultados significativos.
Quando a equipe multidisciplinar iniciou o acompanhamento, o paciente não conseguia sequer sentar-se à beira do leito nem realizar transferências de posição.
O processo começou com exercícios de fortalecimento dos membros inferiores, evoluindo para a transferência para a poltrona e pequenos deslocamentos supervisionados dentro do quarto, aliados ao uso de cicloergômetro. O fisioterapeuta Maycon Douglas Rosas de Araújo, responsável pelo acompanhamento, detalhou a evolução do quadro.
"Começamos com exercícios de fortalecimento à beira do leito e, depois, fizemos a transferência para a poltrona. A partir daí, iniciamos pequenos percursos, sempre associados aos exercícios. Também incluímos atividades no cicloergômetro. Era um paciente que estava internado havia seis meses, totalmente acamado, sem conseguir sair da cama", relatou o fisioterapeuta.
A recuperação avançou de forma gradual e consistente. Com mais estabilidade e segurança nos movimentos, o paciente passou a realizar pequenos trajetos até o banheiro, conquistando progressivamente a independência funcional.
O marco mais simbólico ocorreu três meses após o início da reabilitação: a primeira saída ao ar livre. Pela primeira vez desde a internação, Seu Ruben conseguiu realizar atividades fora da ala clínica e tomar banho de sol.
"A gente vê o sorriso no rosto desse paciente. Isso deixa toda a equipe multidisciplinar muito feliz. Acompanhar essa evolução, desde o período em que estava totalmente acamado até essa conquista, é extremamente gratificante para a fisioterapia", completou Maycon Douglas Rosas de Araújo.
Sobre o HRGM
Inaugurado em março de 2025, o Hospital Regional de Guajará-Mirim Dr. Júlio Pérez Antelo se tornou referência em assistência hospitalar na região de fronteira de Rondônia. Integrado ao SUS, o complexo oferece atendimento humanizado e serviços de média e alta complexidade, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para Porto Velho. A estrutura funciona 24 horas e dispõe de especialidades como ortopedia, ginecologia e obstetrícia, cirurgia geral e anestesiologia, além de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto e serviço de terapia renal substitutiva.



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