PORTO VELHO, RO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que fará uma agenda institucional no Amazonas, em data ainda a ser definida, com foco na retomada de obras federais estratégicas no estado, entre elas a BR-319 — rodovia que liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia, e cuja pavimentação voltou ao centro das discussões do Palácio do Planalto. A visita foi anunciada após reunião em Brasília com os senadores Omar Aziz e Eduardo Braga, quando foram alinhadas prioridades de infraestrutura e habitação para o estado amazonense.
Segundo Lula, a intenção é cumprir uma agenda ampliada em Manaus, com duração de até dois dias, para acompanhar pessoalmente entregas e vistorias de obras federais. Durante o anúncio, o presidente afirmou que não admite paralisação de empreendimentos de infraestrutura e citou nominalmente a BR-319 como uma das frentes prioritárias da gestão federal. “Não é tempo de ficar obras paralisadas, inclusive a tão sonhada e requisitada BR-319, que vai começar a reformar”, declarou.
A rodovia federal possui pouco mais de 850 quilômetros de extensão e representa a principal ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho, em Rondônia, sendo tratada por lideranças políticas da Região Norte como eixo logístico estratégico para integração econômica e mobilidade entre os dois estados. A discussão sobre sua repavimentação, contudo, segue envolta em controvérsia ambiental e judicial.
Nos bastidores, a articulação entre o Planalto e a bancada amazonense busca acelerar anúncios federais durante a futura passagem presidencial pelo estado. Além da BR-319, também entraram na pauta do encontro a construção do Novo Porto de Manaus e a ampliação de unidades habitacionais pelo programa Minha Casa Minha Vida.
O avanço do projeto, porém, ocorre em meio ao aumento da pressão de pesquisadores e ambientalistas. Estudo publicado recentemente na revista científica Science apontou críticas à condução federal sobre a rodovia e alertou para riscos ambientais e sanitários relacionados à pavimentação da estrada. Conforme o levantamento, a área cortada pela BR-319 abriga comunidades microbianas até então isoladas, algumas com características de elevada patogenicidade, o que, segundo os pesquisadores, poderia ampliar riscos sanitários caso a região seja mais intensamente ocupada.
Os cientistas também sustentam que a pavimentação da via pode provocar impactos adicionais de desmatamento em uma das áreas mais preservadas da Amazônia. O licenciamento ambiental da obra permanece travado judicialmente, embora o empreendimento continue inserido entre os projetos estratégicos do governo federal dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
A futura visita de Lula ao Amazonas deve consolidar a BR-319 como uma das principais pautas federais para a Região Norte em 2026, recolocando no debate nacional a discussão sobre a rodovia que conecta o Amazonas a Rondônia e divide opiniões entre defensores do desenvolvimento logístico e críticos dos potenciais impactos ambientais da obra.



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