PORTO VELHO, RO - O deputado estadual e delegado de polícia Rodrigo Camargo afirmou, em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, que aceitou “um chamado” para se colocar como pré-candidato ao governo de Rondônia e concentrou sua participação em críticas duras à condução de políticas públicas, com foco em saúde, infraestrutura e disputas fundiárias. Ao longo da conversa, Camargo disse estar “de malas prontas” para migrar ao Podemos, partido ao qual atribuiu liderança ao prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, e sustentou que, no grupo, a decisão sobre candidatura majoritária passará pela avaliação do próprio prefeito.
Ao explicar por que afirma ter recebido um “chamado do povo”, Camargo descreveu uma rotina que, segundo ele, inclui um “gabinete móvel” em um ônibus, paradas em praças no interior e conversas mediadas por redes sociais. O deputado disse que chegou a ficar “30 dias acampado” em frente ao Hospital João Paulo II, em Porto Velho, e alegou que, naquele período, pessoas evitavam se aproximar por receio de monitoramento. Ele também associou a construção de sua pré-candidatura a relatos que diz receber de pacientes, familiares e grupos específicos, como pessoas com deficiência e “mães atípicas”, apresentando-se como “pai atípico” e atribuindo a essas vivências a motivação para se posicionar contra decisões que, na visão dele, atingem diretamente a população.
Em um dos trechos mais incisivos, Camargo afirmou que a política teria se tornado, na percepção popular, sinônimo de práticas ilegais e de favorecimento, e disse que, por experiência profissional, aprendeu a identificar mentiras em interrogatórios. Em seguida, conectou essa ideia à atuação parlamentar, relatando ter sido o único a votar contra aumento de imposto estadual e declarando ter ouvido, dentro da Assembleia, que a população “esquece” medidas impopulares com o tempo. Ao comentar essa passagem, ele afirmou: “Quando aumentaram o imposto estadual aqui, e eu fui o único a votar contra o aumento, eu falei que vocês estão fazendo um absurdo. Nosso povo não aguenta mais pagar altos impostos… E eu ouvi colegas meus falarem assim, não, isso aí já já o povo esquece. A que ponto chegamos? Então é preciso que alguém tenha coragem de dizer a verdade acima de tudo.”
A entrevista avançou para uma discussão sobre o Podemos e a existência de mais de um nome colocado como pré-candidato. Robson Oliveira questionou se a movimentação interna poderia virar “contenda” e citou críticas publicadas por terceiros a respeito do lançamento de Camargo. O deputado respondeu dizendo ter conversado antes e depois do anúncio com o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro, e também com Léo Moraes, a quem chamou de líder. Ele afirmou que não existe disputa hostil entre os pré-postulantes e atribuiu eventuais ruídos a “jornalistas sem ética”, dizendo que “buscam criar contendas entre irmãos”. Sobre como se dará a definição, Camargo declarou que colocou o nome à disposição e que a decisão ficará com Léo Moraes, após ouvir o que a população espera do grupo.
Na parte em que tratou de políticas públicas, um dos principais alvos de Camargo foi a área da saúde. Ele afirmou ser “totalmente contrário” à privatização do setor e disse que serviços essenciais, na visão dele, não deveriam ser privatizados, citando também a segurança pública. Em seguida, sustentou que o problema da saúde em Rondônia não seria falta de recursos, mas “falta de gestão”, e descreveu a existência de um “ralo” por onde recursos estariam escoando. Ele afirmou: “A saúde aqui não é falta de dinheiro, Robson. Nunca foi. Tudo que chega lá na Assembleia passa a toque de caixa pra saúde. É falta de gestão. Tu pode botar o dinheiro que for lá. Existe um ralo onde estão lá os ratos, os mafiosos da saúde. E isso vai acabar se eu chegar lá. Isso vai acabar. Eles vão pagar a fatura deles. (…) Eu vou mandar investigar os contratos, os valores das próteses, essa terceirização que estão fazendo.”
No mesmo bloco, Camargo disse que enxergaria uma estratégia deliberada de piora do sistema para justificar terceirizações e citou como exemplo um centro de diagnóstico de imagem ao lado do Hospital de Base que, segundo ele, “tá fechado hoje”, enquanto empresas privadas estariam realizando esse tipo de serviço. Ele questionou publicamente quem seria beneficiado e mencionou o comando da pasta, criticando o fato de, segundo ele, o titular ser “um policial”, argumento usado para defender que a escolha de secretários deveria privilegiar competência técnica e experiência em gestão hospitalar. Para ilustrar, mencionou o estado do Mato Grosso, citando a construção de “oito hospitais” e “parceria” com gestão vinculada ao Albert Einstein como referência de modelo.
Camargo também reforçou acusações de irregularidades e afirmou não ter dúvida sobre desvios: ao ser perguntado se a saúde estaria sendo “assaltada”, respondeu: “Eu não tenho dúvida disso. Zero dúvida. São milhões, bilhões investidos na saúde. E tudo indo pra um ralo gigantesco.” Em seguida, citou o caso de uma dívida que disse ter sido reconhecida pelo Estado com o Hospital Santa Marcelina, narrando que a instituição teria um crédito de “4 milhões” e que houve, segundo ele, atraso de meses, com pagamento parcial após pressão em redes sociais. Ainda nesse contexto, afirmou que emendas parlamentares destinadas ao hospital teriam ficado paradas, mencionando valores de “2 milhões” e “500 mil” atribuídos a “dois parlamentares federais”, e afirmou que o governo estaria “preocupado com a política e não com a vida das pessoas”.
Questionado sobre a identificação de empresas e pessoas responsáveis por supostos desvios, Camargo afirmou ter comunicado órgãos de controle, como Tribunal de Contas e Ministério Público, e disse que o instrumento que, na visão dele, permitiria chegar a nomes e CPFs seria uma CPI da Saúde na Assembleia. Ele declarou ter proposto a CPI e afirmou que, até aquele momento, havia “só” a assinatura dele. No mesmo trecho, lançou um desafio público para a campanha: disse que pretende cobrar de pré-candidatos a abertura de sigilos fiscal e financeiro e afirmou estar disposto a abrir os próprios, vinculando o tema à evolução patrimonial dos concorrentes.
Outro ponto de tensão abordado foi a política de transportes e a discussão do pedágio. Camargo afirmou que Rondônia teria o “pedágio mais caro do Brasil” e citou como referência o valor de “21 reais para cada 100 quilômetros rodados”. Para sustentar a crítica, alegou que o estudo que embasaria a tarifa teria sido feito em um período curto “no auge da pandemia”, quando, segundo ele, haveria menos tráfego, o que, em sua avaliação, tornaria a “base” do cálculo “não confiável”. A partir daí, apresentou propostas divididas por modais, defendendo intervenções no sistema rodoviário, aquaviário, ferroviário, aéreo e dutoviário, e conectou o debate a custos logísticos e à exportação da produção.
No modal rodoviário, Camargo mencionou a “Rota do Boi”, descrevendo-a como via paralela relacionada à BR-364, e defendeu pavimentação “em lotes”, por trechos, para reorganizar fluxos. Ele afirmou que veículos de passeio e transporte de passageiros deveriam ter prioridade nessa rota, enquanto escoamento de safra e cargas pesadas ficariam concentrados na BR-364, associando o atual cenário a risco à vida e à “segurança viária”. No modal aquaviário, disse que a ampliação de portos em Porto Velho exigiria antes regularização fundiária na zona portuária, argumentando que a falta de título impediria investimentos, financiamentos e instalação de estruturas como armazéns. Ele atribuiu a Léo Moraes um “grande programa de regularização” na orla do Madeira e afirmou que, com a regularização, seria possível atrair empresas, restaurantes e portos.
Ainda no mesmo tema, Camargo afirmou que, se a logística de exportação fosse reorientada para uma rota pelo Pacífico, via Chile, haveria redução de “18 dias” na viagem, e sustentou que Porto Velho e Rondônia poderiam se tornar um “hub logístico” para integrar fluxos de estados como Acre e Roraima. Ele citou a necessidade de dragagens no Rio Madeira para permitir navegação de embarcações maiores, afirmando que isso poderia ser feito “dentro da legislação ambiental”. No modal ferroviário, mencionou a Ferrogrão, disse ser necessário ampliar conexões por meio de parcerias público-privadas e defendeu que o crescimento do transporte ferroviário reduziria a pressão de carretas nas rodovias.
No modal aéreo, criticou a política de redução de ICMS do querosene de aviação, dizendo não perceber impacto no preço das passagens, e sugeriu atuação política conjunta de governadores para abrir voos domésticos a empresas de capital internacional, associando concorrência à queda de preços. Também citou que o aeroporto de Porto Velho seria internacional, mas não teria voos internacionais, alegando inexistência de alfândega e comparando com Manaus como alternativa de conexão. Por fim, mencionou o modal dutoviário, citando uso de dutos para gás natural em outras regiões e a condição da Bolívia como produtora, argumentando que iniciativas assim poderiam apoiar industrialização.
Ao falar de desenvolvimento econômico, Camargo mencionou reservas minerais e disse que faltariam geólogos e tecnologia para fiscalizar adequadamente cargas e tributar conforme o tipo de minério transportado. Ele citou a presença de cassiterita e também mencionou nióbio em Itapuã, questionando como o produto seria extraído e comercializado. Sustentou que, embora o subsolo pertença à União, haveria incidência de impostos estaduais sobre circulação após extração e defendeu que o Estado invista em tecnologia e equipes para identificar material e cobrar tributos correspondentes.
No campo educacional, Camargo afirmou ter “provas e documentos” para embasar críticas e apresentou números que atribuiu ao período recente de governo: disse que o Estado arrecadaria “aproximadamente 18 bilhões” e afirmou que teriam sido construídas “duas” escolas em “oito anos”, citando uma em “reserva indígena em Guajará-Mirim” e outra em “Machadinho do Oeste”. No mesmo trecho, declarou que “dezoito” escolas teriam sido fechadas, afirmando ter buscado o dado e enquadrando esse resultado como retrocesso.
A entrevista também teve um bloco dedicado à crise do leite. Camargo relatou que o Proleite teria sido criado “acredito que em 2009” e disse que parte da arrecadação tributária alimentava um fundo para fomentar a bacia leiteira com ações como genética e implementos. Ele afirmou que, durante uma sessão itinerante na Rondônia Rural Show, foi colocada em votação a extinção dos fundos do Proleite e do Funcafé, e disse ter alertado colegas, mencionando que o fundo teria “17 milhões” naquele momento. Segundo Camargo, a extinção foi vinculada a reajustes para servidores da Emater, o que ele criticou, e afirmou que o governo teria ignorado alternativas e alertas. Ele também relatou a existência de proposta da Faperon para criação de pequenos laticínios via cooperativismo, alegando que o projeto estaria “engavetado” por “três anos”, e disse ter oferecido emendas para chegar a “5 milhões” necessários, alegando que enviou documento ao governo e que não houve execução.
No trecho sobre conflitos fundiários e meio ambiente, Robson Oliveira mencionou críticas de que Camargo defenderia “interesses” relacionados a terras. O deputado negou possuir “boi nem terra” e afirmou não ter bens desse tipo “no meu nome nem no nome de ninguém”. Em seguida, disse preferir “dar nomes” e chamou o MST e a LCP (Liga dos Camponeses Pobres) de “dois grupos terroristas, travestidos de movimento social”. Camargo afirmou ter participado e comandado operações e alegou que existiriam pessoas “iludidas” dentro desses grupos. Na mesma linha, defendeu que a propriedade privada seja respeitada e disse que, se estiver no Executivo, “porteira e arame” serão respeitados quando houver título. Ele afirmou que reforma agrária, se realizada, deve seguir a legislação, com desapropriação e indenização “prévia, justa e em dinheiro”.
Camargo também apresentou um número sobre invasões: afirmou que haveria “253 propriedades rurais” invadidas em Rondônia com decisões judiciais e reintegrações já reconhecidas, e questionou a ausência de ação estatal para cumprir determinações de retirada. No debate sobre reservas, afirmou que, se chegar ao governo, pretende “fazer a lei que for necessária” para acabar com reservas que classificou como “criadas de forma ilegal”, citando a existência de uma CPI na Assembleia e alegando irregularidades como ausência de estudos antropológicos e de verificação junto à população local. Ao ser questionado especificamente sobre terras indígenas e áreas já consolidadas, disse que seria necessário um plano de desocupação, com diálogo e atuação conjunta, sugerindo alternativas como moradia popular e destinação de famílias a terras pertencentes ao Estado, caso se confirmem invasões em áreas da União.
No terço final da entrevista, o tom mudou para aspectos de bastidor e de perfil pessoal. Robson Oliveira abriu a conversa apresentando o podcast, listando a presença em múltiplas plataformas digitais e citando exibição na TV e rádio, além de mencionar um site próprio do projeto, resenhapolitica.com. Também afirmou que é editor de um novo site, “site Notícia”, e disse que o programa conta com patrocínio da SESI Brasil. Ao encerrar, Robson reforçou horários de veiculação em emissoras citadas por ele e afirmou que a entrevista “vai dar muito de falar” na semana.
Camargo, por sua vez, insistiu na ideia de participação em debates ainda na fase de pré-candidaturas, sugerindo a realização de um debate entre pré-candidatos e se colocando como “o primeiro da lista” para participar. O deputado também dirigiu a Robson um convite para colaborar com ele, afirmando no ar: “Já te falei o que eu preciso de você. Me ajude. Ajude o povo de Rondônia”, ao que o apresentador respondeu que ajuda “trabalhando, perguntando”.
No encerramento, Robson questionou o uso frequente de um rosário nas mãos do entrevistado e levantou a possibilidade de exploração religiosa em campanhas. Camargo afirmou que a religião seria “realidade” em sua casa, citou que a esposa é ministra da Eucaristia “há 16 anos” e catequista “há 29 anos”, e disse que o rosário não seria “amuleto”, mas instrumento de oração, afirmando que, durante a entrevista, estaria rezando por sabedoria. Ele finalizou com uma promessa: caso passe pelas prévias e chegue ao governo, disse que o primeiro documento que assinaria seria para criação de uma “Capelania”, com pedido ao arcebispo militar do Brasil, Dom Marconi, para disponibilizar um sacerdote para acompanhá-lo, justificando que “no momento que Deus se esquece do homem, a vaidade invade o seu coração”.
DEZ FRASES DE RODRIGO CAMARGO NO RESENHA POLÍTICA:
01) “Existe um ralo onde estão lá os ratos, os mafiosos da saúde. E isso vai acabar se eu chegar lá.”
A declaração foi feita ao sustentar que o problema da saúde pública estadual não é falta de dinheiro, mas má gestão e desvios. Ele afirmou ter “zero dúvida” de que há irregularidades e prometeu investigar contratos, próteses e terceirizações caso chegue ao governo.
02) “Eu não tenho dúvida disso. Zero dúvida.”
A frase foi resposta direta à pergunta se a saúde de Rondônia estaria sendo “assaltada”. Ele reforçou que, na visão dele, bilhões investidos estariam escoando por um “ralo gigantesco”.
03) “Vou desafiá-lo a abrir o seu sigilo fiscal, financeiro, porque eu tô disposto a abrir o meu.”
Ao falar sobre campanha e adversários, afirmou que pretende propor a abertura de sigilos e a exposição da evolução patrimonial de pré-candidatos, dizendo que está preparado para fazer o mesmo com seus próprios dados.
04) “São dois grupos terroristas, travestidos de movimento social.”
A afirmação foi dirigida ao MST e à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), ao tratar de conflitos fundiários. Ele disse ter participado de operações contra ocupações e defendeu que propriedade privada com título deve ser respeitada pelo Estado.
05) “A partir de hoje, porteira e arame aqui em Rondônia vai ser respeitado.”
A frase foi usada ao defender uma postura firme do Executivo estadual diante de invasões de propriedades rurais, afirmando que, se eleito, garantirá cumprimento de decisões judiciais de reintegração de posse.
06) “O pedágio mais caro do Brasil.”
Ele utilizou essa expressão ao criticar a tarifa de R$ 21 a cada 100 quilômetros rodados em Rondônia, alegando que o estudo de base teria sido feito durante poucos dias no auge da pandemia, o que, segundo ele, comprometeria a confiabilidade do cálculo.
07) “Isso é um estelionato eleitoral.”
A declaração apareceu ao criticar promessas de campanha que, segundo ele, não foram cumpridas, especialmente em relação a políticas econômicas e tributárias. Ele associou a expressão à ideia de que governantes contam com o esquecimento do eleitor.
08) “A saúde de Rondônia tá na UTI, em estado terminal.”
A metáfora foi usada ao descrever o cenário que ele enxerga na rede estadual, afirmando que profissionais estariam “fazendo massagem cardíaca há oito anos” para manter o sistema funcionando.
09) “Eu mesmo farei a lei que for necessária (…) para acabar com essas reservas criadas de forma ilegal.”
A frase foi dita ao comentar áreas que ele considera instituídas irregularmente no fim de um governo anterior. Ele citou a existência de CPI na Assembleia e afirmou que, se chegar ao Executivo, atuará para rever essas reservas.
10) “O meu primeiro ato é a criação da Capelania. Vou levar Deus lá pra dentro comigo.”
No encerramento da entrevista, ao ser questionado sobre o primeiro documento que assinaria se fosse governador, afirmou que criaria uma Capelania no governo e pediria ao arcebispo militar do Brasil a designação de um sacerdote para acompanhá-lo, vinculando a decisão à necessidade de orientação espiritual no exercício do cargo.



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