PORTO VELHO, RO - A crítica direta ao comportamento de governantes e à condução do debate público no Brasil marcou a entrevista concedida pelo médico, empresário e escritor Viriato Moura ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica. Ao analisar o cenário político nacional, estadual e municipal, o entrevistado apontou um ambiente de confronto permanente, ausência de diálogo e decisões contaminadas por interesses.
Segundo ele, o país atravessa um momento de tensão que compromete seu potencial. “Não se pode ficar aí brigando, confrontos toda hora, sem parar, não querendo ter razão, e quando isso acontece a maioria das vezes falta razão nas partes envolvidas, porque entra emoção, interesses muitas vezes excusos”, declarou, ao comentar o que considera um cenário de desgaste político contínuo.
Viriato Moura afirmou que o problema não está vinculado a uma corrente ideológica específica, mas ao comportamento de agentes públicos. “Não estou falando de governo de direita, de esquerda, de centro, não estou falando disso, estou falando de pessoas que efetivamente, movidas por sentimentos de honestidade, de determinação em fazer o que precisa ser feito”, disse, ao defender uma atuação baseada em compromisso com o país.
Durante a entrevista, o médico também criticou o que classificou como repetição de discursos políticos ao longo dos anos, especialmente em áreas essenciais como saúde. Ao comentar a ausência de avanços estruturais, como a implantação de um pronto-socorro em Rondônia, ele afirmou que promessas se acumulam sem execução prática. “Se a promessa pagasse imposto por não ser cumprida, não tinha quem suportasse”, disse, ao questionar a recorrência de compromissos não realizados.
A cobrança por maior transparência foi outro ponto central da entrevista. O entrevistado defendeu que autoridades públicas prestem contas diretamente à imprensa, sem intermediação ou limitação de perguntas. “O homem público tem que ser público. É absolutamente fundamental isso. É um contrassenso alguém dizer que não pode falar isso, aquilo não fica bem. Não, é só explicar”, afirmou.
Ele também criticou práticas de controle de entrevistas e restrição de pautas. “Quando você limita perguntas, você olha, tá aqui o texto, a assessoria vai, só pode perguntar isso, não. Exatamente, o homem público tem que ser público”, disse, ao abordar a relação entre gestores e jornalistas.
Outro ponto levantado foi o papel da imprensa na fiscalização do poder público. Viriato Moura destacou a importância de questionamentos diretos e independência editorial. “Eu paro quando vejo que aquele jornalista não está perguntando o que ele quer. A liberdade de imprensa é absolutamente fundamental para que a imprensa seja respeitada”, afirmou.
Ao tratar das críticas feitas a governantes, o entrevistado defendeu que o contraditório não deve ser interpretado como ataque pessoal. “Pelo fato de a pessoa criticar o meu governo, o que significa que ele é meu inimigo? Não. Às vezes ele está me prestando um favor e eu tenho que agradecer”, declarou, ao abordar a necessidade de maturidade política diante de questionamentos.
Ele também fez distinção entre crítica fundamentada e ataques pessoais. “A crítica não significa que seja algo ofensivo. Porque você sabe que tem gente que já entra saltando no peito da pessoa, agredindo, inclusive a nível pessoal. Não é por aí que se constrói”, afirmou.
Ao comentar o cenário nacional, Viriato Moura demonstrou preocupação com a falta de posicionamento público de lideranças diante de acontecimentos relevantes. “Eu pergunto, com a grande interrogação, o que está acontecendo no nosso país? O que é isso? Coisas que é difícil até imaginar que a ficção produzisse”, disse, ao questionar a ausência de explicações claras à população.
Ele também defendeu que governos devem ser avaliados por resultados, independentemente de posicionamento político. “Se ele faz boas coisas pro país, nós temos que aplaudir, nós temos que elogiar. E aquele que não o fizer deve ser criticado, porque o dever fundamental da imprensa é criticar”, afirmou.
No terço final da entrevista, o tom se desloca para aspectos pessoais e trajetória do entrevistado. Viriato Moura relatou a influência familiar em sua formação intelectual e artística, destacando o incentivo à leitura e à escrita desde cedo. Ele mencionou que o pai começou a escrever livros aos 75 anos e publicou diversas obras, além de atuar também como pintor.
O médico detalhou ainda sua relação com a arte, iniciada na juventude com desenhos e evoluindo para pintura e experimentações estilísticas. Segundo ele, sua produção atual prioriza o abstracionismo, com foco em emoções e interpretações individuais. “Eu não explico para quem está observando a minha obra o que é aquilo. Você vai dizer o que é aquilo”, afirmou.
Ele também descreveu a criação de um estilo próprio, denominado por ele como “planimorfismo”, baseado na construção de imagens a partir de planos formados por linhas retas, sem uso de curvas. O conceito foi desenvolvido após estudos e experimentações ao longo dos anos.
Ao final, Viriato Moura afirmou que mantém rotina constante de produção artística e literária, além da atuação na medicina. Segundo ele, essas atividades funcionam como forma de equilíbrio diante de um cenário que considera turbulento. “A arte salva”, declarou.
FRASES DE VIRIATO MOURA DURANTE O RESENHA POLÍTICA
01) “Se a promessa pagasse imposto por não ser cumprida, não tinha quem suportasse.”
A declaração foi feita ao criticar a repetição de compromissos políticos não executados, especialmente na área da saúde.
02) “O homem público tem que ser público. É absolutamente fundamental isso.”
A fala surgiu ao defender transparência total de gestores e acesso irrestrito da imprensa.
03) “Não se pode ficar aí brigando, confrontos toda hora, sem parar.”
Foi dita ao analisar o ambiente político marcado por conflitos constantes.
04) “Eu pergunto, com a grande interrogação, o que está acontecendo no nosso país?”
A frase expressa inquietação diante do cenário nacional e da falta de explicações públicas.
05) “Às vezes ele está me prestando um favor e eu tenho que agradecer.”
A afirmação foi feita ao abordar a importância das críticas ao poder público.
06) “A liberdade de imprensa é absolutamente fundamental para que a imprensa seja respeitada.”
Declaração relacionada ao papel do jornalismo na fiscalização das autoridades.
07) “Quando você limita perguntas, você não está sendo transparente.”
Comentário sobre controle de entrevistas por assessorias.
08) “Não estou falando de governo de direita, de esquerda, de centro.”
Trecho em que reforça que a crítica se dirige ao comportamento dos agentes públicos.
09) “A crítica não significa que seja algo ofensivo.”
Explicação sobre a diferença entre cobrança institucional e ataque pessoal.
10) “A arte salva.”
Reflexão final ao tratar da importância da produção artística em meio a um cenário de tensão.



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