Publicada em 03/02/2026 às 10h11
Em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado por Robson Oliveira em parceria exclusiva com o Rondônia Dinâmica, o ex-prefeito de Porto Velho e pré-candidato Hildon Chaves elevou o tom ao tratar do cenário de Rondônia, afirmando que o Estado enfrenta “crise não só financeira, mas principalmente política”, atribuindo o quadro a falhas de gestão, dizendo que “se errou a mão”, e defendendo mudanças estruturais na saúde enquanto, sobre a concessão da BR-364, afirmou ver “esquisito” o início de cobrança com reajuste e disparou que “a bancada dormiu”.
A entrevista começou com o próprio Hildon ampliando o campo de incertezas sobre o tabuleiro de 2026, ao admitir que “tudo isso é possível”, ao ser questionado se é candidato a deputado federal, senador, governador, vice ou “a nada”. Embora tenha reiterado que lançou a pré-candidatura ao governo, afirmou que “toda semana aparece uma novidade” e que, com a virada do ano, “mais de uma vez por semana surgem novidades”, citando o que chamou de excesso de especulações, inclusive sobre troca de partido. Ao descrever o ambiente político, disse que aguarda a consolidação do quadro porque “toda semana aparece um pré-candidato”, em um ano que classificou como “complexo” e “desafiador”.
O momento mais sensível veio quando a conversa desembocou no diagnóstico sobre o Estado. Hildon declarou que Rondônia “não está bem” e que as dificuldades são “enormes”. Ao explicar o que considera estar por trás do cenário, afirmou que existe “uma crise não só financeira, mas principalmente política” e citou como pano de fundo uma “confusão” associada a problemas envolvendo a chefia da Casa Civil, acrescentando, sem detalhar nomes, que “todo mundo, quem acompanha política, sabe o que eu tô falando”. Na sequência, reforçou que o Estado, apesar de “pujante” e “rico”, estaria em situação que não deveria ocorrer e concluiu que “em algum momento, alguém errou a mão”.
Provocado por Robson Oliveira a ser objetivo sobre o que chamou de “errar na mão” do governo, Hildon não recuou. Primeiro, diferenciou o debate nacional — em que havia citado a “curva de Laffer”, associando aumento de impostos à queda de arrecadação — do problema local. Sobre Rondônia, cravou que não se trataria de fenômeno fiscal abstrato, mas de comando administrativo: “Aqui é gestão. Alguém errou na mão mesmo, é gestão mesmo.” Mais adiante, ao tentar se defender de acusações de que estaria ali “fazendo crítica a, b ou c”, voltou a endurecer a formulação: “Não, acho não, tenho certeza. Não vou entrar em detalhes, não estou aqui a julgar A, B, C, um outro gestor, etc.” No mesmo bloco, insistiu que o foco deveria ser “ajustar o que não está ajustado”, sem apontar diretamente responsáveis, mas mantendo o diagnóstico de falha.
Outro ponto de atrito da conversa foi a relação com o governador. Robson Oliveira lembrou que Hildon foi aliado do chefe do Executivo estadual na última eleição e perguntou se ele já percebia os problemas e se chegou a comentar. Hildon respondeu que “naquela época, não” e, em seguida, ao ser questionado se voltaram a conversar, afirmou: “Não, ele nunca mais falou comigo depois disso.” A frase, colocada no centro do diálogo, evidenciou distanciamento político e pessoal, sem que o entrevistado detalhasse os motivos do rompimento.
Na sequência, a entrevista entrou em outra zona de ruído político: as versões sobre articulações partidárias e encontros com lideranças. Robson Oliveira relatou ter ouvido que Hildon teria se reunido com dirigentes de partidos maiores do que o PSDB e que haveria conversa para ele ser “ungido” candidato a governador em outra legenda. Hildon negou de forma direta: “Não.” Em seguida, mencionou ter tomado conhecimento de uma reunião de integrantes do União Brasil na casa do deputado Maurício Carvalho, citando a presença de Ieda e outros deputados, mas afirmou que não foi, não estava lá e que nem foi convidado, acrescentando: “E nem quis ir, não.” Ao ser instado se a conversa existiu, respondeu que “aventaram uma possibilidade”, porém negou que houvesse tratativa com ele “da forma como saiu essa notícia”, reforçando: “Eu não participei de nada disso. Essa conversa não existiu.”
A entrevista também carregou um tom de disputa narrativa sobre o papel de Hildon no processo. Em um momento em que descreveu a própria disposição, ele buscou reduzir a leitura de ambição pessoal e afirmou que não tem “vaidade de ser governador”. Disse que, se a carreira política terminasse ali, já se daria “absolutamente, por satisfeito” após dois mandatos na Prefeitura de Porto Velho, e que não pretende “brigar” ou “fazer uma confusão” para ser candidato. A fala veio acompanhada de uma frase que passou a sintetizar a posição dele na entrevista: “Se as forças políticas convergirem para que esta candidatura se materialize, entendendo que isso seria importante para o nosso Estado, ok, eu sou um soldado, estou à disposição.” Mais adiante, voltou a insistir na mesma imagem, dizendo que poderia ser “um soldado raso” e que está “à disposição”, enquanto relatava que “todos os dias, pelo menos quatro, cinco atores políticos” procuram o grupo dele.
Quando Robson Oliveira trouxe os dois temas que, segundo ele, hoje pressionam o debate público — a saúde e a concessão da BR-364 —, a conversa atingiu o ápice de polêmica. Na saúde, Hildon sustentou que o problema é o “modelo” e que, sem mudar, “nem eu, nem o Confúcio, que era médico, nem ninguém vai arrumar”. Ao ser provocado, afirmou, com ênfase, que fazer saúde de qualidade no modelo atual seria inviável: “É impossível. Eu afirmo isso, que é impossível.” Ele relatou que tentou alterar o modelo e reagiu ao que disse ter enfrentado: “Eu tentei mudar, quase fui crucificado em praça pública.” Questionado sobre quem teria feito isso, respondeu: “Pelos órgãos de controle, pelas corporações da medicina e de outros setores políticos.” A partir daí, defendeu como saída a adoção de parcerias com o setor privado, citando PPP e a ideia de o Estado entrar “aonde a iniciativa privada não tem condição de entrar”, argumentando ainda que o privado “sempre vai ser mais barato”, ao mesmo tempo em que reconheceu o risco de irregularidades e respondeu que, em caso de problema, seria possível “trocar a empresa”.
No debate da BR-364, Hildon adotou cautela sobre detalhes, dizendo não ter “elementos” sobre a modelagem e afirmando não saber onde houve mudanças, o volume de investimento e as variáveis do contrato. Mesmo assim, endossou a estranheza sobre a dinâmica inicial de cobrança. “Eu acho que essa história do aumento, antes de começar, sim. Já começa com aumento? Já começou. Isso é esquisito. É estranho”, afirmou, após Robson dizer que a cobrança teria começado “semana passada”. No ponto mais agudo, quando o apresentador criticou a reação tardia e perguntou o que seria possível fazer, Hildon afastou medidas de impacto imediato e cravou: “Não resolve.” Em seguida, lançou a frase que Robson reforçou em concordância: “A bancada dormiu. Isso é fato.” Hildon completou o raciocínio dizendo que, naquele momento, “o leite já derramou”, mesmo afirmando ter “grandes amigos” entre parlamentares, mas mantendo a crítica ao comportamento da representação política no caso.
No terço final, o entrevistado passou a detalhar exemplos de gestão e justificativas técnicas para as propostas que mencionou. Ao tratar do ajuste fiscal que diz ter feito na Prefeitura de Porto Velho, afirmou que a primeira providência, caso assumisse o Estado, seria “fechar gargalos de desperdício” e adotar “uma gestão fiscal muito ajustada”, “segurar no início” para recuperar capacidade operacional. Para ilustrar, trouxe o tema de classificação de risco de crédito, citando a avaliação do Tesouro Nacional e dizendo que, quando assumiu a capital, a nota era D e, no segundo ano, teria passado para A e até A+. Ele comparou ainda com grandes capitais, dizendo que São Paulo seria B, e explicou que operações de crédito, na visão dele, são instrumentos para investimento, não para folha, defendendo que podem viabilizar entregas.
Também usou números para explicar o argumento de eficiência. Disse que, para asfaltar um quilômetro “a preços de mercado”, o custo chegaria a “quase dois milhões”, enquanto, com execução direta, servidores e máquinas da prefeitura e compra de insumos “a preço de custo”, o valor cairia para “500 mil”. Na sequência, relatou ter feito uma operação de crédito na casa de “uns 30 milhões” para troca da matriz de iluminação da cidade por lâmpadas de LED com garantia, afirmando que, após a implantação, a economia de energia teria chegado a “R$ 2 milhões por mês”, o que, segundo ele, teria ajudado a operação a se pagar.
Por fim, o ex-prefeito também mencionou aspectos pessoais e de bastidores que atravessaram a conversa. Disse ser empresário e estar vivendo “um momento muito bom” fora da prefeitura, relatando que passou oito anos sem empreender enquanto governava a capital, e fez um comentário sobre o desgaste do cargo: afirmou que “vou morrer cinco anos mais cedo por causa da prefeitura de Porto Velho”, ao descrever a pressão do período, desejando sucesso ao atual prefeito Léo. No encerramento, Robson Oliveira retomou a ideia de que a definição do cenário ficaria mais clara após 4 de abril, listando hipóteses sobre candidaturas e partidos, enquanto Hildon manteve a linha adotada na entrevista: reiterou que, “por enquanto”, se coloca como pré-candidato ao governo, sem fechar portas para outros desfechos, repetindo que “tudo é possível, inclusive nada”.
DEZ FRASES DE HILDON CHAVES NO RESENHA POLÍTICA:
01) “Aqui é gestão. Alguém errou na mão mesmo, é gestão mesmo.”
A afirmação foi feita quando Hildon Chaves respondia a uma pergunta direta de Robson Oliveira sobre os alertas fiscais e orçamentários apontados por órgãos de controle, especialmente diante da situação financeira do Estado de Rondônia. Ao ser provocado se o problema estaria relacionado a fatores macroeconômicos, como aumento de impostos ou limites de arrecadação, Hildon afastou essa hipótese e atribuiu o cenário exclusivamente a falhas de gestão do governo estadual.
02) “Não, acho não, tenho certeza.”
A frase foi dita na sequência imediata do mesmo debate, quando Robson Oliveira questionou se Hildon estaria apenas “achando” que o governo estadual cometeu erros administrativos. Ao responder, o ex-prefeito reforçou que sua avaliação não se tratava de impressão subjetiva, mas de uma convicção formada a partir da análise do funcionamento da máquina pública estadual e dos resultados apresentados.
03) “O Estado hoje passa por uma crise não só financeira, mas principalmente política.”
Hildon usou essa afirmação para caracterizar o momento de Rondônia, argumentando que as dificuldades vão além das contas públicas e atingem o ambiente político, institucional e de tomada de decisões.
04) “Se antecipou em um ano o final do governo.”
A fala foi utilizada para explicar o que ele entende como esvaziamento precoce da atual gestão estadual, associado a conflitos internos e instabilidade política percebida antes do encerramento formal do mandato.
05) “Ele nunca mais falou comigo depois disso.”
A frase foi dita ao comentar a relação com o atual governador, após Robson Oliveira lembrar que ambos foram aliados na última eleição, indicando um rompimento total de diálogo depois do período eleitoral.
06) “Eu tentei mudar, quase fui crucificado em praça pública.”
Hildon usou essa expressão ao relatar a resistência que diz ter enfrentado quando tentou alterar o modelo de gestão da saúde durante sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho, citando pressões institucionais e corporativas.
07) “É impossível.”
A palavra foi usada de forma categórica ao afirmar que, no modelo atual adotado em Rondônia, não seria viável oferecer um sistema de saúde de qualidade, independentemente de quem esteja à frente do governo.
08) “Eu acho que essa história do aumento, antes de começar, é esquisito. É estranho.”
A declaração se referiu ao início da cobrança e ao reajuste do pedágio da BR-364, quando Hildon comentou a percepção de que os usuários passaram a pagar mais antes da execução efetiva dos serviços previstos.
09) “A bancada dormiu.”
A frase foi dita ao avaliar a atuação dos parlamentares no processo de concessão da BR-364, indicando que, na visão dele, a reação política ocorreu apenas depois de o modelo já estar implementado.
10) “Se as forças políticas convergirem, eu sou um soldado.”
Hildon utilizou essa expressão ao falar sobre sua pré-candidatura, afirmando que se coloca à disposição do grupo político e do eleitorado, sem apresentar a candidatura como um projeto pessoal inegociável.



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