Publicada em 05/02/2026 às 09h45
Cidade pacata, Porto Velho “acordava” com o apito da usina de luz às 5 da manhã e “ia dormir” 22 horas, quando a usina dava um corte rápido no fornecimento de energia, indicando que 10 minutos depois o sistema seria desligado, narrou Dimarci Menezes portovelhense “da gema”.
Na década de 1960 a carroça do "Dega", com seus panelões de mingau, vendia bem na porta do Mercado Público
“Depois da usina, pela manhã, o trem apitava, avisando aos que ainda não tinham acordado que era hora de trabalhar”, lembrou o turismólogo Ivo Feitosa, citando que a capital do Território tinha uns 60 mil habitantes e o grande local de encontro da cidade era o Mercado Público – incendiado em 1966, e recuperado em parte em 2008 agora como “Mercado Cultural.
O apito do trem acordava os dorminhocos em Porto Velho que mal chegava ao KM 1
Além do Mercado Público outro ponto de encontro era o Café Santos, “onde a cidade sabia de tudo que tinha acontecido, ou discutia o que ia acontecer”, recordou outro “da gema”, o então garoto Anísio Goraieb Fº,
Naquele início da década de 1960 em Porto Velho dois fatos importantes aconteceram: a corrida dos garimpeiros pelas minas de cassiterita e a abertura da rodovia BR-29, provocando a chegada de novos moradores. A capital já contava com dois jornais diários e uma emissora de rádio, a “Caiari”.
Em Porto Velho quando a garimpagem se instalou, o “clima” só mudava no período eleitoral, quando “cutubas” e “peles curtas” disputavam a única cadeira de deputado federal, ou quando anunciada a “queda” do governador. O terceiro fator era quando os times de maiores torcidas, Moto e Ferroviário, se enfrentavam pelo campeonato local.
Tempos bons do futebol local, torcida do Ferroviário em dia de clássico
As forças de segurança eram a 3ª Companhia de Fronteira, alguns policiais civis e os “GTs” da Guarda Territorial, estes, além de funções policiais, eram uma espécie de “faz-tudo”, tirando lenha para a usina de luz, desobstruindo canais e, à noite, faziam a ronda contra a criminalidade.
Os GTs, além da segurança também abasteciam a cidade de lenha e faziam "n" serviços
O comércio evoluiu, apresentando um fenômeno na relação dos garimpeiros com as lojas, porque além de pagarem em dinheiro vivo também praticavam o escambo – o que se repetiria na década de 1980 quando a “corrida do ouro” no Rio Madeira trouxe a figura do garimpeiro, só que agora de aluvião, provocando outro “inchaço” da cidade.



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