Publicada em 30/01/2026 às 10h00
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou, nesta sexta-feira (30), durante negociações em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, que a Ucrânia estará "tecnicamente pronta" para aderir à União Europeia (UE) em 2027.
O presidente ucraniano afirmou que garantir uma adesão “acelerada” ao bloco é uma parte importante das garantias de segurança após o fim da guerra com a Rússia.
“Tecnicamente, estaremos prontos em 2027”, disse Zelensky a repórteres, em declarações divulgadas por seu gabinete nesta sexta, acrescentando que, até o fim de 2026, a Ucrânia terá implementado os principais passos exigidos para a adesão.
“Eu gostaria que a Ucrânia recebesse um cronograma claro”, afirmou, acrescentando que seu governo está comprometido com as reformas necessárias.
Na última terça-feira (27), Zelensky expressou seu desejo de que o país se junte à União Europeia até o ano que vem.
Em um post na rede social X, Zelensky contou que discutiu esse desejo com o chanceler da Áustria, Christian Stocker, em uma conversa telefônica, e que espera que todos os membros do bloco europeu apoiem a adesão do país:
"A adesão da Ucrânia à União Europeia é uma das principais garantias de segurança, não só para nós, mas para toda a Europa. Afinal, a força coletiva da Europa só é possível graças às contribuições da Ucrânia nas áreas da segurança, tecnologia e economia. Por isso, estamos falando de uma data concreta – 2027 – e contamos com o apoio dos parceiros à nossa posição".
Há semanas, a Ucrânia vem sofrendo com ataques à sua infraestrutura energética. Os moradores estão tendo que enfrentar o inverno rigoroso sem aquecimento ou fazendo uso de geradores.
Zelensky em videoconferências nesta terça (27) — Foto: X / Reprodução
"A Rússia ataca o setor energético diariamente, deixando os ucranianos sem luz e aquecimento, e é crucial que os parceiros respondam a essa situação", reclamou Zelensky.
As negociações pelo fim da guerra
Zelensky afirmou que, se a Rússia suspender os ataques à infraestrutura energética da Ucrânia, a Ucrânia não atacará a Rússia. Ele também disse que a Rússia interrompeu as trocas de prisioneiros de guerra.
Os EUA propuseram que Moscou e Kiev se abstivessem de usar capacidades de longo alcance, mas o presidente ucraniano afirmou que não existe nenhum acordo oficial de cessar-fogo sobre metas energéticas entre os países.
A suspensão dos ataques a alvos de energia "é uma iniciativa dos EUA e, pessoalmente, do presidente Trump. Acreditamos que isso é uma oportunidade, não um acordo", disse o presidente ucraniano.
A garantia de segurança para o país pós-guerra está entre as principais exigências do presidente ucraniano para chegar a um acordo de paz com a Rússia que dê fim à guerra entre os dois países, que em breve completa quatro anos.
Ainda na terça, uma reportagem do jornal britânico "Financial Times" revelou que o governo Trump sinalizou à Ucrânia que as garantias de segurança que os Estados Unidos proveriam no pós-guerra dependem de Kiev concordar com um acordo de paz que exigiria ceder à Rússia a soberania sobre a região de Donbas.
O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst
Ainda segundo o jornal, Washington também indicou que poderia oferecer mais armas à Ucrânia para fortalecer seu Exército no pós-guerra caso Zelensky aceitasse retirar suas forças dos territórios da região —Donetsk e Luhansk— que ainda controla.
O líder ucraniano tem dito diversas vezes que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada em qualquer acordo de paz para encerrar a guerra. Em contrapartida, a Rússia exige que só vai concordar em encerrar o conflito se Zelensky aceitar ceder a soberania de todo Donbas.
No domingo (25), Zelensky declarou que um documento com as garantias de segurança que os EUA dariam à Ucrânia no pós-guerra estava “100% pronto” e que Kiev agora aguarda a definição de data e local para a assinatura.
Reuniões trilaterais
Zelensky afirmou nesta sexta (30) que a data ou o local da próxima rodada de negociações mediadas podem mudar. A próxima está prevista para domingo (1°), em Abu Dhabi, mas Zelensky afirmou não saber quando o encontro aconteceria.
"É muito importante para nós que todos com quem concordamos estejam presentes na reunião, porque todos esperam um retorno", disse ele. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia dito na quarta-feira (28) que os principais enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, que participaram da rodada anterior de negociações, não participariam da reunião deste fim de semana em Abu Dhabi.
"Mas a data ou o local podem mudar, porque, em nossa opinião, algo está acontecendo na situação entre os Estados Unidos e o Irã. E esses desdobramentos provavelmente afetarão o momento", disse Zelensky .
Zelensky disse que é impossível para ele se encontrar com Putin em Moscou, mas que os acordos finais sobre o plano de paz só poderão ser alcançados em uma reunião de líderes.
O ucraniano disse estar pronto para qualquer formato de cúpula de líderes, mas não em Moscou ou na Bielorússia. "Estou convidando-o (Putin) publicamente (para Kiev) se ele se atrever, é claro", disse o presidente.



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