Publicada em 30/01/2026 às 15h39
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (30) que o Irã deseja um acordo e que uma data limite foi fixada por ele para que Teerã dê sua resposta.
Questionado por jornalistas na Casa Branca sobre a escalada de tensões dos últimos dias com o governo iraniano, Trump afirmou:
"Posso dizer isto: eles querem chegar a um acordo. Eu fixei um prazo, mas só eles sabem com certeza qual".
Perguntado por uma jornalista da agência de notícias AFP se pretendia repetir o que fez na Venezuela, onde os Estados Unidos capturaram o dirigente Nicolás Maduro e se apoderaram do petróleo, ele se recusou a falar sobre seus planos militares:
"Não quero falar de nada que tenha a ver com meus planos militares. Mas contamos com uma frota extremamente poderosa naquela região, ainda maior do que na Venezuela".
"O Irã acolhe o diálogo e não busca a guerra": a declaração em tom mais ameno, após dias de troca de farpas entre o governo iraniano e os Estados Unidos veio do presidente do país, Masoud Pezeshkian, nesta sexta-feira.
Segundo a mídia estatal iraniana, Pezeshkian conversou com o presidente dos Emirados Árabes Unidos sobre as ameaças que vem sendo feitas por Donald Trump e disse que não deseja um conflito.
Porém afirmou que, caso o Irã seja atacado, "responderá imediata e decisivamente a qualquer agressão".
Também nesta sexta, em viagem à Turquia, o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que está preparado para negociações com os EUA sobre o acordo nuclear desejado por Trump, mas ponderou que as conversas precisam ser "justas e equitativas".
Disse que, até o momento, não há nenhum planejamento entre os dois países para uma reunião em que se possa discutir um possível acordo, e que o governo iraniano não abrirá mão de manter e expandir suas capacidades de Defesa.
"Teerã está preparada para ambos os cenários: guerra ou diplomacia. Espero que os EUA ajam com bom senso e lógica", declarou.
As capacidades de Defesa citadas por Araqchi estão diretamente ligadas ao programa nuclear iraniano. Washington acusa Teerã de estar desenvolvendo uma arma nuclear, porém o aiatolá garante que a tecnologia é usada apenas para fins de proteção do país. O Irã não permitiu que a agência da ONU que cuida do tema inspecionasse suas usinas.
O Irã é uma república teocrática, que une princípios religiosos aos do governo, por isso, apesar de ter um presidente, o aiatolá é o líder supremo do Irã. Atualmente, o cargo é ocupado por Ali Khamenei.
Na quarta-feira (28), quando o conflito entre o país e os EUA escalou após um post do presidente americano, Donald Trump, se gabando da "enorme armada" que está a caminho do Oriente Médio após sua ordem.
Um alto funcionário do governo iraniano, o conselheiro sênior do khamenei Ali Shamkhani, já havia garantido então que qualquer ataque dos EUA será considerado o início de uma guerra.
"Um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar dos EUA , de qualquer origem e em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra , e sua resposta será imediata, abrangente e sem precedentes, visando o agressor, o coração de Tel Aviv e todos os apoiadores do agressor", declarou.
Antes dele, outros representantes de Teerã já haviam se pronunciado. O perfil oficial da missão do Irã junto à ONU disse que o país está pronto para o diálogo, mas não deixará de se defender:
"O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e nos interesses comuns, mas se pressionado, se defenderá e responderá como nunca antes".



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