Publicada em 15/01/2026 às 10h39
Presidente norte-americano afirmou que invocará Ato de Insurreição, lei do século XIX que prevê uso das Forças Armadas dentro de território norte-americano, se manifestantes não pararem. Protestos cresceram no estado após morte de Renee Nicole Good por agente do ICE.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (15) que, caso os protestos no estado de Minnesota continuem, invocará a Lei de Insurreição para o estado. O mecanismo, de 1807, autoriza o governo a fazer uso das Forças Armadas dentro de solo norte-americano.
Manifestantes aumentaram os protestos no estado desde que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) mataram a tiros Renee Nicole Good, uma norte-americana de 37 anos que passava de carro em meio a uma manifestação contra a presença do ICE na região.
"Se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurgentes ataquem os Patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, instituirei a Lei de Insurreição", escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
A Lei ou Ato de Insurreição é uma legislação criada em 1807 nos EUA para permitir que o governo envie as Forças Armadas a um estado ou região dentro dos Estados Unidos em caso de insurreição.
A medida já foi invocada por presidentes dos EUA para enviar tropas aos EUA em resposta a crises como a ascensão da Ku Klux Klan, logo após a Guerra Civil Americana. A última vez em que a legislação foi utilizada foi em 1992, pelo então presidente George H.W. Bush quando o governador da Califórnia solicitou ajuda militar para reprimir os protestos em Los Angeles após o julgamento de policiais que espancaram o motorista negro Rodney King.
Na quarta-feira (14), um homem foi baleado na perna durante uma operação de fiscalização de imigração no norte de Minneapolis. Segundo autoridades federais, o agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) foi atacado com uma pá e uma vassoura e, por isso, efetuou o disparo.
O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) informou que, após o confronto, o homem — um cidadão venezuelano que estava ilegalmente nos Estados Unidos — fugiu dirigindo, bateu o carro em outro veículo estacionado e, então, escapou a pé.
Após os policiais chegarem até o homem, outras duas pessoas viram a cena, se aproximaram e os três começaram a atacar o policial, ainda de acordo com o DHS.
"Temendo por sua vida e segurança ao ser emboscado por três indivíduos, o policial disparou um tiro em legítima defesa para proteger sua vida", informou o departamento.
As duas pessoas que teriam agredido o policial estão sob custódia, segundo as autoridades federais. O agente agredido e o venezuelano baleado foram hospitalizados.
A cidade de Minneapolis afirmou na plataforma de mídia social X que estava "ciente de relatos de um tiroteio envolvendo agentes da lei federais no norte de Minneapolis".
Após o ocorrido, ao menos 100 pessoas se reuniam perto do local, segundo o jornal The New York Times. Um grupo deles teria gritado com os policiais de Minneapolis que bloqueavam a rua, exigindo a prisão dos agentes federais.
Ainda de acordo com o jornal, os policiais se retiraram e, ao saírem, dispararam pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo. Um manifestante disparou vários fogos de artifício em direção aos agentes do ICE e seus carros que estavam em retirada.
Agentes federais de imigração disparam balas de pimenta enquanto gás lacrimogêneo é lançado no local de um suposto tiroteio na quarta-feira — Foto: AP/John Locher
O caso ocorreu na mesma cidade em que uma cidadã americana foi morta a tiros, também por um agente do ICE, na última semana.
De acordo com o Departamento de Segurança Interna (DHS), a mulher de 37 anos tentou avançar com o carro contra agentes do ICE durante uma operação. Horas depois, ela foi identificada como Renee Nicole Good, de 37 anos. Uma porta-voz do departamento afirmou que um agente do ICE disparou ao se sentir ameaçado.
Em uma rede social, o senador estadual Omar Fateh disse que testemunhas informaram que agentes federais impediram um médico de tentar socorrer e reanimar a mulher. Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, criticou a atuação dos agentes federais.
Desde o caso, manifestantes se reúnem diariamente na cidade para protestar contra o ICE.
O caso representa uma escalada nas operações de imigração realizadas pelo governo Trump em grandes cidades norte-americanas. Segundo autoridades, esta é, ao menos, a quinta morte registrada em ações desse tipo em diferentes estados desde 2024.
Mineápolis e a vizinha St. Paul entraram em estado de alerta desde que o DHS anunciou, na terça-feira (6), o início de uma grande ofensiva migratória na região.



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