Publicada em 16/01/2026 às 09h39
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se ofereceu para atuar como mediador para diminuir as tensões crescentes no Oriente Médio por causa dos protestos no Irã e as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às autoridades de Teerã após a morte de manifestantes.
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Segundo comunicado divulgado pelo governo russo, Putin conversou por telefone nesta sexta-feira (16) com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pediu uma rápida redução das tensões no país.
Os dois também teriam reafirmado seu compromisso com o acordo de parceria estratégica de 20 anos que a Rússia e o Irã assinaram no ano passado.
Putin também conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. De acordo com o Kremlin, o presidente russo apresentou ideias para reforçar a estabilidade no Oriente Médio e expressou sua disposição em "continuar seus esforços de mediação e promover um diálogo construtivo com a participação de todos os Estados interessados".
Contexto: vale lembrar que, apesar de estar exaltando a diplomacia na crise do Irã, o presidente russo segue em sua ofensiva, que já dura quase quatro anos, na Ucrânia e as negociações de paz estão estagnadas. Nesta sexta-feira, inclusive, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de estar atrasando os esforços para um cessar-fogo.
O presidente russo, Vladimir Putin, realiza sua coletiva de imprensa anual em Moscou, em 19 de dezembro de 2025 — Foto: Alexander Nemenov/Pool via REUTERS
Questionado sobre qual apoio a Rússia poderia fornecer ao Irã, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse:
"A Rússia já está fornecendo assistência não apenas ao Irã, mas também a toda a região, e à causa da estabilidade e da paz regional. Isso se deve, em parte, aos esforços do presidente para ajudar a reduzir as tensões".
O último balanço das mortes no Irã, divulgado por uma ONG que monitora a situação no país, apontava que mais de 3,4 mil pessoas morreram desde o começo dos protestos, no fim do ano passado.
Boa parte do Irã segue sem internet e as manifestações contra o regime se espalharam para outros países.
Nesta quinta-feira (15), o Conselho de Segurança das Nações Unidas se reuniu a pedido do governo dos Estados Unidos para falar sobre a questão. O embaixador americano na ONU disse que o presidente Donald Trump deixou claro que todas as opções estão sobre a mesa para pôr fim ao massacre e que ele é um homem de ação.
Washington afirma que o regime dos aiatolás está mais fraco do que nunca e que está divulgando mentiras por causa da força do povo iraniano nas ruas. O embaixador adjunto do Irã acusou os americanos de espalherem desinformação e alertou que qualquer ato de agressão, direto ou indireto, será enfrentado com uma resposta decisiva.



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